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Consciência Negra: Famosos dizem como avançar no debate para além da data

Erika Januza, Érico Brás e Gaby Amarantos - Montagem/UOL
Erika Januza, Érico Brás e Gaby Amarantos Imagem: Montagem/UOL

Felipe Pinheiro e Paulo Pacheco

Do UOL, em São Paulo

20/11/2019 04h00

Resumo da notícia

  • O Dia da Consciência Negra promove a reflexão do passado escravocrata brasileiro e suas consequências ainda hoje
  • O UOL conversou com personalidades negras do entretenimento e do jornalismo sobre representatividade
  • Eles apontam avanços, mas também expõem o racismo velado e defendem expandir o debate além da data
  • "Não dá para a televisão produzir uma Taís Araújo e um Lázaro Ramos a cada dez anos e achar que estamos representados", diz Paulo Vieira

O Dia da Consciência Negra, comemorado hoje (20), promove a reflexão do passado escravocrata brasileiro e celebra o orgulho das origens africanas na população, formada por 55,8% de negros, segundo o IBGE.

No aniversário de morte de Zumbi dos Palmares, um dos principais líderes da luta contra a escravidão no Brasil colonial, o UOL conversou com famosos e personalidades negras do entretenimento e do jornalismo.

Eles apontaram avanços, falaram sobre representatividade, mas também expuseram o racismo velado da sociedade e trataram da necessidade de se expandir o debate para além da data oficializada em 2011.

Reprodução/Instagram
Imagem: Reprodução/Instagram

Erika Januza, atriz

"O negro está começando a se ver nas novelas, nos filmes, na publicidade. As marcas, empresas e canais estão entendendo que as pessoas querem se ver representadas, e não adianta mais colocar uma pessoa e achar que está cumprida a missão. Estão entendendo que o brasileiro quer se ver de fato, e somos a maior parte dos brasileiros no país. Estou vendo uma melhora muito grande. O 20 de novembro é uma data para se lembrar, um marco importante na luta negra, mas penso que não deve ser simplesmente 'vamos aqui falar sobre isso no 20 de novembro'. A questão racial, como a questão do preconceito em geral, tem que ser tratada todos os dias e não só pelos negros, mas por todos aqueles que são contra o racismo e o preconceito. Parece que hoje as pessoas estão se sentindo mais livres para agredir o outro. Quanto mais a gente fala sobre o assunto, mais ignoram. A importância da discussão é que as pessoas abram a mente e entendam que é crime, que um dia isso deixe de ser discussão e as pessoas entendam que se trata de respeito ao outro, seja negro, homossexual, de outro lugar ou de outra religião. Precisamos bater nessa tecla sempre. Quando pensamos que estamos progredindo, vem mais um caso de racismo. E esses são os que vemos na mídia, tem os que não são notícia e pelos quais muitas pessoas passam nas ruas. O genocídio do jovem negro, que sempre foi grande, só aumenta. O negro está sempre à margem da sociedade, e está na hora de mudar isso. Não é uma causa só dos negros. Levar para além de 20 de novembro é também os governantes olharem com esses olhos para isso e estimular esse respeito. Se é crime, vamos agir para punir. Tem que observar de forma mais firme essa falta de respeito com o outro para que um dia isso pare, não regrida, para que as pessoas não achem que têm o direito de fazer e ficar impunes".

Victor Pollak/Globo
Imagem: Victor Pollak/Globo

Érico Brás, humorista e apresentador

"A gente sabe que avançar mais um pouco é necessário, e quando digo avançar não é só na quantidade de negros na frente da tela comandando os programas, mas também nos assuntos que devem ser abordados. Os assuntos geralmente não contemplam também a nossa realidade, a realidade do negro brasileiro. Óbvio que existe uma preocupação da televisão de atingir e satisfazer as necessidades e vontades desse público, mas é necessário atentar para a pauta diária do povo negro, que não precisa e não pode estar só nas pautas policiais nem no esporte, até porque fazemos parte da sociedade brasileira e temos muita história para contar. Acho que podemos ampliar a discussão, não só no âmbito da televisão e das mídias, mas também nas escolas, nos espaços religiosos, nos espaços da família. Acho que se a gente precisa ampliar a discussão da consciência negra, do que é ser negro no Brasil. Se a gente começar a entender um pouco mais da nossa história enquanto pedra fundamental na construção desse país, pode diminuir muito a discriminação racial no Brasil e ajudar as pessoas a se aceitarem. Muita gente não se aceita negro no Brasil e isso é um fator que tem prejudicado muito quando se trata de conscientização".

