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Luiza Brunet viaja pelo mundo e vê violência contra a mulher como epidemia

Reila Maria/Câmara dos Deputados
Imagem: Reila Maria/Câmara dos Deputados

Do UOL, em São Paulo

11/02/2020 11h06

A empresária e ex-modelo Luiza Brunet contou, em uma coluna publicada na plataforma Celina, do jornal O Globo, que fez uma viagem de 80 dias por diversos lugares do mundo e chegou à conclusão de que a violência contra a mulher é uma epidemia mundial.

"As formas de agressão seguem passos similares em diferentes nacionalidades. Na minha volta ao mundo em mais de 80 dias, passei pelos Estados Unidos, pela Ásia e pela Europa. Além disso, viajei por vários estados brasileiros. Fiz um mergulho em culturas diferentes, mas vivenciei realidades inacreditavelmente parecidas", contou.

Em 2016, Luiza Brunet denunciou o então marido, Lírio Parisotto, por violência doméstica. No ano seguinte, ele foi condenado a um ano de prisão em regime aberto e um ano de prestação de serviços à comunidade.

Na coluna, Luiza Brunet não fala especificamente sobre o caso, mas explicou que leva a sua história como uma forma de tentar ajudar outras mulheres a denunciarem possíveis abusos e agressões.

"Tomei como missão em 2019 viajar pelo mundo para falar sobre os direitos da mulher e a violência doméstica. Não me canso, e este ano farei tudo de novo. Levo comigo nessas viagens a minha história, a minha escuta e algumas palavras encorajadoras", disse.

"Senti que isso foi a chave para abrir portas emperradas e com fechaduras difíceis de serem destravadas. Era assim que eu percebia em plateias tão numerosas alguns rostos angustiados pelo silêncio. Percebi que, muito mais do que falar, eu estava lá para ouvir", completou.

Luiza Brunet disse que falou com comunidades brasileira em cidades americanas e japonesas, além de passar por Paris, Lodrs e Milão. A experiência, segundo ela, não podia ser melhor e a levou à conclusão que a violência contra a mulher é uma uma epidemia mundial.

"Me emocionei com a capacidade de mobilização dos grupos de mulheres. Agradeço por minha história ter sido capaz de encorajar outras mulheres a quebrar o silêncio e expor as suas dores. Essa troca é muito importante. Não é simples para a maioria das mulheres vítimas de violência trazer à tona experiências dolorosas, antigas e quase sempre crônicas", disse.

"De Hamamatsu, no Japão, ao Arizona, nos Estados Unidos, de Pernambuco ao Mato Grosso do Sul — minha terra —, constatei de perto que a violência contra a mulher é de fato uma epidemia mundial. Guardei essa percepção: impressionante como todos os estágios de agressões contra as mulheres estão presentes em culturas tão distintas. Meu contato no exterior aconteceu a partir das comunidades brasileiras nessas regiões do mundo", completou.

Porém, Luiza Brunet disse que a viagem não a deixou otimista. "Me desdobrei para ouvir tantas histórias e levar palavras de apoio, mas, infelizmente, eu não vejo boas perspectivas. Muitas vezes, me sinto como um passarinho voando sozinho, como também algumas bravas parceiras que também não se cansam", disse.