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Parte da mídia se comporta como partido político derrotado, diz Lacombe

Luís Ernesto Lacombe na RedeTV! - divulgação/RedeTV
Luís Ernesto Lacombe na RedeTV! Imagem: divulgação/RedeTV

Do UOL, em São Paulo

20/09/2020 11h38

Para o jornalista Luís Ernesto Lacombe, "boa parte" da mídia tradicional se comporta como "um partido político derrotado nas eleições". "Omitir ou diminuir o que é bom no governo, aumentar o que é ruim, até mesmo inventar problemas, defeitos, isso tem sido um comportamento comum de alguns veículos de comunicação", afirmou em entrevista ao jornal O Dia.

Lacombe, que no final de junho deixou a Band, é o novo contratado da Rede TV!, onde deve encabeçar três projetos. A saída do jornalista aconteceu após a direção da emissora resolver intervir no programa Aqui na Band, antes comandado por Lacombe. A atração vinha protagonizando polêmicas por trazer pautas vistas como tendenciosas e favoráveis ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Perguntado se sua saída da emissora foi motivada por suas opiniões conservadoras, Lacombe não respondeu. "Respeitando as cláusulas perenes do contrato que eu tinha com a Band, não posso falar muito", disse.

"Uma emissora tem todo o direito de reformular um programa, tirá-lo do ar. Não me cabe comentar possíveis motivações para a implementação de mudanças", afirmou.

Ao jornal O Dia, o jornalista disse ainda que, na Rede TV!, terá um programa diário e um programa semanal. "O terceiro projeto para a TV mantenho em sigilo total", declarou. "Nas mídias digitais vamos replicar os produtos da emissora e também exibiremos conteúdos originais, exclusivos".

Questionado sobre a postura do presidente, que recentemente ameaçou agredir um repórter com um soco na boca, Lacombe afirmou que Bolsonaro é uma pessoa "autêntica" e que, por ser "mais rude", "alguns jornalistas se aproveitam disso".

A ameaça foi feita pelo presidente após ser questionado por um repórter do jornal O Globo sobre o motivo de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, ter depositado cheques na conta bancária da primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

A pergunta literal foi: "Presidente, por que a sua esposa recebeu R$ 89 mil do Fabrício Queiroz?". Bolsonaro, então, respondeu: "Minha vontade é encher sua boca com uma porrada, tá? Seu safado".

"Seria melhor um presidente conciliador, que evitasse confronto com a imprensa? Talvez. Certo é que muito pior seria termos um presidente que quisesse "regular a mídia", o que Bolsonaro nunca cogitou, mas Lula e Dilma, sim, diversas vezes", disse Lacombe.

"E não me recordo de jornalistas, na época dos governos petistas, terem reagido com tanta veemência a essa tentativa de controle da mídia. Graves são as grosserias do Bolsonaro."

Na entrevista, Lacombe disse ainda que "como o presidente é espontâneo, impulsivo e boa parte da imprensa alimenta uma guerra contra ele, o melhor é que fale menos com os jornalistas". E deixou um conselho para o presidente: "tenha paciência. Ainda que às vezes seja difícil, ser paciente é sempre recomendável".

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