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"Ouço que a novela vai acabar desde a década de 70", diz Tony Ramos

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Tony Ramos e Lília Cabral no programa de Pedro Bial Imagem: Reprodução

Jonathan Pereira

Colaboração para o UOL

08/11/2018 07h11

Tony Ramos e Lília Cabral falaram no "Conversa com Bial" de quarta-feira (7) dos vilões Olavo e Valentina que interpretarão em "O Sétimo Guardião", novela que substitui "Segundo Sol" a partir de segunda-feira (12). Os atores comemoram que Aguinaldo Silva voltou ao realismo fantástico, gênero com o qual fez sucesso nos anos 90, e falaram do futuro de produções deste tipo.

"É muito bom que o Aguinaldo tenha voltado às origens porque tem uma geração que não sabe o que é. Falam 'ah, tem um gato?, uma fonte?'... Não vai ser absurdo nenhum", explica a atriz, e Tony concorda. "Muitos jovens não têm ideia do que possa ser, mas Aguinaldo respeita o novelão, um bom folhetim".

Fim da novela?

Ambos acham que o gênero tem vida longa. "Ouço que a novela vai acabar desde a década de 70. A telenovela foi se reinventando, falaram que era muito água-com-açúcar, que tinha que mostrar a realidade. A novela foi encontrando seu tamanho, seu jeito de ser. Nos EUA tem novelas há 12 anos em cartaz mesmo com todos os serviços de streaming", analisa ele.

"A novela foi se reinventando. Nós temos uma qualidade, carinho e olhar para cada atitude no set que vai para o ar. Isso imprime uma qualidade de cena, acabamento, e o público faz distinção do que é bem feito e o que não é", elogia a atriz.

Parceria

É a primeira vez que os dois contracenam, embora já tenham estado no elenco de uma mesma novela. "A gente fez 'Laços de Família' [2000] e pensava 'se não der certo com a personagem da Vera Fischer [Helena] quem sabe eu ficaria com ele. Mas eu ficava no Sul e eles no Rio, e o Maneco [Manoel Carlos, autor] me matou. Ele fez um bem me matando", recorda ela.

É a primeira vez também que Tony tem personagem em uma novela de Aguinaldo - já apareceu em "Duas Caras" [2007], mas como ele mesmo. "Já nos namoramos muito, mas nunca dava certo fazer o mesmo trabalho. Às vezes você está escalado para uma minissérie, ela se alonga... Nunca deu certo de as nossas agendas cruzarem", conta.

Lília elege seu trabalho preferido do colega. "'Baila Comigo' dá vontade de entrar na TV e sentar com eles. Aquela direção brilhante, todos os atores interagindo, jogando aquele texto fora como se estivessem em casa", recorda, citando a novela de 1981 atualmente reprisada pelo Canal Viva.

Nudez

O ator afirma que não gosta de ver suas cenas, mas guarda de recordação. "Eu tenho tudo gravado, de vez em quando mostro para os netos". Ele lembrou ainda a sequência de nu em "O Astro" (1977), dizendo o que pensa de cenas ousadas.

"Não acho confortável. A TV tem compromissos com o público que assiste, não dá para fazer de tudo na TV aberta. Tem que discutir tudo, a dramaturgia é ótima pra isso. Não precisa fazer amor de verdade ou nu frontal às 22h30", defende. "Não pode ter autocensura, ou não se discute a sociedade contemporânea", esclarece.

Na hora de fazer tomadas mais íntimas, Tony toma cuidados. "A vida inteira converso antes com minha parceira de cena, onde posso colocar a mão. É uma coreografia, não é de verdade". Lília concorda. "Às vezes a coisa velada é mais sensual que a apresentada nua e crua".