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"Nasceu de novo", diz Rosamaria Murtinho após Mauro Mendonça ficar em coma

Ramón Vasconcellos/TV Globo
Rosamaria Murtinho e Mauro Mendonça recebem homenagem no "Domingão do Faustão", em 2016 Imagem: Ramón Vasconcellos/TV Globo

Gilvan Marques

Do UOL, em São Paulo

29/06/2018 04h00

Rosamaria Murtinho comemora aliviada a boa recuperação do marido, o ator Mauro Mendonça, de 87 anos, após ficar sete dias em coma induzido e quase um mês internado devido a uma pneumonia grave e septicemia (infecção generalizada), entre abril e maio.

Ao UOL, por telefone, a atriz relembrou o susto que tomou ao chegar em casa e encontrar o companheiro de 58 anos com uma expressão diferente. Na hora, ela conta que decidiu chamar o socorro às pressas.

"No hospital, o médico falou: 'O que ele tem é muito grave'. Pedimos orações para todo mundo, amigos católicos, crentes, umbandistas, budistas. Fizemos uma corrente e hoje ele está aqui em casa", afirmou Rosamaria. "O Mauro nasceu de novo, temos que comemorar. Não foi fácil para os filhos nem para mim".

O ator, que fez a sua última novela em 2016, em "Êta Mundo Bom", recebeu alta três semanas depois, e agora tem feito fisioterapia e terapia aquática para voltar a andar normalmente, já que os muitos dias deitado afetaram sua locomoção.

Pais de três filhos, Rosamaria Murtinho e Mauro Mendonça são casados há 58 anos, mas estão efetivamente juntos há meio século, já que passaram oito anos separados.

"Foi numa época em que a gente achava que estava tudo ruim e pensamos em dar um tempo. A gente deu, mas ninguém pediu divórcio. Ele namorou e eu namorei também. Temos que viver, né? O tempo acabou e voltamos, obviamente como pessoas muito melhores e entendendo muito mais o que significa uma verdadeira união", relembra.

"O Mauro e eu nos apaixonamos. É bacana se casar apaixonados, é uma delícia amar. Não é um tesão que vem e vai rapidinho, é uma coisa natural", declara-se a atriz, com voz emocionada.

J. C. Pereira/AgNews
Mauro Mendonça passeia de cadeira de rodas na orla da zona sul do Rio Imagem: J. C. Pereira/AgNews

Trabalho e medo de morrer

Mesmo em volta dos cuidados com o marido, Rosamaria tem trabalhado bastante: viveu a rainha Crísélia em "Deus Salve o Rei", da Globo, está em cartaz no musical "Isaurinha", em que revive a famosa cantora do rádio no teatro Oi Casa Grande, no Rio, e se prepara para gravar dois filmes ainda este ano --"O Trampo" e "O Desempregado do Amor".

"Quando fiquei mais velha, ganhei mais trabalho", brinca a atriz aos "mais de 80" --ela não revela a idade exata. "Ficar velho não é ruim, é chato. Você precisa cuidar da saúde, as pessoas têm condescendência. A única coisa que eu tenho contra a velhice é que eu tenho medo de morrer. Eu sou igual ao Woody Allen, absolutamente contra a morte", diz citando um dos conhecidos aforismos do cineasta. Ironicamente, sua personagem na novela das 19h morreu e retornou em flashbacks.

Incansável, Rosamaria diz que nem passa pela cabeça se aposentar. "Parar, não querer mais atuar? Talvez eu faça isso um dia, mas não sei se vou morrer antes."

"Não sou 'Fora, Temer'"

A atriz também reflete sobre o momento político e questões sociais nas quase duas horas de conversa com UOL. Faz críticas, por exemplo, ao que considera uma "quantidade absurda" de sindicatos no Brasil --ela que foi presidente do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversão nos anos 90.

"O Brasil está muito ruim, mas, ao mesmo tempo, a gente está descobrindo tudo. Não dá mais para enganar. Agora não dá para esconder que na Argentina há 71 sindicatos e e no Brasil são 16 mil. E o pior: o dinheiro que eles ganham de cada trabalhador com carteira assinada não precisa da nota fiscal para saber como se gastou", reclama.

Na contramão de muitos dos colegas, que engrossam os protestos contra o atual governo, diz não ser "fora, Temer". "Não tem nada de golpe. Não sou 'fora, Temer'. Quem foi que votou no Temer? Então não tem que chamar de golpe", questiona a atriz, que afirma que a ex-presidente Dilma foi "impichada" por ferir a lei de responsabilidade fiscal. "Ela é indefensável".

Sem se definir "de direita ou esquerda", a veterana, que fez campanha para Aécio Neves em 2014, se diz desencantada com a política. "O problema não é a corrupção, é a impunidade. Quem faz as nossas leis? É o Maluf, é o Tiririca... Eu votei no Aécio Neves, mas se ele tivesse ganhado a gente não sabia disso tudo, não saberíamos da Dilma, do tempo que ela escondeu [o caso da compra da refinaria de] Pasadena".

E cita, entre outros exemplos, a prisão do ex-presidente Lula, em quem diz já ter votado. "Que história é essa de o Lula ficar na carceragem da Polícia Federal? Ele tem que ir para a cadeia comum. Essa adoração por ele é um fanatismo".