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O Tempo Não Para

Diretor conta como Globo criou iceberg e afundou "Titanic" na novela das 7h

Reprodução/Globo
Samuca se depara com Marocas congelada Imagem: Reprodução/Globo

Guilherme Machado

Do UOL, em São Paulo

01/08/2018 15h18

“O Tempo Não Para” estreou repleta de efeitos especiais que chamaram a atenção dos espectadores. As cenas do naufrágio do navio Albatroz e do gigantesco bloco de gelo no qual os protagonistas da novela das 19h da Globo ficaram presos durante mais de 100 anos geraram diversos comentários nas redes sociais.

As sequências exigiram um grande esforço das equipes de efeitos visuais da novela: ao todo, mais de 30 profissionais trabalharam na criação do iceberg, que surgiu em pleno litoral paulista, gerado inteiramente por meio de computador. O bloco de gelo possui 30 metros de comprimento e 16 metros de altura e para construí-lo digitalmente foi feita uma pesquisa em geleiras de verdade, para observar as nuances de um processo de descongelamento.

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Primeiro capítulo de "O Tempo Não Para" mostrou iceberg no Guarujá, litoral de São Paulo Imagem: Reprodução/Globo
Para colocar o iceberg em pleno mar aberto, a equipe deslocou, com uma grande balsa com as mesmas dimensões do bloco de gelo, um chroma-key – nome dado a um painel com fundo neutro no qual são adicionados os efeitos visuais após a conclusão de uma filmagem.

"A gente estava com um aparato imenso na praia: sete câmeras, três helicópteros, quatro barcos, quatro jet skis. Tudo isso em volta de uma balsa e boias que eram o tracking – como uma régua em alto mar que o pessoal precisa para fazer os efeitos e ficarem realistas. Juntou um monte de gente para ver o que estava acontecendo e a recepção foi ótima. A reação, claro, foi de estranhamento, já que estávamos gravando uma cena que fisicamente não tinha nada, era um aparato imenso em volta de uma balsa”, conta o diretor artístico da novela, Leonardo Nogueira.

Titanic Global

Reprodução/Globo
O Albatroz naufragou no primeiro capítulo de "O Tempo Não Para" Imagem: Reprodução/Globo

O time de efeitos também cuidou dos detalhes do naufrágio do navio, que gerou mais de uma comparação com o filme “Titanic”. A parte externa da embarcação foi modelada em 3D, enquanto os cenários foram montados.

A área da casa de máquinas, por exemplo, possui 24 metros quadrados e foi construída dentro de um tanque cheio com 90 litros de água, pronta para ser inundada na cena em que o Albatroz colide com o imenso bloco de gelo. O processo de inundação durou cerca de 20 segundos.

Audiência recorde

O investimento da emissora para a produção do primeiro capítulo parece ter valido a pena. O primeiro capítulo teve média de 32 pontos no Ibope em São Paulo, com 46% de participação. No Rio, a trama de Mário Teixeira teve 34 pontos de média e 49% de participação. Cada ponto no Ibope equivale a cerca de 72 mil domicílios em São Paulo e a cerca de 45 mil domicílios. No Twitter, a novela chegou ao assunto mais comentado no mundo.

O capítulo de estreia se passou quase todo no século 19 e mostrou como Marocas (Juliana Paiva), após ser assediada por Bento (Bruno Montaleone), se recusou a casar com ele, o que levou a família a realizar uma viagem para fugir do escândalo.

Logo depois, o navio afundou, a família ficou congelada por mais de 100 anos, com Marocas sendo resgatada por Samuca (Nicolas Prattes) em 2018.