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Segundo Sol

Salvador fictícia de "Segundo Sol" tem ruas com nomes de filhos de globais

Marcela Ribeiro

Do UOL, no Rio

06/06/2018 04h00

Para trazer realismo às gravações de "Segundo Sol", foi construído nos Estúdios Globo um bairro inspirado no histórico Santo Antônio Além do Carmo, em Salvador. Os cenógrafos Cláudio Duque e May Martins se preocuparam com os mínimos detalhes e criaram sobrados, fachadas estreitas e comércio variado, que incluem lojas de artesanato local, lojas de artigos religiosos, de instrumentos musicais e bares. Cerca de 100 pessoas trabalharam diretamente na construção do espaço, antes usado pela novela "Rocky Story", e que demorou três meses para ficar pronto.

O UOL visitou o bairro fictício e descobriu que, apesar de aparentarem sólidos no ar, muitos dos prédios são apenas fachadas e nem os azulejos são reais.

"A estampa dos azulejos a gente imprime em PVC. A gente fotografou lá, reproduziu e manda plotar", explica Cláudio. Muitos são seculares e não é possível encontrá-los à venda.

Outro detalhe que chama a atenção foi a preocupação em reproduzir o famoso monumento Cruz do Pascoal em tamanho real. O oratório, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), foi erguido em 1743 pelo português Pascoal Marques de Almeida, um morador do local como testemunho de sua devoção por Nossa Senhora do Pilar.

Para evitar processos, os cenógrafos consultam o jurídico da Globo para aprovar os nomes fictícios das ruas, praças e comércios cenográficos.

"Os nomes das ruas são de filhos de pessoas da equipe. Mas tudo isso vai pro jurídico, para ver se não tem homônimo, que não vai ter encrenca. A gente coloca cartazes de shows nas paredes, mas não pode ser de shows que existem em Salvador, tem cuidado com tudo. É muita inspiração", explica May.

Apesar do realismo em cena, na cidade cenográfica, a igreja do Carmo tem apenas a fachada, assim como outras construções. É lá que ficam localizados o casarão, o salão de beleza e o restaurante da Cacau (Fabiula Nascimento) decorado com objetos coloridos, artesanatos, imagem de Iemanjá e muitas fitinhas do Senhor do Bonfim.

"A personagem da Cacau é cozinheira que sai de casa e vem para Salvador. Então, a gente tentou recriar histórias da vida dela, coisas que ela foi encontrando pelo caminho e recortando. A louça da casa dos patrões, o artesanato mais praiano de onde ela morava, tem a coisa religiosa", explica May.

O casarão ocupado por alguns jovens da novela também foi inspirado em locais visitados pelos cenógrafos em Salvador.

"Visitamos dois casarões para entender como eles vivem, fomos até em festas. Os jovens são organizados e dividem bem as tarefas", conta a cenógrafa.

Nos fundos do casarão uma horta comunitária com verduras prontas para colheita chamava a atenção. "Ainda nem pensamos o que faremos com elas. Isso está valendo muito", brincou May, impressionada como o solo estava fértil e lembrando a ausência de frutas, legumes e verduras na cidade, na semana passada, por causa da greve dos caminhoneiros.

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