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Fernanda Montenegro cita Lei Rouanet e ironiza "culpa sempre do ator"

Fernanda Montenegro no Conversa com Bial - Fabio Rocha/Globo/Divulgação
Fernanda Montenegro no Conversa com Bial Imagem: Fabio Rocha/Globo/Divulgação

Do UOL, em São Paulo

04/10/2019 06h37

Fernanda Montenegro reviu as memórias de seus 90 anos em entrevista ao Conversa com Bial de ontem. Divulgando a autobiografia Prólogo, Ato, Epílogo, a atriz comentou o momento que os atores vivem atualmente, acusados de se beneficiar da Lei Rouanet.

"A história política nossa é inesperada e às vezes agressiva, ligada a uma censura política, ideológica, religiosa. Nós somos tão poderosos que, quando tem crises com a cultura, quem leva sempre a culpa é sempre o ator, a atriz. E nessa crise toda nossa da Lei Rouanet, a culpa sobrou pros atores, e não tem nada a ver com a gente. Estamos vivendo isso agora. Talvez pelo medo da liberdade de expressão. Sem liberdade de expressão, não há arte nenhuma", analisa.

Ela se emocionou ao recordar a resistência dos pais a aceitar sua profissão. "Lá pelas tantas, eles entenderam. Eu tinha o teatro como ofício e isso nunca deixou de existir. Ser atriz é uma vocação, se você não fizer isso, simplesmente morre".

Fernanda Montenegro ainda brincou com a vida que leva aos 90 anos. "Herdei a sorte de não estar gagá".

Outro momento que a deixou com a voz embargada foi falar de pessoas queridas que se foram, como o marido, o ator e diretor Fernando Torres, falecido em 2008. "Fernando foi o responsável pela felicidade diante da minha vocação de ser atriz. Nunca tive impedimentos, nada. Se tinha ciúme, inveja, não percebia. Ele era um companheiro tão, ou até mais, vocacionado do que eu".

Nelson Rodriguez e Millôr Fernandes também foram lembrados. "Esses homens fazem falta. Mesmo com uma censura horrenda a gente se expressava".

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