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Globo e Folha não cobrirão mais Bolsonaro no Alvorada por 'segurança'

Do UOL, em São Paulo

25/05/2020 20h52Atualizada em 26/05/2020 10h16

O grupo Globo anunciou hoje que vai parar de cobrir o dia a dia de Jair Bolsonaro (sem partido) no Palácio do Alvorada, em Brasília. Isto inclui a TV Globo e o site G1, que ficarão sem esta cobertura por tempo indeterminado. A alegação é de "falta de segurança", mas o texto publicado nesta noite promete que os jornalistas "encontrarão maneiras seguras de apurar e relatar o que se passa ali, sem prejuízo do público". A Folha de S.Paulo fez anúncio parecido.

"A falta de segurança para seus jornalistas na saída do Palácio da Alvorada fez o Grupo Globo decidir que seus profissionais não mais farão plantão naquele lugar. Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro que são levados a ficar lado a lado com os jornalistas, apenas com uma grade entre os dois grupos, têm insultado de forma cada vez mais agressiva os profissionais de imprensa, de todos os veículos, que estão ali trabalhando", diz a nota da Globo.

Trata-se de um teste que também incluirá O Globo. O jornal Valor Econômico, por outro lado, fará esta tentativa por uma semana para avaliar o que perde ao não enviar repórteres ao Alvorada. Uma carta assinada por Paulo Tonet Camargo, vice-presidente de Relações Institucionais do grupo Globo, foi enviada ao ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional do governo, Augusto Heleno; leia a íntegra da carta no fim deste texto.

"Como a animosidade dos militantes tem sido crescente, e sem que haja providências por parte das autoridades para proteger os jornalistas, o vice-presidente de Relações Institucionais do Grupo Globo comunicou a decisão, por carta, ao ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno. Os jornalistas do Grupo Globo encontrarão maneiras seguras de apurar e relatar o que se passa ali, sem prejuízo do público", completa.

Além da relação conturbada que o presidente da República e seus apoiadores têm com os profissionais ligados à Globo, leva-se em conta também o risco de agressão verbal e física que as equipes de jornalismo correm entre os críticos.

A Folha de S.Paulo fez anúncio parecido e também comunicou o general Heleno, bem como a Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom): "A Folha decidiu suspender a cobertura jornalística na porta do Palácio da Alvorada temporariamente até que o Palácio do Planalto garanta a segurança dos profissionais de imprensa".

O jornal citou o caso dos repórteres que foram hostilizados hoje durante a cobertura na porta da residência oficial do presidente. A publicação relata que uma mulher passou pela fila dos jornalistas e gritou: "Ó o lixo, ó o lixo, ó o lixo. Escória! Lixos! Ratos! Ratazanas! Bolsonaro até 2050! Imprensa podre!".

"Pouco antes dessas agressões verbais, o presidente, ao passar perto dos repórteres, criticou a imprensa. 'No dia que vocês tiverem compromisso com a verdade, eu falo com vocês de novo', disse. Alguns simpatizantes dele apoiaram respondendo 'Isso aí'. Os xingamentos aos jornalistas que esperam a saída de Bolsonaro na porta do Alvorada diariamente se tornaram comuns, mas, desta vez, a agressividade foi maior", diz a Folha, que afirma que não obteve resposta do governo até o momento.

"O jornal pretende retomar a cobertura no local somente depois das garantias de segurança aos profissionais por parte do Palácio do Planalto", completa o jornal paulista.

Leia a carta enviada pelo grupo Globo ao general Heleno:

Ao cumprimentar V.Exa., trazemos ao conhecimento desse Gabinete uma questão que envolve a segurança da cobertura jornalística no Palácio da Alvorada. É público que o Senhor Presidente da República na saída, e muitas vezes no retorno ao Palácio, desce do carro e dá entrevistas bem como cumprimenta simpatizantes. Este fato fez vários meios de comunicação deslocarem para lá equipes de reportagem no intuito de fazer a cobertura.

Entretanto são muitos os insultos e os apupos que os nossos profissionais vêm sofrendo dia a dia por parte dos militantes que ali se encontram, sem qualquer segurança para o trabalho jornalístico.

Estas agressões vêm crescendo.

Assim informamos por meio desta que a partir de hoje nossos repórteres, que têm como incumbência cobrir o Palácio da Alvorada, não mais comparecerão àquele local na parte externa destinada à imprensa.

Com a responsabilidade que temos com nossos colaboradores, e não havendo segurança para o trabalho, tivemos que tomar essa decisão.

Respeitosamente,

Paulo Tonet Camargo

Vice-Presidente de Relações Institucionais

Grupo Globo

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