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Orgulho e Paixão

Vin Diesel, é você? Voz de ator de "Orgulho e Paixão" confunde até colegas

Raquel Cunha/Globo
Jorge Lucas vive Venâncio em "Orgulho e Paixão" e também faz dublagens para o cinema Imagem: Raquel Cunha/Globo

Carolina Farias

do UOL, do Rio

03/07/2018 04h00

"Quando abro a boca o pessoal da sonoplastia pergunta: 'Você é o Vin Diesel, não é?'" Dublador há 25 anos, Jorge Lucas, que interpreta o Venâncio de "Orgulho e Paixão", não passa despercebido nem entre os colegas da Globo.

"A franquia faz muito sucesso. Quando ouço: 'Parece até ele quem está falando' é porque estou fazendo sem impor meu ego, respeitando o trabalho artístico e dando minha interpretação, sem parecer que estou lendo um jornal", contou o ator, durante intervalo de gravações da trama das 18h.

Lucas, de 51 anos, empresta a voz para muitos famosos. Além de Dom Toretto, da sequência "Velozes e Furiosos", estão Ben Affleck; David Duchovny, o Fox Mulder, de "Arquivo X"; Ben Stiller, Matt Damon, Mark Ruffalo, Johnny Depp, Sam Worthington e a drag queen RuPaul. 

O ator e dublador comemorou a "ascensão" de Ben Affleck ao papel de Cavaleiro das Trevas. Para Lucas, "substituíram o Batman 700 vezes. Quando anunciaram o Ben Affleck, criticaram: 'Ele vai acabar com o Batman' ou 'Ele é muito bonito'. Para mim, ele é o melhor Batman. É o Bruce Wayne! Bonito pra caramba, elegante, e quarentão. Está perfeito", elogia.

O "homem morcego" está na lista dos personagens favoritos de Lucas. "Amo alguns personagens, como o de 'Avatar', em que me emociono, ou o agente Mulder. Mas o Batman é uma relação que todos nós temos. Na barriga da minha mãe, eu já sabia que ele existia. Quando me vi em um cinema da Warner [produtora e distribuidora do longa], em Los Angeles, assistindo a 'Batman vs Superman', pensei: 'Obrigado, Deus. Está valendo a pena'."

Para fazer a dublagem, os profissionais enfrentam limitações. Segundo Lucas, algumas distribuidoras exibem a película aos dubladores somente com as imagens da boca, para evitar pirataria.

"Dublagem é bem diferente do trabalho de ator, é distanciada. Está tudo pronto. Tenho que ter respeito pelo colega que fez o trabalho. Aqui sou eu como ator inteiro. Lá alguém escreveu, pensou, roteirizou, teve figurino, cenário, trilha sonora, direção", afirmou. 

Apesar de tantos trabalhos e anos de carreira, Lucas nunca conheceu pessoalmente alguém que tenha dublado. Dois, em especial, ele queria encontrar. "Dublei o RuPaul nas temporadas 7 e 8 da 'Drag Race'. É uma dublagem diferente. Faço um tipo, é um trabalho de ator fortíssimo. [Queria encontrá-lo] porque ele é um desbravador, não aceitou a realidade e criou algo para si. Também gostaria de conhecer o David Duchovny, que é um pândego."

Novela das 18h

Em "Orgulho e Paixão", Jorge Lucas divide a cena com Nathalia Dill. Venâncio contratou Elisabeta como colunista e foi demitido com ela. Agora a dupla --um homem negro e uma mulher-- vai fundar o próprio jornal, um avanço para 1910, ano em que se passa a trama. Para ele, não há mistério em interpretar um jornalista, já que ele também é formado em comunicação.

"Minha primeira faculdade foi jornalismo. Trabalhei um pouco em jornal. Jornalistas e atores têm proximidade. Todo jornalista tem sensibilidade para procurar, ter pauta, investigar. O ator também tem que pesquisar. E novela de época é um universo que me atrai. Acabo de me deparar [no cenário] com uma prensa antiga de jornal. É emocionante. E agora vejo vocês aqui fazendo entrevista com telefone."

Lucas explica que seu personagem tem uma carga dramática muito real, compatível com o Brasil no início do século 20.

"Ele é um libertário. É negro, filho de uma escrava e um branco, ambos analfabetos. Desde que nasceu não aceitou seu lugar. Sempre quis ser jornalista. Estudou, aprendeu a escrever, se inspira em Machado de Assis, que também era mulato. O legal da trama é que ela retrata o início da libertação de todos, mulheres, negros", conclui.

Lucas tem em sua carreira outros papéis em novelas, o mais recente o Ramiro de "A Lei do Amor" (2016).