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O Sétimo Guardião

Marina Ruy Barbosa supera castigo e entra para 1º time de estrelas da Globo

Reprodução/Instagram
Marina Ruy Barbosa Imagem: Reprodução/Instagram

Felipe Pinheiro

Do UOL, em São Paulo

19/11/2018 04h00

Novembro é o mês de Marina Ruy Barbosa. Aos 23 anos, a atriz está em todas: como sua primeira protagonista no horário mais nobre da TV, em "O Sétimo Guardião", que estreou há uma semana, e no cinema em dois filmes -- "Todas as Canções de Amor" e "Sequestro Relâmpago", sendo que este último entra em cartaz na próxima quinta-feira (22), além de aparecer em campanhas publicitárias veiculadas na televisão.

A trajetória percorrida por Marina é bem conhecida do público, uma vez que ela cresceu em frente às câmeras. Aos 9 anos, ela fez sua primeira novela com um papel fixo. Em "Começar de Novo", Marina era a anjinha Aninha, que contracenava com Tony Tornado.

A personagem mais importante do início de sua carreira promissora aconteceu no ano seguinte, em 2005. Em "Belíssima", Marina conquistou seu lugar como atriz mirim. Nesta semana, ao participar do "Vídeo Show", ela se recordou do início precoce na profissão e de todas as suas incertezas relativas à pouca idade.

Reprodução/Gshow
Marina como Aninha de "Começar de Novo" Imagem: Reprodução/Gshow
"Com essa idade eu tinha muitos sonhos. Eu era criança, tinha muitos medos, inseguranças e vontade que desse certo, que a carreira fosse longa. É muito bom ver hoje que estou realizando sonhos dessa época. Sou muito grata às pessoas que passaram por esse caminho", afirmou.

Marina conquistou em "O Sétimo Guardião" a sua primeira protagonista em uma novela das 21h, mas ainda como garotinha ela já chamava atenção. Diretor de teledramaturgia da Globo, Silvio de Abreu, autor de "Belíssima", contou ao UOL um fato curioso sobre a ruiva quando ela ainda era pouco conhecida para grande parte do público: "Fizemos testes com inúmeras meninas, não me lembro o número exato, e Marina venceu todas as concorrentes. Ela tinha o que o personagem exigia, era viva, esperta, talentosa e sabia lidar muito bem com as emoções".

"Ao contratá-la ficou acertado que cortaria o cabelo porque a personagem era uma garota-moleque e um cabelo longo poderia atrapalhar na caracterização, ela concordou, mas na hora de cortar o cabelo abriu um berreiro e resolvemos caracterizar o personagem de outra maneira, usando tranças e cabelo preso. A bem da verdade não fez muita diferença porque a atuação dela como Sabina foi impecável", afirmou.

O depoimento de Abreu reforça a ideia de que Marina sempre teve muito apelo às madeixas ruivas. Como se sabe, em "Amor à Vida" (2013), ela se recusou a cortar o cabelo ao interpretar uma paciente com câncer em estágio terminal. Walcyr Carrasco, que costuma "castigar" atores que não seguem o roteiro, optou por matar a personagem e a transformou em uma personagem fantasma que entrava muda e saía calada de cena.

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"Uma chance para brilhar"

Divulgação/Globo
Personagem de Marina Ruy Barbosa morreu e virou um fantasma em "Amor à Vida" Imagem: Divulgação/Globo
Marina Ruy Barbosa pôde reescrever sua história pelas mãos do autor Aguinaldo Silva, que a socorreu em um momento dramático de sua carreira. Depois de virar fantasma em "Amor à Vida" e surgir como uma assombração vestida de noiva, a atriz fez uma morta viva na série "Amorteamo".

Ao UOL, o escritor contou que viu em Marina o seu potencial e assim ofereceu a ela uma oportunidade: fazer par romântico com Alexandre Nero no trabalho que marcaria de vez a transição de Marina para personagens mais maduros.

"Escolhi Marina para atuar em 'Império' depois daquela novela em que a transformaram em 'noiva cadáver'. Achei que ela merecia uma chance de brilhar realmente e fiz dela a amante do comendador. Foi uma jogada perigosa porque ela era muito jovem. Mas deu certo", lembrou ele.

