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Pai de "TV Pirata" lembra rixa com Chico Anysio e elogia "Tá no Ar"

Marcius Melhem e Marcelo Adnet são dois do trio de criadores do programa e também fazem parte do elenco fixo da 5ª temporada de "Tá no Ar" - Divulgação TV Globo/Tata Barreto
Marcius Melhem e Marcelo Adnet são dois do trio de criadores do programa e também fazem parte do elenco fixo da 5ª temporada de "Tá no Ar" Imagem: Divulgação TV Globo/Tata Barreto

Carolina Farias

Do UOL, no Rio

04/10/2018 14h45

Um dos cabeças da "TV Pirata", o cartunista e roteirista Claudio Paiva, participou do "Conversa com Bial" onde elogiou o "Tá no Ar: a TV na TV" e falou um pouco sobre a rixa com Chico Anysio. Na época em que estreou na Globo, em 1988, o programa mudou a forma de tratar o humor na TV e não agradou o então único humorista com atração na emissora. 

"Eles convidaram o Chico para ir a uma reunião onde apresentamos [o projeto do programa] e para ele escutar e dar palpite. Era o grande nome do humor na emissora. Ele tinha o estilo e técnica dele e nós éramos jovens arrogantes, 'a gente não precisa de Chico Anysio para porra nenhuma'. Evidentemente essa pororoca não deu certo, acabou em conflito. Tivemos uma briga pública horrível, mas fiquei quieto na época porque tinha um respeito enorme por ele", contou o cartunista ao programa em entrevista que ocorreu em sua casa, no Rio de Janeiro.

O "TV Pirata" foi criado para substituir "Viva o Gordo", comandado por Jô Soares, que foi para o SBT à época. O humorístico durou quatro temporadas e revolucionou o formato de fazer humor na TV.  A equipe de redatores se destacava por nomes de peso como Luiz Fernando Veríssimo, Patrícya Travassos, Pedro Cardoso e Miguel Falabella; os humoristas Hubert, Reinaldo e Cláudio Paiva, do então "Planeta Diário"; Beto Silva, Hélio de LaPeña, Marcelo Madureira, Claudio Manoel e Bussunda, da revista "Casseta Popular", que viria a formar o "Casseta e Planeta"; e os cartunistas Laerte e Glauco.

"Na época os programas do Jô, do Chico, tinham claque [risadas gravadas]. Ali a gente foi para outra linguagem. Trabalhávamos com o seguinte: vamos contar uma coisa muito absurda a você, mas de maneira muito séria. É um humor cínico. Estou te contando um absurdo e eu não tenho a claque para te avisar que você pode rir", explicou o roteirista.

Paiva afirmou que o tipo de humor da "TV Pirata" em muitos momentos não caberia nos dias de hoje. 

"Como vivemos um longo período de ditadura e repressão e quando encerrou ninguém tinha coragem de reclamar porque poderia parecer repressor. Na época a censura era envergonhada. De vez em quando passava do ponto. Então gozamos desse período na hora certa porque hoje a chance de você ser condenado pela piada é enorme. Hoje a gente sabe que muita coisa politicamente incorreta não iria ao ar [hoje] de jeito nenhum", lembrou Paiva.

Para o cartunista, o "Tá no Ar" é um herdeiro direto do humor do "TV Pirata" e a iniciativa de Marcius Melhem e Marcelo Adnet merece elogios. 

"Adoro o 'Tá no Ar', é maravilhoso. Eles conseguiram inovar, fazer um negócio novo. E eles ralaram. Para botar aquele material no ar é uma ralação. Enfrentaram muito do que a gente enfrentou lá atrás. Tinham coisas que a gente tinha que brigar para conseguir liberar, é difícil", disse o cartunista. 

O "Tá no Ar" volta em janeiro na grade da Globo na sexta e última temporada, contou Adnet ao UOL. "Estamos acabando de escrever e muito provavelmente será a última temporada. Somos muito felizes. Somos uma família querida e unida, adoramos trabalhar juntos, nos divertimos para caramba. A gente sempre se renova como é a TV, internet. O programa acompanha isso", afirmou o humorista.

Marcius Melhem adiantou ao colunista Mauricio Stycer que a equipe deve fazer um novo programa em 2020.

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