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Espelho da Vida

Adolescente em "Vamp" hoje dirige colegas veteranos em "Espelho da Vida"

Geraldo Modesto/Globo/Reprodução/Globo/Montagem UOL
Pedro Vasconcelos em "Vamp" (1991) e atualmente: diretor artístico reencontrou parte do elenco de sua primeira novela Imagem: Geraldo Modesto/Globo/Reprodução/Globo/Montagem UOL

Guilherme Machado

Do UOL, em São Paulo

31/10/2018 04h00

Em 1991, o público parou para ver as aventuras do vampiro Vlad (Ney Latorraca), as confusões da família do capitão Jonas (Reginaldo Faria) e ouvir as canções de Natasha (Cláudia Ohana) em "Vamp". Quase 30 anos depois, parte do elenco se reencontra em uma novela que fala justamente do resgate do passado. Em “Espelho da Vida”, Reginaldo Faria, Patricya  Travassos, Evandro Mesquita e Luciana Vendramini são dirigidos por Pedro Vasconcelos, um dos atores adolescentes da trama vampiresca.

A experiência foi marcante para o hoje diretor artístico, aos 45 anos, que fazia sua estreia na televisão. “Foi minha primeira novela como ator, a primeira vez que tive contato com atores que depois vieram a se tornar grandes amigos. É interessante que de 'Vamp' saíram três diretores artísticos da Globo: eu, o Fred Mayrink e a Amora Mautner", conta ao UOL. "Tem algum babado especial nessa novela”.

Sucesso nos anos 90, a trama que foi pioneira a investir no gênero "terrir", um misto de terror e comédia. Reexibida em 2011 no canal pago Viva, virou ainda musical em 2017, com Ney Latorraca e Claudia Ohana no elenco. “Foi uma novela que gerou álbum de figurinhas, a gente recebia muitas cartas e até hoje as pessoas têm lembranças muito positivas. Hoje tenho noção que marcou um pouco a infância de muita gente”, lembra.

Na época com 17 anos, Pedro interpretava João Rocha, um dos filhos do personagem de Reginaldo Faria, o Vicente em “Espelho da Vida”. Hoje, ele agradece a oportunidade de poder dirigir o próprio Reginaldo e outros de seus colegas veteranos, como Patricya Travassos, que vivia a vampira Mary Matoso e hoje dá vida a Edméia na novela das 18h.

Nelson Di Rago/TV Globo
Otávio Augusto, Patricya Travassos, Ney Latorraca, Guilherme Leme e Flávio Silvino em cena de "Vamp" Imagem: Nelson Di Rago/TV Globo

“Todos eles me ensinaram alguma coisa. O que faço na novela como diretor é dirigí-los de uma forma muito amorosa porque eu me sinto devedor do carinho que me deram naquela época, principalmente os mais velhos. É muito prazeroso você poder reencontrar essas pessoas em um outro trabalho, independente das funções. Somos todos colegas novamente”.

Vinte e sete anos depois, Pedro, que após "Vamp" ainda atuou em outras novelas, como a terceira temporada de "Malhação", observa a evolução das produções na televisão.

“Ainda não existia os Estúdios Globo. A gente fez a novela toda na Herbert Richers [estúdio], que era na Barra da Tijuca. Aqui existiam quatro cidades cenográficas só, e você entrava e já via o castelo do Vlad. Era um bando de mato com aquelas cidades todas, era uma época que a Globo ainda estava crescendo, tinha outro astral”, complementa.

Divulgação/Globo
Pedro Vasconcelos em bastidores de uma gravação de "Espelho da Vida" Imagem: Divulgação/Globo
O atual diretor artístico, que começou cedo no teatro, trocou a frente das câmeras pela direção após um convite de Roberto Talma. Na Globo, já foi diretor geral de novelas de sucesso como “Além do Tempo” (2015) e “A Força do Querer” (2017). “Espelho da Vida” é seu primeiro trabalho em que assume a direção artística.

“Meu intuito era aprender, e assim eu fui ganhando esse aprendizado. Sinto que os atores se sentem confortáveis quando tem um diretor que é ator, que foi colega deles, que consegue enxergar o que eles estão vivendo ali no set, quais são as dificuldades. Me ponho nessa missão de trabalhar em função dos atores, que é quem faz a conexão entre o texto e público”, observa.

Emiliano em "Espelho da Vida", Evandro Mesquita confirma a cumplicidade no trabalho com o colega, com quem também contracenou em "Vamp". "Me lembro do Pedrão adolescente quase e agora tenho essa gratíssima surpresa de ser dirigido por ele, um diretor super generoso, como uma sensibilidade de pegar o melhor de cada um", elogia. "Ele te deixa muito à vontade, te orienta sem forçar, vai achando o caminho junto com você. Isso na parceria artística é demais”.