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"Brasil tem uma dívida com as populações negra e indígena", diz Zezé Motta

Zezé Motta - Divulgação/Raquel Cunha/Globo
Zezé Motta Imagem: Divulgação/Raquel Cunha/Globo

Rodrigo Soares

Colaboração para o UOL

20/11/2018 14h51

Nesta terça-feira (20), Dia da Consciência Negra, a atriz e cantora Zezé Motta fez um desabafo em sua conta no Instagram sobre as necessidade de se lutar pela plena igualdade de direitos entre todos.

"Quando sai uma lei a favor dos negros, fica todo mundo dizendo que é paternalismo, mas esquecem onde estão os negros: nas prisões, nas favelas, morando em encostas. Na verdade, o erro vem desde a abolição, quando abriram as portas das senzalas sem ter um programa para que essas pessoas tivessem uma vida digna. Os negros, então, ficaram sem casa, comida e cultura. Uma coisa perversa. O Brasil tem uma dívida com as populações negra e indígena", desabafou ela.

Em outro momento, Zezé lembrou que já viu situações em que negros e negras enfrentaram dificuldades para atuar.

"Sou do tempo que em novela tinha apenas dois ou três atores negros, que faziam sempre papéis subalternos. O problema não era fazer empregados, mas é que esses personagens viviam a reboque. Essa era a questão, não tinham uma história própria, estavam a serviço de outros personagens. Então, se a gente faz uma comparação, vamos ver que houve avanços, mas ainda somos poucos em muitos departamentos", lamentou.

Ela concluiu lembrando a importância da data é que esta é uma batalha de toda a sociedade. "Uma coisa importante é esta questão de que não é um problema apenas de negros, mas de amarelos e brancos etc. também. Esta não é mais uma preocupação apenas dos negros. Temos muitos aliados brancos conscientes de que tem mudar esta mentalidade. Hoje os produtores estão preocupados em fazer famílias inteiras negras. Ter consciência é refletir sobre isto. Este dia é para reflexão. E também para se questionar. Me lembro de ter visto uma matéria que perguntava 'qual a cor do seu racismo?' Se cada um parar para refletir a realidade do negro verá que não é apenas esta de que ele veio da África como escravo porque lá eles eram filhos de reis e rainhas", finalizou.

Sou uma das fundadoras do Movimento Negro Unificado, no início dos anos 70, e desde então, houveram alguns avanços, embora a gente tenha muita luta pela frente. Sou do tempo que em novela tinha apenas dois ou três atores negros, que faziam sempre papéis subalternos. O problema não era fazer empregados, mas é que esses personagens viviam a reboque. Essa era a questão, não tinham uma história própria, estavam a serviço de outros personagens. Então, se a gente faz uma comparação, vamos ver que houve avanços, mas ainda somos poucos em muitos departamentos. Há questões no Brasil que não funcionam por erros básicos. A começar pela legislação, que é falha. Quando sai uma lei a favor dos negros, fica todo mundo dizendo que é paternalismo, mas esquecem onde estão os negros: nas prisões, nas favelas, morando em encostas. Na verdade, o erro vem desde a abolição, quando abriram as portas das senzalas sem ter um programa para que essas pessoas tivessem uma vida digna. Os negros, então, ficaram sem casa, comida e cultura. Uma coisa perversa. O Brasil tem uma dívida com as populações negra e indígena. Estamos no dia da Consciência Negra! Um dia para refletir. Uma coisa importante é esta questão de que não é um problema apenas de negros, mas de amarelos e brancos etc. também. Esta não é mais uma preocupação apenas dos negros. Temos muitos aliados brancos conscientes de que tem mudar esta mentalidade. Hoje os produtores estão preocupados em fazer famílias inteiras negras. Ter #consciência é #refletir sobre isto. Este dia é para reflexão. E também para se questionar. Me lembro de ter visto uma matéria que perguntava “qual a cor do seu racismo?” Se cada um parar para refletir a realidade do negro verá que não é apenas esta de que ele veio da África como escravo porque lá eles eram filhos de reis e rainhas.

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