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Mariana Santos diz sofrer crises de pânico: "São pequenas mortes"

A atriz Mariana Santos relata sofrer com crises de pânico - Reprodução/Instagram
A atriz Mariana Santos relata sofrer com crises de pânico Imagem: Reprodução/Instagram

Marcela Ribeiro

Do UOL, no Rio

30/07/2019 12h34

Aos 42 anos, Mariana Santos está acostumada a divertir o público em cenas de humor na TV. No Zorra Total, ela atuou por quase dez anos, no Amor & Sexo foi comentarista por seis anos e agora está no ar na atual temporada de Malhação. Pela televisão, parece que ela está sempre feliz e de bem com a vida, mas nem sempre é assim.

"Vou fazer 43, comecei a viver agora depois dos 35. A gente tem que começar a viver, não importa a idade", contou ela nos bastidores de Malhação, nos estúdios Globo, no Rio. A atriz diz que sofre de crises de pânico e ansiedade há muitos anos. E, por um longo período precisou da companhia da mãe para conseguir se deslocar para set de gravações e até peças de teatro.

Nesta sexta-feira (2), ela estreia no Teatro dos Quatro, no Shopping da Gávea, zona sul do Rio, a peça Só de Amor, que escreveu com trechos inspirados em sua vida. A peça fala de uma cantora, que está em show muito especial da vida dela e algo sai errado. O público descobre que ela está no meio de uma crise de pânico.

"Sofro com isso a vida inteira, trabalho com isso uma vida inteira e consigo, graças a Deus, conviver com isso. Tenho pânico de túnel. Elevador, fiquei sem andar um tempão, marcava médico em andar baixo. Moro em São Paulo, pensa em minha vida como era? Odeio ônibus, estrada... Só sabe quem tem e ninguém é anormal por ter isso. Hoje eu trabalho com a minha ansiedade, se ela vier, deixo ela vir e vou trabalhando com ela, sou muito positiva."

Mariana conta que só depois dos 30 anos se deu conta que precisava cuidar de si sozinha e "libertou" a mãe.

"Hoje sou independente, viajo sozinha, ando sozinha de avião. Depois dos 30 anos que comecei a me cuidar melhor e falei: 'Chega'. Procurei uma psiquiatra e ela me tratou com medicação. Estou livre da medicação, de vez em quando recorro a ela sim, porque tem altos e baixos. Não tem cura, você vai se auto conhecendo. Não tem que ter vergonha e medo de medicação", explica.

As crises da atriz estão relacionadas a deslocamentos. Ela relata ter dificuldade de circular em lugares fechados e conta como reage quando tem crises.

"Quando você chega em qualquer lugar ou quando você tem uma crise de pânico no caminho, é uma sensação de vitória. Quando você passa calma o trajeto, você fala: 'Nossa, que bom'. Quando você sofre durante o trajeto é horrível porque são pequenas mortes. Quando você sofre muito é a sensação de pequenas perdas que você tem durante essas etapas", explica.

Mariana começou a fazer terapia bem nova, aos 7 anos, quando os pais começaram a observar que ela dava indícios de ansiedade dentro do carro, por exemplo.

"Me boicotei durante muitos anos da minha vida porque é mais fácil ficar quieta em casa. Mas a vontade de trabalhar era grande, então várias vezes chegava, pisava aqui e melhorava, no teatro também. Minha mãe me acompanhava sempre porque não conseguia andar sozinha na rua, então ela ia comigo. Sempre dava desculpa, falava que eu e minha mãe adorávamos andar juntas. Ela ia comigo porque não conseguia dar um passo sozinha."

Com o tratamento, a atriz aprendeu a ter mais controle das crises, mas admite que está ansiosa ao saber que precisará pegar um túnel do flat onde está hospedada, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, para a Gávea, onde encenará sua peça.

"Já estou pensando sexta-feira como vai ser o trajeto para pegar um túnel. Metrô eu fujo um pouco, é muito ruim", diz ela, que conta os artifícios que usa para se acalmar. "Música, respiração, pensamentos positivos... Parece ridículo, mas é muito forte. Falar disso também ajuda muito", diz.

Quando começou a falar abertamente sobre o que aumenta sua ansiedade, Mariana sentiu um alívio. "Eu não ando na parte de trás do carro, sempre ando na frente. Quando comecei a falar para as pessoas que me davam carona que não conseguia ir atrás e pedia para ir na frente, quando comecei a assumir isso, comecei a me sentir melhor. A gente às vezes guarda muito pra gente, porque é difícil falar, as pessoas não entendem."

O avião era um problema quando a atriz passou a ter coragem de viajar sozinha.

"Pedia a mão das pessoas no voo, fui acostumando, hoje em dia faço na boa. Até que um dia veio uma mão mole para mim, uma mão sem energia, falei: 'Não quero nunca mais' [porque] não adiantou nada. Pedia as mãos, eram ótimas, teve um dia, o cara com uma cara de c* pra mim, peguei na mão dele e falei: 'Não quero isso não'. Aprendi que podia ir sozinha sem a mão de ninguém", conta ela, bem-humorada.