Rafael Roncato/UOL
Imagem: Rafael Roncato/UOL

Gaby Amarantos, cantora

"Eu vejo que a gente está caminhando em relação à questão da representatividade, mas a gente precisa acelerar mais esses passos e os espaços para que a gente possa ocupar, porque a gente tem um país onde 54% da população é negra. A gente está discutindo hoje no Brasil a questão de raça, de muitas pessoas que não se consideravam negras ou que não se enxergavam negras porque a gente vive em uma sociedade que embranquece as pessoas, e hoje elas percebem que são, então acho que esse número vai aumentar. Para mim, o mais importante é que toda essa representatividade que a gente busca não aconteça só nesse período, porque parece que ficou só nesse mês e a gente tem o ano inteiro, tem os outros 11 meses. É quando a gente precisa ver essa representatividade e esses espaços continuarem a ser ocupados. Acredito que a gente tem que acelerar e expandir. Estou aqui para somar, para que isso realmente aconteça, para ficar atenta e sempre chamando a atenção da sociedade para essas questões".

Reprodução/Instagram/paulovieira.oficial
Imagem: Reprodução/Instagram/paulovieira.oficial

Paulo Vieira, humorista

"Na questão da representatividade na TV, ainda estamos no primeiro estágio, o negro da 'cota'. Em realities com jurados, há um negro. Em programas de debate, há um negro. Acho que estamos no estágio em que é vergonhoso não ter um negro no programa mas só se coloca um, que é o da 'cota'. Me preocupa, por exemplo, a representatividade na base. Com qual autoestima a criança negra está crescendo no país? E a maneira como a criança branca está vendo o negro é a mesma de 20 anos atrás. A criança branca acha que não existe negro no mundo, porque ela só vê o mundo branco na televisão, e a criança negra acha que não há espaço para ela porque todo mundo bem-sucedido na televisão é branco. Não existe outra maneira de ampliar esse debate da representatividade senão as TVs criarem outras celebridades negras, escalarem negros para o papel principal, para galã, para mocinha, para apresentar programas. A única maneira é tornando negros conhecidos do grande público, empoderando-os. Não dá para a televisão produzir uma Taís Araújo e um Lázaro Ramos a cada dez anos e achar que 'pronto, estamos representados'. Precisa ser uma produção de celebridades sistemática, constante. Quando falo isso, é porque a TV quem produz esses ícones. É a TV que escala, que dá poder. O audiovisual é muito branco, muito playboy, ainda temos uma visão muito zona sul do que é o Brasil, muito filhinho de papai. A única maneira de mudar isso é botar a câmera na mão do negro, o lápis na mão do negro para ele escrever uma cena, botando um negro na frente da câmera, é filmando esse negro e exibindo esse negro para um país negro se sentir representado.

Andy Santana/Divulgação
Imagem: Andy Santana/Divulgação

MC Soffia, cantora

"Desde a época em que eu era pequena até agora eu vejo que apareceu bastante (artistas negros), mas pode ter mais. O que falta é oportunidades em relação à música. No Brasil há mais diversidade, está mesclado, tem diversidade porque entraram os LGBTs cantando, muito bons, artistas famosos, há bastante mulheres e negros, negras, mas acho que deve existir mais porque somos a maioria e somos os que mais sofremos na sociedade. A representatividade, eu vendo uma jovem negra ou uma mulher negra cantando, é muito importante e muito inspirador. É importante avançar na discussão além de 20 de novembro porque somos negros todos os dias, lutamos todos os dias, vamos aos lugares e não podemos entrar por causa da nossa cor de pele. É um dia muito importante, porque nós lutamos para existir, mas deveria existir mais porque nós passamos por muitas coisas todos os dias".

