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Ex-panicat que ficou milionária sofreu preconceito: "Me achavam burra"

Aos 32 anos, Carol Dias diz como venceu preconceito e diz que hoje sua missão é ajudar com dicas sobre finanças - Reprodução/Instagram
Aos 32 anos, Carol Dias diz como venceu preconceito e diz que hoje sua missão é ajudar com dicas sobre finanças Imagem: Reprodução/Instagram

Felipe Pinheiro

Do UOL, em São Paulo

16/12/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Carol Dias ficou famosa no Pânico, programa em que atuava como panicat
  • Após sair da televisão, ela se reinventou ao dar um novo rumo à carreira com dicas sobre finanças
  • A ex-modelo diz que sempre foi econômica e afirma não se preocupar em acumular bens materiais
  • Carol é palestrante, tem um canal no YouTube sobre educação financeira e para o ano que vem pretende lançar um reality sobre o tema

Carol Dias, 32, aparecia todos os domingos como uma das modelos do programa Pânico, mas a ex-panicat decidiu mudar o rumo da carreira. Após sair da televisão, estudou e se tornou especialista em finanças. Com uma página no YouTube sobre o assunto, o Riqueza em Dias, Carol, que também dá palestras, prepara-se para estrear em breve um reality em parceria com uma corretora para ir ao ar pelo Instagram e também em seu canal.

"Não tenho o que reclamar do Pânico e sou amiga do Emilio Surita, de quem gosto muito. Mas, quando entrei no programa, não imaginava que iria passar por tantas coisas. As pessoas acham que, por trabalhar de biquíni ou como panicat, você é burra. Não é por aí. Foi difícil. Mas contra fatos não há argumentos. Hoje, veem que sou realmente boa no que estou fazendo. Minha missão de ajudar os outros está sendo muito positiva", orgulha-se.

A missão a que a youtuber se refere é a de propagar conhecimento sobre como lidar com o dinheiro. Ela mesma usa a sua história bem-sucedida como um exemplo. Aos 22 anos Carol conquistou o seu primeiro milhão, mas, nem por isso, livrou-se de cometer equívocos —que serviram como aprendizado.

"Eu errei no meu primeiro milhão. Eu tinha uma conta em um banco, mas não tinha conhecimento de onde investir. Coloquei todo o meu dinheiro num lugar só, na previdência privada. Não diversifiquei. Depois, portabilizei para outros fundos gratuitamente. Tem muitos brasileiros que não sabem disso. Se der errado numa aplicação, a outra está ali para segurar. Nesse erro eu perdi dinheiro", reconhece.

A ex-modelo fala abertamente sobre as suas finanças pessoais com o objetivo de evidenciar de forma prática como lidar com o dinheiro da melhor maneira. Ela diz que hoje tem uma vida confortável e que poderia viver apenas com os rendimentos de suas aplicações, mas prefere não abrir mão de trabalhar.

"Hoje já acumulei mais de R$ 3 milhões. A minha intenção é fazer as pessoas saberem rentabilizar. Agora, vou estrear um reality com a minha corretora, mostrando como começar a investir do zero para ajudar os brasileiros que ainda têm medo de entrar na bolsa. Para driblar essa crença de que não dá para investir com pouco dinheiro vamos abrir uma conta nova e mostrar os investimentos", ensina ela, que ainda tem planos de lançar um livro digital e de ministrar um curso na área.

Uma vida sem gastos

Ex-panicat, Carol Dias é palestrante e tem um canal sobre educação financeira no YouTube - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
Ex-panicat, Carol Dias é palestrante e tem um canal sobre educação financeira no YouTube
Imagem: Reprodução/Instagram

Carol Dias diz que deve a sua criação ao jeito como lida com o dinheiro. A palestrante se descreve como econômica e garante que quem a conhece se surpreende por ela não esbanjar a pequena fortuna. O que nem todo o mundo sabe, por exemplo, é que ela não tem o sonho da casa própria e, por opção, vive de aluguel.

Moro num apartamento extremamente simples. As pessoas brincam que o ar condicionado é na cozinha, mas serve para a sala e para o quarto. Não tenho carro importado e minha vida não é baseada em luxos. As pessoas não imaginam que uma menina que veio da televisão tenha uma vida tão tranquila. Não sou preocupada com roupa. Sou minimalista e vivo bem assim.

Mas ainda que procure ter um dia a dia sem ostentação, como Carol conseguiu conquistar uma conta bancária tão gorda? Além de ter ações e aplicações em fundos de investimento, ela explica que sempre levou a sério a lição de poupar o que ganhava. "Eu ganhava um salário na Band que sempre investi e sempre tive renda extra. As minhas campanhas publicitárias eram altas, e eu investia. Fui garota propaganda da Honda, de marca de cosméticos. Aproveitei a oportunidade quando estava na TV de juntar esse dinheiro", lembra. "Tudo o que eu ganhava eu tirava uma parte para investir antes de pagar as minhas contas, o que é uma dica fundamental", compartilha.

Ao ser questionada se possui um sonho de consumo, a ex-modelo diz que prefere gastar adquirindo conhecimento e em viagens. Para exemplificar o seu estilo simples de levar a vida, ela se recorda de um episódio que mostra o desapego a bens materiais.

"Eu tinha um relógio Rolex última edição que ganhei de um namorado. A minha avó de criação, que foi minha babá, quebrou as duas pernas e eu tinha que pagar a prótese. Peguei o Rolex e vendi. Minha avó fez a cirurgia. Um dia ela falou: 'Carol, queria te agradecer porque você realizou meu sonho de voltar a andar'. Meus olhos se enchem de lágrimas ao falar disso. O Rolex para mim é indiferente", diz.

"Temos o direito de mudar"

Carol Dias - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
Imagem: Reprodução/Instagram
Carol Dias diz que precisou trabalhar arduamente para mudar a imagem pela qual ficou conhecida, como panicat. "Existe preconceito em relação à mulher que fica de biquíni na TV. Foi mais difícil, realmente. Mas temos o direito de nos ressignificar, de reconstruir e de mudar. Eu amo falar de finanças e de educação financeira."

Ela também reconhece que a pressão é grande pela sua trajetória na televisão. Para o ano que vem, pretende entrar na faculdade de economia.

Imagine eu, que saí da TV sendo panicat. Tenho a responsabilidade de falar sobre finanças e, se eu cometer uma falha, vou ser muito mais crucificada do que uma pessoa do ramo. Por isso estudo cinco, seis horas por dia.