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André Gonçalves relembra gay em novela: "Fui perseguido e ameaçado"

Antonio Chahestian/Record TV
André Gonçalves foi entrevistado no "Programa do Porchat" Imagem: Antonio Chahestian/Record TV

Colaboração para o UOL

24/04/2018 07h33

André Gonçalves falou de um de seus personagens mais marcantes da carreira no "Programa do Porchat" de segunda-feira (23). O ator, que se prepara para ser Barrabás em "Jesus", próxima novela da Record, relembrou a reação de parte do público por ter vivido o homossexual Sandrinho em "A Próxima Vítima" (1995).

"Passei maus bocados por ter feito o Sandrinho. Apanhei, fui perseguido, tomei ovada. Não foi só esse episódio, tive de andar de segurança por três meses, fui ameaçado de morte, perseguido por um grupo do bairro que eu morava", recorda, citando também o Áureo de "Morde e Assopra" em 2011.

"São personagens incríveis que ajudaram a desmistificar esses dilemas, a abrir a cabeça das pessoas, apesar de a gente ter retrocedido bastante em termos de violência contra a liberdade do outro", opina.

O ator lembrou também as dificuldades na infância. "Nasci no Rio de Janeiro, morei em São Cristóvão, fiquei dos 4 aos 11 anos em Natal, depois na favela da Maré,  Caju, só lugar muito barra pesada. Lembro de passar um tempo em uma casa de um tio meu que era de papelão, de madeira. Por isso sou muito grato a tudo que conquistei".

Ele viu de perto a realidade violenta. "Hoje em dia se fala muito da violência na Zona Sul [do Rio], mas na periferia existe há muito tempo. Pobre, preto e favelado é porrada, tiro e bomba. Vi os maiores absurdos, já saí de manhã e vi milhares de corpos espalhados no chão, uma chacina. A gente está desgovernado, a solução está na positividade, no teatro, no esporte e na música. Foi isso que me tirou da rua, desse universo violento: ter outra perspectiva".

Casamento

Gonçalves contou ainda da união com Danielle Winits, em novembro de 2016. "A gente já se conhece há muitos anos, teve um momento que nossas energias se encontraram no planeta Terra. Eu a pedi em casamento, ela aceitou. A gente fez um casamento que antigamente se chamava emancebado. Fui no cartório, fizemos um contrato de união estável, busquei ela de moto e falei 'vamos ali, vamos casar'".