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Ex-integrante de reality, pastor Pedrão fará casamento de Eduardo Bolsonaro

Pastor Pedrão durante culto na Igreja Batista do Rio - Reprodução/Instagram
Pastor Pedrão durante culto na Igreja Batista do Rio Imagem: Reprodução/Instagram

Carolina Farias

Do UOL, no Rio

24/05/2019 04h00

Ex-participante de "No Limite", primeiro reality show da Globo, Pedro Luís Barreto Litwinczuk se tornou um pastor celebridade. Pregador da Igreja Batista do Rio, na Barra da Tijuca, o pastor Pedrão faz o estilo despojado, no modo de se vestir e falar, e conquistou fiéis da zona oeste carioca, entre eles, membros da família Bolsonaro. Amanhã, ele vai celebrar o casamento religioso do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) com a psicóloga Heloisa Wolf em Santa Teresa, região central do Rio.

Quem procurou Pedrão foi a mãe do parlamentar, Rogéria Bolsonaro, que conheceu a igreja por meio de um amigo e gostou do jeitão do pastor de 53 anos, que já realizou cerca de 200 casamentos em seu 15 anos de trabalho.

"O Bolsonaro podia não ter ganho as eleições e seria só mais um casamento. Já estava acertado antes. Não teria a repercussão que terá pois agora é o filho do presidente. É bonito o casal deixar a cargo da mãe escolher o pastor. Ela disse que ele pediu um pastor descolado, e não um cara chato, careta. O casal foi até a igreja para me conhecer, batemos um papo. Ele foi muito gentil, me deixou à vontade, para falar o tempo que quiser", disse o pastor sobre a cerimônia.

Em sua página no Facebook a igreja em que Pedrão trabalha se define com "estilo de culto contemporâneo", o que a difere das demais igrejas Batistas.

"A Igreja Batista é chamada de uma das igrejas históricas, com um culto mais formal, com pastor de terno, uma linguajar. Nossa igreja é contemporânea porque deixamos as pessoas à vontade. Os ritmos das músicas são como as que se ouve na rádio. Procuro trazer a palavra que o cara entenda. Temos juiz, deputado, empresário, mas tem porteiro, caseiro. Quero pregar para o desembargador se sentir satisfeito e que porteiro me entenda."

O pastor também exibe um estilo mais casual nos trajes: no lugar do terno e gravata, jeans, tênis e camiseta.

Ele sim

O pastor garante que tem entre seus cerca de 2.000 fiéis que frequentam a igreja na Barra pessoas de posições políticas diversas. Ele afirma que votou em Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais, mas que não levou isso para suas pregações.

"Tenho meu ponto de vista político, mas sei separar as coisas porque preciso respeitar a opinião das pessoas. Tenho na igreja pessoas de extrema esquerda e extrema direita. Eu votei no Bolsonaro. Não sou aquele pastor em cima do muro, mas não falei no púlpito porque é ilegal", contou Pedrão, que afirmou que além de Eduardo, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), irmão mais velho do noivo, também já esteve em sua igreja, porém, sem alarde.

"A ética diz é que se deve apresentar as autoridades presentes. Falei que queria agradecer Eduardo e Heloisa, [mas os fiéis] nem souberam que era um Bolsonaro na igreja. Todo mundo é igual perante Deus. Mesma coisa quando o Flávio esteve lá. Não chamo o cara na frente. Não orei, para não fazer exposição."

Defensor da família, o pastor disse que votou no ex-capitão do Exército por acreditar no que ele diz defender.

"Meu posicionamento é por causa da tríade que Bolsonaro defende que são os valores familiares, questão da segurança, e o combate à corrupção, que sempre existiu, mas tomou uma proporção endêmica. Nisso estou fechado com ele."

"No Limite"

Pedrão participou da terceira edição do reality show, o primeiro feito pela Globo, no qual os participantes ficavam expostos às condições hostis da natureza, além de terem de cumprir provas que exigiam resistência física e psicológica. O "No Limite" teve uma temporada em 2000, duas em 2001 e a última em 2009.

O interesse da produção do programa em Pedrão ocorreu exatamente pelo fato de, na época, ele já ser pastor.

"Queriam um evangélico. Fiz o processo seletivo que é bem rigoroso. Fomos para a Ilha de Marajó [Pará]. Chegamos saltando de paraquedas. Foram oito competidores e saí na metade. Eram os participantes que eliminavam quem pudesse ser ameaça. Todos têm a curiosidade sobre como sobreviveria em condições adversas. Dormir no chão, se virar para pegar um porco. Comi testículo de búfalo, olho de cabra e pular de paraquedas foi dose. Ficar longe da família também é ruim", lembrou o pastor.

Quando foi anunciada a seleção de participantes, Pedrão disse ter sido criticado até começar o reality.

"Como eu era evangélico, fui detonado. 'Isso não é lugar de crente', diziam. Mas depois viram que eu era sério, lia minha Bíblia. Não tento impor minhas ideias, parto do princípio do respeito. Não tive nenhum contratempo. Formaram o grupo para ser de intriga por questões religiosas. Colocaram umbandista, espírita, budista, ateu. Mas todo mundo ficou 'brother', não teve esse tipo de conflito."

Encarar o "No Limite" para Pedrão, apesar dos perrengues, não foi difícil pela experiência que ele havia passado anos antes.

"'No Limite' era para ser uma sofrência e acabou sendo uma Disneylândia. Em 1991, fiquei 21 dias na mão de sequestradores. Ficar 20 dias no meio do mato foi bem mais tranquilo", contou o pastor, que se apegou na fé para superar a experiência.

"Você pensa que vai morrer o tempo todo. Minha esposa estava grávida de oito meses do meu terceiro filho. Não era pastor, era cristão. Aí é que papai do céu faz toda diferença, te ajuda a conseguir equilíbrio e paz que o mundo não pode dar. Saímos de lá sem traumas maiores ou depressão", explicou Pedro que foi sequestrado com a irmã Sônia Cristina.

"Ali, Deus mexeu muito com meus valores. Queria trabalhar, ganhar dinheiro, aí de repente que isso não fazia menor diferença, em um minuto a vida muda."

Hoje, além de trabalhar na igreja, Pedrão se dedica a ajudar a mulher Marisa Litwinczuk, de 52 anos, em sua recuperação. Há três anos e meio ela ficou debilitada após tirar um tumor do cérebro e contrair uma meningite por infecção hospitalar.

"Ela voltou para casa um bebê, não falava, não ria, não bebia, não comia, não sentava, zerou cognitivamente. Quem cuida dela sou eu. Sou como um personal, o tempo todo corrigindo. 80% do meu tempo é dedicado a ela."