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Paulo Betti se une a artistas contra mudança na profissão: "Retrocesso"

João Cotta/TV Globo
Paulo Betti Imagem: João Cotta/TV Globo

Marcela Ribeiro

Do UOL, no Rio

06/04/2018 16h19

Paulo Betti se reunirá com um grupo de artistas na segunda-feira (9), às 20h, no Teatro XP, no Leblon, zona sul do Rio, em um movimento contra a possibilidade da extinção do DRT, registro profissional de artistas, em ação que será julgada no dia 26 no STF (Supremo Tribunal Federal). Em São Paulo, o ato acontece na Funarte às 19h.

Nas redes sociais, dezenas de artistas se manifestaram contra a chance de a exigência do registro profissional cair para exercer a profissão. Irene Ravache, Dira Paes, Mateus Solano e Renata Sorrah são alguns dos atores que devem participar da mobilização.

Em conversa com o UOL, nesta sexta-feira (6), Betti diz que estão preocupados com a possibilidade da desregulamentação da profissão.

"Se você pensar que a carteira que a Fernanda Montenegro tinha era a mesma do serviço de 'diversões públicas', que era a mesma carteira das prostitutas, você imagina que é um retrocesso. Quem é contra diz que é elitista exigir um diploma. Sim, mas se você comprovar três ou quatro peças que fez no teatro amador, tem alguns sindicatos que têm uma banca que faz uma avaliação para ver se a pessoa tem talento", opina.

O motivo da ação seria porque a lei que regulamenta a profissão é de 1978 e a Constituição brasileira é de 1988. "Eles querem revisar a lei porque dizem que não é democrático exigir que o artista precisa ter essas qualificações como um diploma da escola de teatro ou de nível superior.  A nossa profissão dos artistas serve pro palhaço do circo, pro atirador de facas, para técnicos, iluminadores, sonoplastas", diz Betti.

"Acho que é um retrocesso, consideramos importante que a nossa profissão seja regulamentada, reconhecida e que existam critérios para a pessoa poder exercê-la. Há um movimento econômico muito grande relacionado a nossa profissão. Teatro, televisão, cinema, quantas atividades envolvem a classe artística e quando dinheiro ela faz girar? É um fator econômico forte e acho que nós seríamos enfraquecidos nas relações de trabalho se a gente não tiver uma profissão regulamentada".

Thiago Fragoso, Cissa Guimarães, Ângela Vieira e Drica Moraes foram alguns dos artistas que se mobilizaram em suas redes sociais.

"É o desmantelamento de um trabalho de classe construído a duras penas ao longo de anos! Os artistas perdem suas proteções trabalhistas e o público rompe um código de confiança com a arte. Entenda, o indivíduo não precisa acessar escolas caras para ser artista reconhecido. Ele precisa de continuidade dos seus estudos técnicos profissionais e de apresentações públicas contínuas e reconhecidas", escreveu Drica.

"Eu mesma, vim do teatro amador. Como eu existiram vários artistas. Grande Othelo talvez seja um de nossos melhores exemplos de notório saber. Isto não tem nada a ver com o reconhecimento de nossa profissão junto ao Ministério do trabalho. Vamos lutar contra essa ação!", completou.

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