O autor de "O Sétimo Guardião" conheceu Marina, que atualmente é a sua grande estrela, quando ela se viu numa encruzilhada à época de "Amor à Vida": entre cortar ou cabelo e colocar em risco uma carreira em plena ascensão, Marina não cedeu à pressão e buscou ajuda.

"Veio uma menininha chorando perto de mim e disse, 'estão querendo raspar minha cabeça, que eu fique careca. Eu não quero fazer isso. Olhei para aquele cabelo lindo e falei, isso é uma crueldade. Não vou deixar que raspem sua cabeça. Vou dar um jeito", disse Aguinaldo para o canal de Matheus Mazzafera em setembro.

"Quero colocar Marina num potinho"

Arquivo pessoal
Narjara Turetta elogia Marina Ruy Barbosa, que ela conheceu na infância após ser apresentada pela mãe da então estrela-mirim Imagem: Arquivo pessoal
Os passos de Marina Ruy Barbosa já cruzaram com os Narjara Turetta, que assim como ela começou muito cedo na profissão na novela "Papai Coração", da TV Tupi (1976).

As duas tiveram a chance de contracenar como mãe e filha em "Morde & Assopra" (2011), quando Marina começava a se firmar como atriz, mas essa história entre elas começou alguns anos antes. Narjara conta que conheceu Marina quando ela ainda era criança em uma premiação e despontava como uma revelação. A mãe da pequena foi quem a apresentou para atriz veterana.

"Eu estava fora da TV, vendendo água de coco, quando ela [a mãe de Marina Ruy Barbosa] se aproximou de mim e pediu uma foto. Ela falou para a filha, 'você não a conhece, mas mamãe é fã dela'. Olhei para ela e disse, 'quem sabe um dia a gente não faz mãe e filha numa novela?'", diz.

Narjara se enche de orgulho ao dizer que Marina foi sua primeira filha na ficção. Ela afirma que até hoje guarda na memória uma frase que aprendeu com a colega de profissão, por quem diz ter grande admiração.

"Ela me falou, 'tenho vontade de colocar você num potinho'. E explicou que as pessoas falam isso quando gostam muito de alguém. Eu hoje digo que tenho vontade de colocar a Marina num potinho porque ela é adorável. Uma graça de pessoa. É muito talentosa, focada e, também, muito engraçada. É uma palhaça nos bastidores", elogiou.

Zona de conforto? "Não quero ficar parada"

Divulgação/Globo
Bruno Gagliasso e Marina Ruy Barbosa em cena de "O Sétimo Guardião" Imagem: Divulgação/Globo
 

Atores, autores e colegas de trabalho de Marina no geral a definem como uma pessoa extremamente dedicada. Aguinaldo Silva, que diz ter escrito a protagonista Luz, de "O Sétimo Guardião", especialmente para Marina, é um dos que admira a competência da atriz.

"O que mais me impressiona em Marina é que ela é uma das atrizes mais focadas no trabalho que conheço. E não estou falando de jovens atrizes, mas de profissionais de qualquer idade. Ela estuda, pesquisa, pergunta... Prevejo para ela uma grande e longa carreira", declara.

Bruno Gagliasso faz par com a amiga no cinema, na publicidade e, agora, na novela recém-lançada. Para ele, a química do casal na novela e no cinema é resultado de cumplicidade: "Quando você tem intimidade e se reconhece no olhar do outro em cena isso só faz você crescer como ator e ser humano. Antes de fazer o filme ['Todas as Canções de Amor'] já fazíamos campanha juntos. Já nos conhecíamos antes disso. Isso também te faz se cobrar mais para fazer algo diferente".

Marina, que somente aos 23 anos decidiu fazer cinema, disse ao UOL que a inquietude é o que a move: "Nunca me senti incomodada por ter uma carreira que foi construída na televisão. Mas como atriz eu me sinto inquieta de buscar coisas que sejam diferentes".

"Isso vai ser a vida inteira. Amo atuar. Acho que vou ter sempre um frio na barriga quando for estrear. Isso é o combustível para nós atores sairmos da zona de conforto. Não quero ficar parada. Eu quero me arriscar. Estou buscando isso e o meu lugar no mundo como mulher, atriz e cidadã", declara ela.