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Mulheres se unem para zoar sexo, machismo e política em festival de humor

Comediantes de stand up comedy se reúnem no festival de humor Mamacitas - Reprodução/Instagram/clubedominhoca
Comediantes de stand up comedy se reúnem no festival de humor Mamacitas Imagem: Reprodução/Instagram/clubedominhoca

Paulo Pacheco

Do UOL, em São Paulo

02/11/2018 11h37

Nunca houve tantas mulheres trabalhando com stand up comedy no Brasil. Mais de 50 humoristas empoderadas se uniram para zoar sexo, machismo, "causos" femininos e até a eleição presidencial no festival Mamacitas, que começa nesta sexta-feira (2), em São Paulo (confira a programação abaixo).

O evento nasceu de uma reunião menor, com dez humoristas, em junho. Agora, o Mamacitas ganhou corpo com sete apresentações em duas casas diferentes. Humoristas experientes como Marcela Leal, Marlei Cevada (de "A Praça É Nossa") e Nany People (que estará na novela "O Sétimo Guardião") dividirão o palco com outras promessas do humor.

A comediante Carol Zoccoli - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
A comediante Carol Zoccoli
Imagem: Reprodução/Instagram
Quem idealizou o festival foi Carol Zoccoli, com experiências na Band ("CQC"), Record ("Amazônia") e RedeTV! ("SNL"). A comediante, que mora no Canadá há cinco anos, ficou impressionada com a quantidade de mulheres comediantes no Brasil.

"Vi que essas meninas têm mais potencial do que estavam usando. Potencial econômico, de fazer dinheiro, de aparecer. Voltei e quis fazer dois shows, mas apareceram mais de 70 comediantes. Fizemos tudo em um mês e meio", conta Zoccoli ao UOL.

Machismo freia mulheres no humor

Carol pediu ajuda à amiga Arianna Nutt, que trabalha com humor há seis anos. Integrante do quadro "Emergente como a Gente", do "Programa do Porchat", ela acredita que o Mamacitas incentivará comediantes pressionadas pelos maridos a buscarem a liberdade, como ela fez ao terminar um casamento pelo machismo do companheiro.

A comediante Arianna Nutt - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
A comediante Arianna Nutt
Imagem: Reprodução/Instagram
"Elas saíam do stand up porque o namorado não deixava ou o marido proibia de sair à noite. Agora, o empoderamento e o feminismo estão mais evidentes. Uma menina me falou: 'Com o stand up só com mulheres, ele confia mais de deixar eu ir'. Eu acho um puta machismo do cacete, mas é o jeito de dar voz à mulher casada, que o marido não deixa sair. Quando meu marido falou isso, eu me separei, preferi o meu trabalho", recorda.

"Nosso festival celebra as mulheres, é muito inclusivo. Não há viés político porque há uma diversidade de vozes e visões ali. O que nos une é o fato de sermos mulheres. Mas acho que só o fato de mulheres se unirem e trabalharem em uma profissão vista como masculina já é uma ação afirmativa de empoderamento. Em si, já é uma ação política", analisa Carol Zoccoli.

Arianna Nutt também observa uma mudança no humor feito por mulheres e homens no stand up comedy. Enquanto elas quebram tabus ao falar de experiências sexuais, eles não têm a mesma graça do passado quando tiram sarro de minorias.

"A mulher pode falar hoje sobre separação, sexo, que ela deu para um cara. Ainda há um julgamento, mas vemos que isso está acabando e as pessoas começaram a rir, porque passamos pelas mesmas coisas que os homens e é engraçado. Por que vamos sofrer tanto se podemos fazer piada? Os homens estão parando de falar que não pegaria gorda e outras coisas, porque agora estão sendo julgados pela plateia", afirma.

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