Raquel Cunha/Globo
Imagem: Raquel Cunha/Globo

André Ramiro, ator

"O dia 20 de novembro, Dia de Zumbi, é uma data comemorativa para a gente relembrar e não esquecer, além da escravidão, do quanto o povo preto brasileiro lutou para conquistar o seu espaço na sociedade. A gente vê os reflexos disso nos tempos atuais. Já temos um pouco nas artes, a gente vê, por exemplo, a música preta, o funk, o hip-hop, mas também a música nordestina em ascensão no país. O hip-hop foi criminalizado durante muito tempo, sem ocupar o espaço do mainstream. Agora temos vários artistas, como Emicida, Baco Exu do Blues, Criolo e tantos outros tomando esse espaço e se tornando referências, porque além de serem grandes artistas são pessoas admiráveis e grandes líderes da cultura preta no país. São pessoas a serem ouvidas. É uma data para, principalmente, comemorar. É uma comemoração de que estamos vivos e unidos, e precisamos cada vez mais nos unir. É importante que tenhamos essa consciência para o nosso dia a dia, para a gente transmitir esse conhecimento para as próximas gerações. Ser Zumbi, ser Dandara, ser empoderado, ser consciente, ser digno é uma escolha de todos os dias para que a gente aja de uma forma que agregue valor, união, entendimento e acolhimento".

Reprodução/TV Globo
Imagem: Reprodução/TV Globo

Flávia Oliveira, jornalista

"Quero chamar atenção que toda vez que a gente fala sobre representatividade negra na mídia parece estarmos falando somente da presença de jornalistas negros, sobretudo no jornalismo de televisão, porque é absolutamente visível. No entanto, a representatividade, a diversidade pode alcançar outros aspectos, por exemplo, comentaristas e colunistas de jornal, os espaços de opinião nos jornais, na mídia impressa e mesmo nos sites ainda são predominantemente ocupados por pessoas brancas, principalmente homens brancos. O espaço de opinião é, obviamente, um território nobre para ajudar a compreender determinados pontos de vista e fazer o leitor, o espectador, o internauta formar sua própria opinião a partir dessa defesa de ideias. Outro ponto são as fontes. Falta diversidade nas pessoas que são entrevistadas como sendo, digamos assim, os construtores das opiniões, dos pontos de vista, das formulações. Ainda há um predomínio também de homens brancos entre as fontes, e isso empobrece muito o debate, a meu ver. Por fim, a própria representação dos personagens. Pessoas negras ainda estão confinadas a uma representação na mídia nos espaços mais de carência. Você tem muito mais negras ou crianças negras aparecendo em reportagens sobre falta de escola, falta de professor, falta de esgoto. Estamos muito mais presentes nos territórios das carências do que das potências ou da naturalização, por exemplo, da presença na classe média.

Band
Imagem: Band

Cynthia Martins, âncora de telejornal

"Sei que a minha presença em uma bancada de TV aberta é muito relevante sim, só que tem que ser mais do que isso. Acho que falta muito essa sensibilidade dos veículos de comunicação de colocarem o dedo na própria ferida e entenderem realmente que eles também fazem parte dessa mudança. Na verdade, os grandes veículos de comunicação são os que têm nas mãos a mudança. É preciso fazer essa autocrítica para que essa diversidade aumente. A gente fala especialmente da população negra, que é maioria no país e não tem essa representatividade nos principais cargos. A gente ainda vem mudando, obviamente. Estou aqui. Na minha geração, sou a segunda que teve curso superior. Isso já vem mudando bastante, mas ainda é muito necessário. Se a gente vai a um evento qualquer, a maioria das pessoas que estão servindo ou limpando banheiros é negra. Sou de família mais humilde, e quem vem de onde eu venho fica em uma situação um pouco estranha porque você não pertence mais ao ambiente de onde você veio, a periferia do Rio, no meu caso, e nunca vai se encaixar de fato às elites onde a gente circula depois que começa a transitar no universo do jornalismo profissional. É um limbo estranho que a gente se sente nessa trajetória de mobilidade social. O que a gente precisa fazer para ter a discussão para além do dia 20 de novembro é trazer mais profissionais, não só para bancadas, mas para as redações, para a edição, para a arte dos jornais, para escrever, para a chefia, principalmente, porque a gente propõe pautas e elas simplesmente não passam porque parece que há um medo de se olhar no espelho".

