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Record e CNN afastam repórteres que estiveram com Bolsonaro em entrevista

Presidente Jair Bolsonaro no Palácio da Alvorada, em Brasília - Adriano Machado
Presidente Jair Bolsonaro no Palácio da Alvorada, em Brasília Imagem: Adriano Machado

Gilvan Marques

Do UOL, em São Paulo

07/07/2020 17h17

A TV Record e a CNN Brasil informaram o afastamento de profissionais que estiveram em entrevista concedida pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), realizada na manhã de hoje, em Brasília.

Na ocasião, Bolsonaro convocou a imprensa —TV Brasil, Record e CNN Brasil— para anunciar que havia testado positivo para a covid-19. O presidente usava máscara, mas conversava com os profissionais de imprensa a menos de 1 metro de distância.

Ao UOL, a Record destacou o afastamento do repórter Thiago Nolasco por sete dias como medida de precaução e disse que todos os profissionais que tiveram contato com pessoas infectadas só retornam ao trabalho depois de fazer novo teste.

"Os colaboradores da Record que tiveram algum tipo de contato com pessoas que testaram positivo para a covid-19 ficam afastados e em observação por 7 dias e fazem o exame ao final do período. O retorno só acontece quando o exame tem resultado negativo", disse a emissora em comunicado.

Ao UOL, a CNN também anunciou o afastamento do repórter Leandro Magalhães e de seu cinegrafista, Carlos Alberto de Souza. Eles ficarão isolados por pelo menos sete dias e só retornarão ao trabalho depois do resultado negativo de novo exame.

A reportagem tentou contato com a EBC (Empresa Brasil de Comunicação), que controla a TV Brasil, por e-mail e por telefone, mas não obteve retorno.

À Folha, a emissora informou em nota que todos os seus profissionais que participaram da transmissão foram afastados e farão teste para covid-19.

Suspensão da cobertura presencial

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) anunciou hoje o envio de um ofício aos veículos de comunicação em que pede a suspensão da cobertura presencial no Palácio do Planalto, em Brasília.

Para a entidade, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) colocou os profissionais em risco após convidá-los para anunciar que está com covid-19.

"Imagens e denúncias que chegaram ao SJPDF comprovam que o presidente da República, positivo para a covid-19, colocou em risco os jornalistas e as equipes ao fazer o anúncio. Por que o presidente não solicitou que um médico o fizesse? E qual será a postura daqui para frente?", questionou o sindicato em nota.

A entidade ainda pediu aos veículos que testem e afastem todos os profissionais que foram expostos, nos últimos 10 dias, às coberturas que tiveram contato com Bolsonaro e quaisquer membros do Executivo.

"Também vamos cobrar do Ministério das Comunicações para que seja mantida a divulgação de informações do Poder Executivo sem expor jornalistas a risco em entrevistas coletivas presenciais, incluindo as dos ministros, que devem passar a dar coletivas de forma virtual", acrescentou.

Caso os jornalistas recebam resultado positivo para o novo coronavírus, o sindicato não descarta acionar o presidente na Justiça.

Recentemente, UOL, Folha de S.Paulo, Grupo Globo, TV Band e Metrópoles já haviam decidido que deixariam de cobrir o Palácio do Alvorada por questões de segurança.

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