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Globo cutuca Bolsonaro com BBB, queimadas, Ancine e "nazismo de esquerda"

Do UOL, em São Paulo

29/12/2019 21h36

A Globo cutucou hoje Jair Bolsonaro (sem partido) durante o fantástico com o quadro Isso a Globo Não Mostra, criando um "reality" nos moldes do Big Brother Brasil sobre o atual governo e atacando ironicamente o presidente sobre a conservação do meio ambiente, a luta contra a cultura e até o "golden shower".

Com o nome de Big Bolsonaro Brasil, a paródia do BBB contou com a introdução marcante do programa, porém, no novo formato os participantes eram os nomes fortes do governo que perderam espaço na atual gestão.

Com o tema principal cantado por Paulo Ricardo, o reality mostrava "eliminados" como Gustavo Bebianno (ex-ministro da Secretaria-geral da Presidência), Joice Hasselmann (ex-líder do governo no Congresso) e PSL (ex-partido do presidente).

Ainda entraram na brincadeira Ricardo Vélez (ex-ministro da Educação), general Franklimberg Ribeiro de Freitas (ex-presidente da Funai), General Santos Cruz (ex-ministro da Secretaria do Governo), Joaquim Levy (ex-presidente do BNDES) e Ricardo Galvão (ex-diretor do INPE).

Semana passada, Bolsonaro ironizou a Globo após reportagem mostrando que o Natal deste ano foi o melhor para o comércio desde 2014. "De vez em quando, eles falam a verdade", disse o chefe do Executivo.

Já no dia 24, às vésperas do Natal, o presidente acusou publicamente a emissora de fazer "crime" com seu filho mais velho, Flávio, e querer "fraudar provas".

"Quando alguém erra, a lei é aplicada. O processo dele está correndo em segredo de Justiça. O que justifica esse vazamento [de informações] para aquela grande rede de televisão? Acho que o objetivo dessas divulgações é me prejudicar", disse o presidente hoje em entrevista ao Brasil Urgente, da TV Bandeirantes.

Meio ambiente

No segundo bloco do programa, o mesmo quadro voltou a falar de Bolsonaro, ironizando o discurso do presidente brasileiro no Fórum Econômico Mundial, quando disse que o país "é o que mais preserva o meio ambiente".

Na sequência, desastres ambientais do ano foram relembrados no quadro, como a tragédia em Brumadinho e os incêndios na Amazônia.

O ator Leonardo DiCaprio também foi lembrado, de quando foi acusado pelo presidente de financiar queimadas criminosas. Um trecho do filme Foi Apenas um Sonho, em que o personagem de DiCaprio fala sobre "insanidade", apareceu por fim.

Ancine

A Globo ainda ironizou o presidente com o filme fake "Cultura, Que Horas Ela Volta", uma crítica aos ataques constantes de Bolsonaro contra a produção do cinema nacional.

Desta vez, o quadro era uma espécie de "trailer" do filme, mostrando o governo explicando que a Ancine precisa, sim, ter filtro. A Globo lembrou que mais de 17 milhões de pessoas foram ao cinema ver filmes brasileiros e citou o temor da censura.

A paródia ainda creditou os autores do filme como "Cidade de Deus acima de tudo" e "matou o cinema e foi família". O recado final era que o filme fake não seria realizado por "falta de recursos".

"Ainda tem mais três anos"

A última paródia veio com o tema de fim de ano da Globo, que ganhou uma nova letra criticando o governo e relembrando o que houve neste primeiro ano, como Bolsonaro falando sobre o golden shower no Twitter e Sergio Moro citando "cônge" em vez de "cônjuge".

A emissora ainda foi irônica sobre o governo falando que "a Terra é plana, a Amazônia é úmida e o nazismo é de esquerda". Sobrou também para Eduardo Bolsonaro ao falar sobre o AI-5 e o ex-assessor Fabrício Queiroz.

"No primeiro ano teve tanta coisa e ainda faltam três... em 2020, se sobrar Brasil, voltamos outra vez", diz o verso final da canção.

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