Estefano pode ser visto atualmente em MasterChef - A Revanche, na Band - Reprodução/Instagram
Estefano pode ser visto atualmente em MasterChef - A Revanche, na Band
Imagem: Reprodução/Instagram

Estefano Zaquini, cozinheiro

"Tive a experiência de ter um chef de cozinha que era negro. Como em qualquer outro lugar, acho que na cozinha também existem pessoas preconceituosas, mas a cor da pele não vai influenciar sobre ser bom cozinheiro. Hoje em dia tem muito mais chefs negros liderando cozinhas. A representatividade, tanto nos realities quanto nos restaurantes, aumentou muito. E para avançar mais não podemos recuar. Temos que ir à frente nos colocando nos lugares, em programas de TV, restaurantes... Acredito que nos enxergam de outra forma, mas ainda é preciso melhorar muito.

Nanda Faria/Divulgação
Imagem: Nanda Faria/Divulgação

Karin Hils, cantora e atriz

"Acho que nós evoluímos muito nos últimos tempos, até por uma mudança nesses tempos e uma certa pressão da sociedade para que haja essa correção, essa igualdade, mas ainda não é suficiente. Ainda temos um caminho longo a ser percorrido. Quando comecei minha carreira, tive de quebrar muitos tabus e até mesmo mentais, de autoestima, que não foi nada fácil. Algo que acho que vem trazendo de gerações e da criação, talvez uma família que não teve a oportunidade de reconhecer que seu lugar poderia ser outro e isso foi passado de pais para filhos. Ainda assim eu me sinto muito privilegiada quando vejo todo o caminho que percorri, no meio disso me sinto muito honrada, me considero uma referência e é um privilégio saber que embora eu não tivesse essa referência eu vou poder ser essa referência para crianças e outras mulheres de que se pode chegar sim aonde se quer. Ainda é preciso falar muito sobre o assunto, não apenas nessa data, que é muito importante a gente comemorar a Consciência Negra. Devemos denunciar, não devemos baixar a cabeça, devemos tomar consciência da realidade do racismo que é velado e institucional. Isso é fundamental. Só assim, a gente vai poder construir gerações mais conscientes e igualitárias. Apesar de todas as dificuldades, se existe uma outra vida, se eu tivesse a oportunidade de voltar para outra vida e escolher como ser, eu voltaria mulher e negra novamente".

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Taiguara Nazareth, ator

"Eu acredito que a representatividade está muito aquém do que podemos para um país de maioria negra. Está melhorando, mas é muito pouco em relação ao lugar que deveríamos estar. É patético, é menos que o mínimo, é pobre. É um sistema todo em um racismo, homofobia e machismo estruturais. Como avançar na discussão para além de 20 de novembro? Depende de quem detém o poder, quem manda, querer que a questão da negritude, da diferença de raça, da diferença de gênero, a diversidade faça parte. Quem detém o poder deve querer ter boa vontade. Não basta dizer que não é racista, é preciso ser antirracista. Qual movimento poderia fazer para contribuir para o não-racismo? Tendo esse poder, depois ele vai empregar negros, gays, transgêneros, nordestinos, enfim. Deveríamos nos mobilizar mais, mas a questão é tão estrutural e ferra a nossa cabeça e o coração e a alma desde tão cedo que fica até difícil um movimento contrário a isso. É uma coisa muito pulverizada, mas vamos unir forças porque somos a maioria, somos o poder, somos energia, somos potência. Desde quando era modelo, falavam que não colocava negro para anunciar bolacha porque não vende. É um absurdo justificar uma coisa dessa nos dias de hoje. Deveríamos boicotar marcas por causa de preconceitos. Sem violência, mas tem que ser agressivo nas ações. Não dá para ficar só nas palavras, até porque o povo mesmo não lê por não ter acesso, não tem a cultura de ler. Vamos para a guerra. Poder para o povo preto!".

