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"As pessoas me veem no teatro", diz Mel Lisboa, há 10 anos fora da Globo

João Cotta/Globo
Mel Lisboa interpreta Rita Lee em "Elis - Viver é Melhor que Sonhar" Imagem: João Cotta/Globo

Carolina Farias

Do UOL, no Rio

06/12/2018 04h00

Fora das novelas da Globo desde 2007, Mel Lisboa voltará a marcar presença na emissora na minissérie "Elis - Viver é Melhor que Sonhar", uma mistura do filme "Elis", de 2015, com material documental e cenas inéditas, gravadas especialmente para essa versão televisiva. Mel faz um papel que não é novidade em sua carreira: a cantora Rita Lee.

Com estreia prevista para dia 8 de janeiro, a produção vai mostrar um momento emblemático: a visita que Elis faz a Rita na prisão, em 1976.

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Imagem: João Cotta/Globo
"Não havia sentido apenas fatiarmos o filme e entregar os quatro capítulos. Escrevemos cenas novas, sequências, como o encontro com a Rita Lee, brilhantemente feita pela Mel. Elas não se conheciam. Foi muita coragem da Elis entrar em uma delegacia pedindo satisfação em um momento que ninguém queria entrar em uma delegacia", contou o diretor Hugo Prata. 

Mel interpretou a roqueira de de 2014 a 2016 no musical "Rita Lee Mora ao Lado", papel que lhe rendeu prêmios e até homenagem da própria cantora. Diferente dos palcos, a atriz teve que recorrer a "outra" Rita, com uma energia mais pesada que o momento em que a cantora passou exigia.

"Foi um processo de reviver, porém, sabendo que seria diferente. É como se fosse a 'minha' Rita de outro ponto de vista. Tive que estudar de novo porque não era a Rita do palco, brincalhona, debochada. Ela está em situação de risco, grávida, presa injustamente porque plantaram droga na casa dela em plena ditadura. E, de repente, entra um ídolo, que ela não conhecia, para falar que ela não podia ficar presa", disse Mel.

Mesmo após 17 anos, o público ainda se lembra de Mel como a ninfeta da bombástica minissérie "Presença de Anita", sua estreia na televisão.

Divulgação
Imagem: Divulgação
"TV tem um público muito grande, não dá para comparar com teatro. É um papel que ficou marcado, as pessoas lembram. É diferente se for olhar a classe artística de São Paulo, do teatro. As pessoas me veem no teatro, não dá para comparar", diz a atriz, que trilha carreira sólida nos palcos. Ela integra o grupo Cia. Pessoal do Faroeste, em São Paulo.

Atualmente, ela está em cartaz, no Rio, com a peça "Dogville", uma adaptação para os palcos do filme de Lars von Trier. O espetáculo fará temporada em São Paulo, no ano que vem. Por conta do trabalho no teatro, Mel sente dificuldade em voltar a fazer novelas.

"Às vezes não é questão de escolha. Moro em São Paulo, faço muito teatro, às vezes não tenho data. Já tive situação de ter convite e não conseguir fazer [novela]. A série, pelo formato, é mais curta, consegue encaixar melhor nos trabalhos. Novela é longa, toma muito tempo, tem que reservar o ano inteiro. Mas tenho vontade de voltar [a fazer TV]."

Na Globo, Mel ficou até 2008 e sua participação mais recente foi na série "Casos e Acasos", em 2008. Em novelas seu último papel foi Carla, em "Sete Pecados", de 2007. De 2011 a 2015, atuou na Record em produções como "Sansão e Dalila" e "Os Dez Mandamentos". Uma volta à Globo não está descartada.

"Não depende só de mim, mas, claro, pode acontecer", afirmou Mel, que ainda neste ano pode ser vista no canal pago Space, na série "Pacto de Sangue". No ano que vem, ela estará em "Coisa Mais Linda", da Netflix.