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Após choradeira na TV, Ivan Moré diz como superou vergonha de se emocionar

Ivan Moré com o filho no colo - Reprodução/Instagram
Ivan Moré com o filho no colo Imagem: Reprodução/Instagram

Felipe Pinheiro

Do UOL, em São Paulo

23/07/2018 04h00

Vira e mexe, Ivan Moré aparece na TV com os olhos marejados. O apresentador, que voltou na semana passada a comandar de ponta a ponta a edição do "Globo Esporte" de São Paulo, admite que é sensível mesmo.

“Tinha muita vergonha disso [de se emocionar] no começo. Eu sofria. Algumas pessoas revelam as emoções por arrepios. Eu revelo pelas lágrimas. É impressionante", contou em entrevista ao UOL.

"Depois de ser pai, o coração amolece e parece que as coisas se tornam mais emotivas. Foi o que aconteceu comigo. Depois da paternidade, eu, que já era manteiga derretida, tive que tratar de outro problema: a vergonha de me emocionar”, disse o pai de Mel, de 5 anos, e Lui, 2, frutos de seu casamento com Mariana Del Grande Moré.

Na despedida do "Esporte Espetacular", em 2015, ele desabou em lágrimas e, depois do episódio, procurou auxílio profissional para entender se havia algo de errado. "Fiz terapia por três anos e a minha terapeuta falou: ‘Se é genuíno, não tenha vergonha de ser você. Libere a sua emoção'. Eu liberei. Hoje não tenho nenhum problema de me emocionar."

O processo de autoconhecimento coincidiu com um importante passo na carreira: quando assumiu a função de Tiago Leifer, depois de ajudar a consolidar o novo estilo do programa, que passou a priorizar a espontaneidade e a ter uma linguagem mais despojada.

"O objetivo principal era manter a leveza do programa e acrescentar um pouco mais de informação. Eu, como repórter, ajudei o Tiago a construir esse formato. Ao assumir o programa, [a preocupação era] será que os níveis de audiência irão se manter? E, para a nossa surpresa, foi uma transição positiva. Tivemos aceitação do público e eu fiquei muito contente. O desafio é mostrar para essa molecada ligada no mundo digital que também no ‘Globo Esporte' existe uma maneira de entreter."

Sem descartar a possibilidade de um dia seguir o mesmo caminho de Leifert, ele acredita que a descontração do jornalismo esportivo é um caminho sem volta. O conceito definido como "leifertização" passou a ser usado para definir a invasão do entretenimento no modelo mais sério de reportar uma notícia. Moré, por exemplo, faz entrevistas nas casas de jogadores e andando de carro com eles.

"Essas matérias querem tirar os jogadores da zona de conforto, que é dentro dos clubes. Somos desafiados a produzir conteúdo para atrair o público que está deixando a TV e indo para as redes sociais, ao mesmo tempo que os clubes estão se fechando. As entrevistas coletivas são cada vez mais difíceis de serem feitas. Quando você vai para a casa do jogador e conta quantos filhos ele tem, como é a rotina, gera uma curiosidade em quem está assistindo", conta.

"Não é porque fui na casa do cara que eu nunca mais vou poder falar que ele jogou mal", salienta.

Neymar deve satisfação

Neymar virou meme durante a Copa da Rússia por suas constantes quedas em campo - Reprodução/Twitter - Reprodução/Twitter
Neymar virou meme durante a Copa da Rússia por suas constantes quedas em campo
Imagem: Reprodução/Twitter

O jornalista, que cobriu o Mundial pelo canal pago SporTV, tem críticas em relação à atitude de Neymar após a Copa do Mundo. 

"Sou um grande admirador do futebol do Neymar e cravei para todo mundo que ele ganharia essa Copa. Apostei todas as minhas fichas. O que aconteceu é consequência do que ele provocou. Ele poderia aproveitar a oportunidade e mudar o comportamento em relação à postura com a imprensa. Poderia ser mais aberto e revelar que é um pouco mais comprometido com a opinião das pessoas. Ele devia essa satisfação e [precisa] mudar essa postura de se manifestar exclusivamente por redes sociais. Não é falar apenas na hora de colher os frutos de uma vitória, mas também nos momentos difíceis. É aí que você revela ser um grande líder", afirma.

A partir de agosto, Moré começará a dar palestras motivacionais em empresas pelo Brasil. Ele adotou o conceito "desobediência produtiva" ao formatar o conteúdo do que pretende abordar nas apresentações.

"Trabalho desde os 14 anos e sempre estudei em colégio público. Vim de uma cidade [Presidente Venceslau] de 30 mil habitantes no interior de São Paulo e fui andar de avião pela primeira vez com 26 anos. Eu vim muito de baixo. Nunca recebi nada do meu pai. Hoje eu realizo um sonho que é trabalhar na maior emissora do país. O que eu tive que passar para chegar onde estou hoje é algo que eu posso usar para estimular os outros a saírem, até, da zona de conforto", conta.

"É uma palestra sobre como trabalhar de forma criativa, atingir objetivos e melhorar a performance profissional", define.

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