Duda Pimenta interpreta Kessya na novela As Aventuras de Poliana, no SBT - Divulgação/SBT
Duda Pimenta interpreta Kessya na novela As Aventuras de Poliana, no SBT
Imagem: Divulgação/SBT

Duda Pimenta, atriz

Fico feliz que de fazer parte de uma geração que tem ao menos uma novela com um núcleo inteiro formado por artistas negros como As Aventuras de Poliana, além de Maju Coutinho à frente de um telejornal, o Érico Brás, Taís Araújo e a Iza apresentando programas. Vejo que temos diversidade, mas pode melhorar. Sou de uma geração que chega depois que muita gente já batalhou para que nós negros tenhamos espaço na televisão, no cinema, na publicidade... Tenho muito orgulho da minha cor, da minha origem, meu cabelo crespo. Já sofri bullying na escola uma vez quando uma menina falou que meu cabelo era ruim, igual ao dela, e cheguei em casa muito triste e recebi o apoio da minha família".

Loiá Fernandes
Imagem: Loiá Fernandes

Maria Gal, atriz

"Sobre a questão da representatividade na TV, infelizmente a gente ainda está muito aquém, considerando que temos mais de 54% da população negra e que não se reconhece na TV brasileira, muitas vezes até acha até que está na Dinamarca, na Suécia, menos no Brasil, justamente porque essa diversidade brasileira não está expressa nos programas, telenovelas, séries. Não dá para dizer que não melhorou. Obviamente não é igual a dez anos atrás, mas ainda é muito aquém, é uma lástima porque a gente perde, a economia perde, a cultura perde com tantas possibilidades de histórias mais diversas, de personagens mais diversos, e a gente fica muito restrito. É engraçado que muitas pessoas pessoas acham ruim: 'Ai, 20 de novembro, Consciência Negra para quê?'. Gente, são 364 dias para a consciência branca! Avançar para além do dia 20 é que todos esses 364 dias também a gente tenha uma reflexão, empatia a respeito da nossa diversidade e da importância do negro na sociedade brasileira. Se pensar que, indo além da TV, nos próprios cargos públicos, o judiciário, os cargos executivos nas grandes empresas, temos porcentagens ínfimas de negros ocupando esse tipo de cargo. Avançar para além do próprio dia 20 é ter consciência de que a economia perde, a cultura perde, a sociedade como um todo perde. A gente deve avançar s em políticas públicas e privadas que possam trazer mais inclusão e diversidade".

Divulgação
Imagem: Divulgação

Ronald Sotto, ator

"Os negros vem ganhando mais destaque, protagonismo e oportunidades na televisão brasileira, e acredito que muitas pessoas negras no nosso país se sentem representadas. Apesar das desigualdades e desse estereótipo de que ser negro é saber sambar, ter um corpo sarado, ser um cara barra pesada ou um cantor de pagode, nós negros queremos também ocupar lugares como os de empresário, advogado ou de um doutor. Mas sei que os negros se sentem mais felizes por verem mais de nós nas televisões ganhando o nosso protagonismo. Temos mais diversidade na TV, mas isso não é o suficiente, porque somos a maior população e não vemos pessoas negras protagonizando igual a uma pessoa branca. É difícil entender como a maior população tem menos representantes nas novelas. Não queremos um ou dois negros em cada grade de horários na televisão, e sim a igualdade, tanto quanto a qualquer pessoa independentemente de sua etnia. Devemos estar envolvidos em pautas o ano todo, não só quando chega o dia 20 de novembro, pois parece que estamos invisíveis e só ganhamos destaque no Dia da Consciência Negra. Para mim, todo dia é dia de consciência negra".

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