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"Achei que ia só fazer a gostosona a vida inteira", diz Claudia Raia

Claudia Raia no programa de Pedro Bial - Reprodução/TV Globo
Claudia Raia no programa de Pedro Bial Imagem: Reprodução/TV Globo

Jonathan Pereira

Colaboração para o UOL

04/10/2018 06h30

Claudia Raia, Diogo Vilela e Ney Latorraca relembraram os 30 anos do "TV Pirata" no "Conversa com Bial" de quarta-feira (3). A atriz conta que viu no humorístico de 1988 a chance de mostrar que sabia ser mais que um símbolo sexual.

"Eu participei do humor conservador, com o Jô Soares, e achei que eu só ia fazer a gostosona a vida inteira. 'TV Pirata' me deu a chance de ousar com o Tonhão, desconstruiu tudo isso". comemora, citando uma das personagens icônicas que fazia.

No entanto, ela quase ficou de fora. "O Ney e eu fomos negados na primeira instância pelo Guel [Arraes, diretor]. O Daniel Filho e Boni bancaram que a gente estivesse no programa. Quando começamos a gravar, o Ney só fazia velhinho e eu a gostosa", recorda. "O Guel [Arraes, diretor] não queria me deixar fazer o Tonhão, era para eu fazer a dondoca da Louise Cardoso. Falei: 'deixa eu fazer a fanchona'".

Claudia analisa os ingredientes que fizeram de "TV Pirata" um sucesso. "Não tínhamos ideia do que ia acontecer com aquilo. Essa desconstrução de humor acho que era a novidade, a maneira como se fazia. Os atores eram adequados e era incomum que representassem dessa maneira. Tem um humor meio do [grupo de teatro] Asdrubal Trouxe o Trombone, que misturou com os Cassetas e com o Luiz Fernando Veríssimo. E sem censura nenhuma. Não tinha limite, era um sucesso tão estrondoso que o país parava para ver ".

Ney fez uma exigência, que foi atendida. "Todos ganhavam o mesmo salário, eu sempre exijo isso quando posso. Ganhavam o meu salário". Diogo lembra com carinho do período. "Era piada, mas não era agressivo, tinha um afeto. Você via o ator gostando de fazer aquilo".

Ele acredita que o humor da época não pode ser feito hoje por conta do politicamente correto."Você fica sem espontaneidade. Estamos engessados e, se não puder ser espontâneo no humor, fica limitado. As pessoas querem ter uma postura nessa era eletrônica e, quando alguém quer fazer humor ou ter atitude, fica estranhíssimo", observa.

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