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Walcyr Carrasco lembra quando se vingou de atriz que queria inventar falas

Walcyr Carrascon e Adriana Falcão participam de um debate na Bienal do Livro de São Paulo 2018 - Iwi Onodera/UOL
Walcyr Carrascon e Adriana Falcão participam de um debate na Bienal do Livro de São Paulo 2018 Imagem: Iwi Onodera/UOL

Rodolfo Vicentini

Do UOL, em São Paulo

04/08/2018 14h24

Os roteiristas e escritores Walcyr Carrasco e Adriana Falcão participaram de um painel na Bienal Internacional do Livro de São Paulo neste sábado (04) para falar mais sobre novelas, filmes e livros.

Um dos pontos discutidos foi justamente como o escritor precisa lidar com a mudança no seu trabalho. "Às vezes, um diretor pensa em uma cena diferente do que você imaginou", definiu Adriana, que trabalhou em "A Grande Família" e ainda adaptou "O Auto da Compadecida" para o cinema.

"Na novela, o problema, é que você imagina um personagem de um jeito e podem fazer de outro. O que é possível na novela é quando o ator trai muito (o roteiro) e você se vinga. Eu tive uma atriz bem famosa que inventava falas, e então coloquei um problema na garganta (na personagem dela) e ela ficou muda por duas semanas", contou Walcyr, arrancando risos do público que acompanhou o papo.

A atriz punida por Walcyr Carrasco foi Elizabeth Savalla, em "Chocolate com Pimenta". A vilã Jezebel ficou alguns dias sem poder falar por causa dos "cacos" que a atriz fazia durante as gravações.

O autor de "O Outro Lado do Paraíso" e "Verdades Secretas", que já está sendo negociada uma segunda temporada, ainda debateu com Adriana como é no Brasil viver da escrita, tanto para produções na televisão e no cinema quando para livros.

"Escrever livro e roteiro é completamente diferente. O livro é mais livre, posso desbravar novos formatos. Eu não espero sobreviver de escrever livro. Poucos autores conseguem", opinou Adriana, que ainda tem diversos livros publicados principalmente no segmento infantil.

Walcyr, por outro lado, tem uma visão diferente da autora. "Eu espero sempre conseguir sobreviver escrevendo livro. Discordo. Eu quero que o livro venda. Tenho livro infantil publicado há 36 anos que ainda é lido", disse o autor, que já lançou mais de 60 livros na carreira.

"Nesse mundo digital, o livro não vai acabar. Quando eu era novo, falavam que o teatro ia acabar. Quando comecei no jornalismo, vi uma foto de quatro atores e pergunta era se eles iam salvar a novela. E não acabou. Pelo contrário. A novela é um gênero cada vez mais produzido", afirmou Walcyr.

"Eu acho que nada acaba. O livro não acaba. Mas muda. As novelas são mais ágeis, por exemplo. O livro está usando outras plataformas. Ele não acaba, mas sim a relação que você tem com ele."

Adriana completou a ideia. "Eu não acho que conseguiria sobreviver vendendo só livros, mas quero escrever livros o tempo todo. E ver as crianças lendo é muito bacana. O livro não vai morrer até que tenham professores lá para apoiar".

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