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O Tempo Não Para


Alexandra Richter emenda sétima novela: "Esperei muito para fazer sucesso"

Globo/João Miguel Júnior
Alexandra Richter é Monalisa em "O Tempo Não Para"; atriz está em sua sétima novela seguida Imagem: Globo/João Miguel Júnior

Guilherme Machado

Do UOL, em São Paulo

10/08/2018 04h00

Alexandra Richter não teve descanso nos últimos anos, mas ela não poderia estar mais feliz. Depois de quatro anos no humorístico “Zorra Total”, ela voltou às novelas em "Passione" (2010). Em seguida, não parou mais. Após um breve retorno à comédia em 2011, no seriado “Os Caras de Pau”, a atriz emendou nada menos que sete novelas --uma por ano.

No elenco de "O Tempo Não Para", ela faz sua terceira novela das 19h seguida, depois de ter vivido a psicóloga Eva, em "Rock Story" (2016) e a dondoca Valquíria em alguns capítulos de "Pega Pega" (2017).

“Estou sempre [no ar], renovando meu contrato, graças a Deus! Fiz várias novelas junto com teatro. E sou boa mãe. E boa dona de casa. E agora estou me dividindo entre Rio e São Paulo”, comemora a atriz a boa fase, em entrevista ao UOL, numa época em que a maioria dos colegas de profissão fecha contratos por obra.

“Tenho muita paciência. Esperei muito tempo para fazer sucesso, estou com 51 anos. Foi tudo muito lento, mas ao mesmo tempo desenvolvi uma perseverança muito grande e consciente de que ainda tenho muito para oferecer", diz a atriz que, no entanto, vê vantagens em ter esperado pela popularidade na TV.

"O bom de fazer sucesso mais tarde é que as pessoas ainda podem se surpreender comigo. Tanto os autores quanto os diretores, isso é muito bom. Estou com 51 anos mostrando uma novidade, um frescor. Talvez se tivesse mostrado tudo lá atrás já estaria desgastada”.

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Alexandra Richter como Sônia em "Cheias de Charme", Dalila em "A Regra do Jogo" e Eva em "Rock Story"; atriz não saiu do ar nos últimos sete anos Imagem: Globo/Raphael Dias/Globo/Tata Barreto/Globo/Mauricio Fidalgo/Montagem UOL

Alexandra acredita que a energia e disposição para fazer tantos trabalhos seguidos vêm de seu ambiente familiar, além dos cuidados que toma com a própria saúde.

"Me cuido muito. Cuido da minha alimentação, faço exercício físico. Levo uma vida muito simples. Sou uma atriz zero glamourosa. Lá em casa somos quatro irmãs, minha mãe tem 78 anos e é muito dinâmica. Somos muito fortes fisicamente, emocionalmente também. Essa energiavem daí, da criação".

Com tantas personagens em tão pouco tempo, Alexandra também diz seguir à risca a cartilha da profissão para diferenciar seus trabalhos. “Eu estudo, busco referências. Aproveito todos os minutos dos workshops, adoro ser dirigida. Sou muito disciplinada, dificilmente coloco um caco [texto improvisado]”, relata.

Ilha paradisíaca e aulas de mergulho

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Alexandra Richter e Marcos Pasquim vivem o casal de biólogos Monalisa e Marino Imagem: Globo/João Miguel Júnior

Na pele da Monalisa na novela das 19h, a atriz abandonou o estereótipo de grã-fina que vinha vivendo nos últimos papeis. A bióloga, que largou tudo para viver ao lado de seu amado, Marino (Marcos Pasquim), na paradisíaca Ilha Vermelha, não tem sequer energia elétrica.

“É diferente de tudo que fiz. Tenho aquele cabelão descabelado, estou de cara lavada, foi um desapego. Não precisa fazer unha, fazer sobrancelha. Maquiagem a gente até faz porque sou muito branca e ela pega sol, é uma mulher da praia. Achei isso incrível. Sempre faço mulheres sofisticadas, chiques. Tem essa questão do 'phisique  du role' e acabam me escalando pra isso, mas estou encantada em poder  mostrar uma outra faceta”, diz a atriz.

Tudo mudará quando eles encontrarem joias no fundo do mar. O tesouro foi produzido por Cesária (Olívia Araújo), que criou as peças com o intuito de comprar sua alforria no século 19 antes de a família Sabino Machado e seus escravos afundarem com o navio Albatroz e passarem mais de 100 anos congelados. As joias vão mexer com Monalisa, que vê nelas a possibilidade de retomar sua vida cidade grande.

“É um casal que está mostrando que as escolhas podem ser feitas, e depois você pode se arrepender. Eles escolheram abrir mão de tudo, não têm telefone, televisão. Para fazer as coisas, entrar na internet, têm que ir no continente. Talvez ela já não queira mais essa vida. Não sei se não é mais apaixonada ou se realmente as joias despertam nela a vontade de retornar à cidade. Acho que tem um conflito grande dentro dela”, conta Alexandra.

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Marino encontra joias no mar em "O Tempo Não Para" Imagem: Reprodução/Globo
Para dar veracidade aos biólogos caçadores de tesouro, ela e Marcos Pasquim fizeram até mesmo aulas de mergulho em apneia – que não conta com a ajuda de equipamentos de respiração. 

“Fizemos aula com o Diego Santiago, um mergulhador campeão e que tem uma escola de mergulho, no mar mesmo. Achei que ia ficar nervosa, sem ar, nunca mergulhei em apneia, mas ele nos tranquilizou muito", diz. "Gravando somente com a máscara, fiquei olhando os peixinhos e me distraí, nem pensei se tinha que segurar o ar ou não. O medo depois era se ia ter ar para subir, mas fiquei tranquila porque ele estava perto, tinha médico, uma equipe toda ali. Foi lindo”.