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Segundo Sol

"Minha esperança é que respeitem", diz ator sobre Candomblé em Segundo Sol

João Cotta/Globo
Pai Didico (João Acaiabe) e Doralice (Roberta Rodrigues) foram o núcleo do terreiro de candomblé em "Segundo Sol" Imagem: João Cotta/Globo

Carolina Farias

do UOL, no Rio

01/06/2018 04h00

A Bahia de todos os santos vai estar representada em "Segundo Sol", a novela das 21h. Com Salvador como cenário, a trama vai abordar o Candomblé. Doralice (Roberta Rodrigues) já anunciou, em cena que foi ao ar no sábado passado (26), ser "herdeira de um terreiro de Candomblé".

Pai Didico (João Acaiabe) criou sozinho a filha Doralice após a morte da mulher. Ele quer passar os ensinamentos para que sua filha herde o terreiro, o que gera um embate entre ambos, já que ela não tem certeza sobre se quer assumir essa responsabilidade.

"É importante essa discussão porque se você não tolera outras religiões, como vai chegar a algum lugar? Tem uma frase africana, em ubuntu, que diz: 'Eu sou porque tu és, porque nós somos'. Você tem que respeitar as outras religiões para chegar a algum lugar. Deus é um só", afirmou o ator durante a festa de lançamento da trama, no Rio.

"Estou estudando bastante. Não sou dessa religião, mas estou estudando para fazer com a maior dignidade, porque tem a ver com meus ancestrais. Durante muito tempo o culto aos orixás foi escondido, houve perseguição da polícia, mas agora, aparecem [perseguições] de outra maneira", disse Acaiabe.

Roberta tem dentro de casa exemplos que vão ajudar na construção de sua personagem - sua avó era do candomblé quando a atriz era criança.

"Tem uma herança na família, mas eu nunca me aprofundei. Marginalizam tanto o Candomblé que algumas pessoas [que são da religião] têm vergonha de falar. O Candomblé é incrível, todas as religiões que levam a Deus são", afirmou Roberta.

Sua personagem Doralice vai "apelar" para a religião por conta do ciúme doentio do marido Ionan (Amando Babaioff), mas a questão, segundo a atriz, será abordada de forma delicada.

"Vamos tratar com respeito e cuidado", explicou Roberta, que diz acreditar que a novela tem poder de influenciar as pessoas. "Fico muito feliz porque o que a gente sabe fazer de melhor no Brasil é novela. Em qualquer lugar do mundo ninguém consegue fazer novela assim. É como o Carnaval, aquela loucura e de repente dá certo. Temos de mostrar um lado [da história] em que as pessoas só querem julgar sem conhecer. Por isso temos que fazer com seriedade e saber do que estamos falando. No Brasil a TV é como uma religião, o que você passa se torna verdade", acredita.

Com mais de 40 anos de experiência, Acaiabe espera que as pessoas que têm uma postura preconceituosa com essas religiões ao menos debatam depois de ver o assunto tratado na trama.

"A novela invade a casa das pessoas no horário de jantar. Tudo o que você puder conversar, discutir, pode levar a alguma coisa. O que não deve nunca é ter tabu. Minha esperança é que as pessoas entendam e possam respeitar. Você pode não concordar com outra religião, mas respeite a liberdade de cada um", disse.