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Atriz trans de "Carcereiros" muda certidão de nascimento: "Sigo viva"

A atriz Wallie Ruy interpreta Sheila na série "Carcereiros", da Globo - Reprodução/TV Globo
A atriz Wallie Ruy interpreta Sheila na série "Carcereiros", da Globo Imagem: Reprodução/TV Globo

Paulo Pacheco

Do UOL, em São Paulo

08/05/2019 18h23

A atriz Wallie Ruy, da série "Carcereiros", comemorou a realização de um sonho. Ela conseguiu alterar a certidão de nascimento e oficializou seu nome social nos documentos. A artista transgênero se apresentava pelo nome de batismo, Wallace.

"Eu, WALLIE RUY. Sexo FEMININO. Sigo viva sambando sobre os escombros. Na luta que a gente se encontra", celebrou a atriz em seu perfil no Instagram. Ao UOL, Wallie admite que a certidão de nascimento é apenas uma formalidade, porque não faz diminuir o preconceito das pessoas contra a população LGBTQ+.

"O documento faz o Estado me reconhecer com o gênero que me identifico. Meu sexo é feminino. Mas as pessoas que discriminam a população transvestigênere [nomenclatura para travestis e transgêneros] vão continuar tratando no masculino por maldade, crueldade, ignorância, por não querer compreender. Eu continuo morrendo. Minha expectativa de vida continua sendo 35 anos, 90% da minha população continua indo para a prostituição", alerta.

Em "Carcereiros", Wallie interpretou Sheila, irmã de Érika (Letícia Sabatella), na segunda temporada da série, atualmente em exibição na Globo. A atriz e performer também participou da série "Me Chama de Bruna", do canal pago Fox Premium, e do clipe "Vai Malandra", de Anitta.

Até o ano que vem, Wallie engatará três produções na Netflix, um curta-metragem e uma série no Canal Brasil. Para ela, o mercado audiovisual para transgêneros continua fechado, mesmo após o sucesso de atrizes como Maria Clara Spinelli ("A Força do Querer") e Gabriela Loran ("Malhação").

"Minha capacidade de atuação é colocada em xeque, porque sou chamada para interpretar só trans, nunca uma mulher cisgênero. Somos sempre colocadas em segundo plano, nossas histórias só importam quando causam dor. Nossa narrativa ainda é solitária. É necessário ocuparmos todas as posições para que se naturalize nossa presença nesses espaços. É importante estarmos atrás das câmeras. Também quero uma roteirista travesti, um câmera trans, quero a gente na direção de arte, na produção executiva, em todos os lugares."

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