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Léo Lins se diz contra bullying e lembra crítica de global por zoar Chape

O humorista Léo Lins no programa Pânico, da rádio Jovem Pan - Reprodução/YouTube/Pânico
O humorista Léo Lins no programa Pânico, da rádio Jovem Pan Imagem: Reprodução/YouTube/Pânico

Colaboração para o UOL

06/11/2019 17h28

O comediante Léo Lins participou nesta quarta-feira (6) do programa Pânico, da Rádio Jovem Pan, e debateu com os participantes os limites do humor e dos insultos.

"Nem humor, nem insulto têm limite. O limite está de acordo com o local onde está acontecendo. Aqui [no programa] a gente tem um limite. Em um programa de televisão à meia-noite, uma da manhã, o limite é maior. No teatro, é ainda maior. Consome quem quer. Quem vai no meu show, sabe que vai ter sangue", disse o humorista.

Léo Lins citou como exemplo um caso que aconteceu com ele mesmo após fazer uma piada em referência ao acidente com o avião que transportava a delegação da Chapecoense, em novembro de 2016, que deixou 71 mortos na Colômbia.

"Fiz a piada muito tempo depois do acidente. O filho de um apresentador da Globo fez uma crítica [Pedro Rocha, filho de Fernando Rocha], um vídeo. Vieram pessoas me xingar. Saiu nota em todos os lugares.[?] Aí ele falou que queria ver eu ir na praça em homenagem aos jogadores fazer essa piada. Eu nunca vou fazer isso. Se eu fizer, eu sou um completo escroto, um completo babaca. É contexto, fiz a piada em um palco de humor."

O comediante também se referiu aos discursos militantes que buscam censurar maneiras de se fazer humor. Para ele, em um ambiente social polarizado, o importante é que o público tenha acesso a todo tipo de piada para que possa escolher a que traz riso: "Humor pode ter partido, o problema é querer que só se tenha isso. Tem que ter humor de esquerda, de direita, humor negro, humor bobo, tem que ter de tudo. Esse é o ambiente democrático e o consumidor vai consumir o que quiser. O problema é quando você quer extinguir um tipo de humor".

Caso de agressão

Em tom de piada, Léo Lins relembrou o dia em que foi agredido em 2016, em uma rua de São Paulo: "Eu estava andando na rua, um cara me chamou num bar, e, de repente, do nada, tomei uma paulada na nuca. A coisa está tão extrema que eu pensei que era uma zoeira. [?] E o mais irônico é que esse cara me agrediu com uma placa em que estava escrito 'não vai ter golpe'".

O caso resultou em um processo movido pelo comediante contra o agressor. Mesmo assim, Léo quase desistiu de mover a ação: "Confesso que no dia da primeira audiência eu fiquei até mal. Ele [o agressor] estava com cara de cachorro arrependido, com o rabo entre as pernas. Pensei: 'Se ele vier falar comigo, eu vou deixar isso pra lá'. Mas ele não falou, só o vi de novo na segunda audiência, então eu toquei em frente", contou.

O Livro dos Insultos

Léo Lins aproveitou para divulgar sua nova publicação, intitulada O Livro dos Insultos, que tem como proposta inspirar as pessoas a se insultarem de forma bem-humorada.

"Passei anos me dedicando a esse livro. E a ideia não era falar só de magro, gordo, velho... Fiz um estudo completo, para as pessoas se insultarem com relação tudo, qualquer característica, qualquer parte do corpo. E vai ter a parte dois [do livro], que vou falar sobre humor negro."

"Meu filtro é ser engraçado. Se eu pensar que alguém vai se ofender, não faço nenhuma piada. Claro que bullying, agressão física, é óbvio que sou contra. No meu show, tem um momento que eu convido pessoas a subir no palco e vou zoando. Só sobe quem quer, eu não obrigo ninguém a subir. Se a pessoa está lá, ela entende que é piada e está dando permissão para isso", encerrou.

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