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Caso Melhem: advogada de mulheres diz que caso é 'tentativa de estupro'

Do UOL, em São Paulo

04/12/2020 14h47

O caso de assédio sexual envolvendo o ex-diretor da área de humor da Globo, Marcius Melhem, dominou as discussões das redes sociais após a publicação da matéria da revista Piauí hoje. Em entrevista ao vivo no UOL, Mayra Cotta, advogada das vítimas, e Manoela Miklos, cientista política, comentaram sobre a seriedade das denúncias das mulheres.

"Desde o início, a gente quer manter a privacidade das vítimas, não expor, dar o tempo que elas precisam. A meu ver, como advogada, o que está descrito na matéria vai além do assédio sexual. É uma tentativa de estupro", opina Mayra.

A advogada explica que os esforços foram sempre voltados a deixar os holofotes em Melhem e não nas vítimas. "Nossa estratégia foi ter o foco sempre nele. Muitas vezes o foco é sempre na vítima e ela acaba sendo novamente exposta. Essa história já mexeu muito com a vida delas, estamos falando de trauma. A gente avança falando sobre o caso e para isso o foco tem de ser em quem toma as condutas", explica.

"Espero que a gente possa fazer disso um marco positivo, além do reconhecimento de tudo negativo", comenta Manoela.

Durante a entrevista, a advogada e a cientista política também esclareceram que não embarcaram no caso com o intuito de acabar com a reputação do ator e diretor da Globo.

O que diz a Globo

Após os relatos de assédio sexual virem à tona, a Globo divulgou uma nota na tarde de hoje dizendo que não comentará a apuração das denúncias por questões de "sigilo do processo".

Leia a nota na íntegra:

A Globo não comenta questões de compliance, mas reafirma que todo relato de assédio, moral ou sexual, é apurado criteriosamente assim que a empresa toma conhecimento. A Globo não tolera comportamentos abusivos em suas equipes e incentiva que qualquer abuso seja denunciado. Neste sentido, mantém um canal aberto para denúncias de violação às regras do Código de Ética do Grupo Globo. Por esse Código, assumimos o compromisso de sigilo do processo, assim como o de investigar, não fazer comentários sobre as apurações e tomar as medidas cabíveis, que podem ir de uma advertência até o desligamento do colaborador. Mesmo nas hipóteses de desligamento, as razões de compliance não são tornadas públicas.

Somos muito criteriosos para que os estilos de gestão estejam adequados aos comportamentos e posturas que a Globo quer incentivar e para que as medidas adotadas estejam de acordo com o que foi apurado. Não foi diferente nesse caso. O acolhimento e a empatia com quem relata situações de violação do Código de Ética são pontos essenciais do programa de compliance da empresa.

Isso não quer dizer que os processos de compliance sejam estáticos. Ao contrário. Eles evoluem constantemente para acompanhar as discussões da sociedade. As práticas e as avaliações são revistas o tempo inteiro, assim como são propostas e acolhidas sugestões de melhoria nos mecanismos de comunicação interna. A própria sociedade está se transformando e a empresa acompanha esse processo.

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