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Onde Nascem os Fortes

"Difícil fazer homofóbico no atual momento do Brasil", diz Fábio Assunção

Estevam Avelar/Divulgação/TV Globo
Ramiro (Fábio Assunção) não aceitará que o filho, Ramirinho (Jesuíta Barbosa), se apresente como drag queen Imagem: Estevam Avelar/Divulgação/TV Globo

Gisele Alquas

Do UOL, em Lajedo do Pai Mateus (PB)

17/05/2018 04h00

Em “Onde Nascem os Fortes”, Ramiro Curió (Fábio Assunção) é o homem da lei do Sertão. Mandatário da cidade, o juiz de caráter duvidoso vai se mostrar extremamente preconceituoso e homofóbico quando descobrir que o filho, Ramirinho (Jesuíta Barbosa), não quer tomar conta dos negócios do pai e que se apresenta como a drag queen Shakira do Sertão na boate do local.

Em cenas que ainda vão ao ar, Ramiro terá um embate violento com o jovem e não aceitará a carreira que ele quer seguir. “É uma relação de um grande conflito. O Ramiro é um cara extremamente conservador, preconceituoso e o pior de tudo, homofóbico. Estamos em uma época que discutimos tantos temas importantes sobre a sexualidade, mas o Ramiro está em outros tempos. É difícil fazer um personagem homofóbico desse no atual momento em que o Brasil está se transformando com essas discussões”, disse Assunção ao UOL durante as gravações da série, em Lajedo do Pai Mateus, no sertão da Paraíba.

Além do conflito com o filho, Ramiro nutre um misto de ódio e inveja pelo poderoso Pedro Gouveia (Alexandre Nero). O juiz não suporta a ideia de Pedro ser o dono da maior fábrica de bentonita da região e ser casado com Rosinete (Debora Bloch), sua prima e paixão da juventude, com quem protagonizou cenas tórridas nos últimos capítulos.

Estevam Avellar/Divulgação/ TV Globo
Fábio Assunção é o juiz mal caráter de "Onde Nascem os Fortes" Imagem: Estevam Avellar/Divulgação/ TV Globo

“Existe uma rivalidade entre os dois, uma competição velada para descobrir quem manda mais na cidade. Ele não se conforma que o Pedro é um empresário rico, então se vê no direito até de manipular a lei se for para beneficiá-lo”, conta o ator. Para competir com Pedro, o juiz vai entrar no ramo da bentonita e, para entender do negócio, infiltrou Joana (Maewa Jinkings) na fábrica do empresário. Em cenas que vão ao ar nesta quinta-feira (17), Pedro descobre que Joana é informante de Ramiro e a expulsará da fábrica.

“O Ramiro é amargo, solitário e muito controlador. Ele quer ter mais poder que todos na cidade”, diz Fábio Assunção. E com a chegada de Cássia (Patricia Pillar), que procura pelo filho Nonato (Marco Pigossi), a disputa entre Ramiro e Pedro ficará ainda mais acirrada. Ramiro se interessou pela engenheira química, que vai se envolver com Pedro, o maior suspeito pelo desaparecimento do filho dela.

“Ele se interessa de verdade por essa mulher. Os dois serão aliados para descobrir o que aconteceu com Nonato. Não posso adiantar mais nada senão vou dar muito spoiler”, afirma o ator, aos risos. De acordo com o site "Notícias da TV", foi Ramiro quem matou Nonato e escondeu o corpo com a ajuda do delegado

Dobradinha de poderes

Quando se trata dos interesses de Ramiro, o juiz se junta ao delegado corrupto, Plínio, interpretado por Enrique Diaz, para se beneficiar de algo. O ator diz que a dobradinha entre duas das principais autoridades na cidade retrata bem a realidade atual do Brasil.

“O Plínio é a polícia, o Ramiro é o judiciário. O Brasil é um bom paralelo, estamos no momento bom de traçar paralelo, sem querer entrar em política".

O ator deixou a barba crescer para o personagem e diz que já se acostumou com o visual. “Eu curti, talvez na vida real eu não deixaria tão comprida, mas já mudei tanto que nem estranho”, conta ele, que se adaptou rapidamente ao sotaque nordestino de Ramiro.

“Achei que ia ser mais difícil, mas foi tranquilo. É um dos personagens mais complexos da minha carreira, as cenas são viscerais”. 

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