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'Brasil é racista e homofóbico', diz Ivete ao receber troféu Mário Lago

O Troféu Mário Lago reconhece contribuições extraordinárias ao mundo do entretenimento - Reprodução/TV Globo
O Troféu Mário Lago reconhece contribuições extraordinárias ao mundo do entretenimento Imagem: Reprodução/TV Globo

Do UOL, em São Paulo

27/12/2020 19h18Atualizada em 27/12/2020 20h15

Em carreira solo desde 1999, a cantora Ivete Sangalo foi homenageada hoje com o Troféu Mário Lago, do "Domingão do Faustão", da TV Globo, por sua contribuição artística e conexão com o público brasileiro. Bastante emocionada, a cantora de 48 anos aproveitou o momento para falar sobre desigualdade, racismo e homofobia.

"Somos [os brasileiros] conhecidos pela nossa alegria e simpatia, e agradeço por isso, mas também há de ter um reconhecimento das nossas falhas como sociedade. O nosso país é o que mais mata homossexuais no mundo. O Brasil é um país racista, homofóbico, de feminicídio e de ataques às minorias que na verdade não são minoria", afirmou.

Esse perfil doente, equivocado, é pautado na ideia da desigualdade, sabendo que somos todos iguais em direitos. Cabe a nós nos olharmos para que a gente continue vibrando essa alegria que estamos aqui, para que tenha notícia boa, mas consciente de que os indivíduos têm que ser respeitados de forma igual. É isso o que a gente quer."
Ivete Sangalo

Veveta falou ainda sobre iniciativas que tomou ao longo da pandemia, como as lives, que definiu como "uma conexão com a necessidade de muitas pessoas", e atribuiu o sucesso a "um público muito participativo". Mas voltou a falar sobre as desigualdades no Brasil ao citar sua relação com os filhos no momento atual, referindo-se a casos de mortos por balas perdidas ou por homofobia.

Agradeço muito pelo fato de ser uma pessoa famosa, mas sou mãe. O meu filho pode correr na rua sem camisa. Para mim, seria terrível não deixar meu filho andar na rua porque poderia ser alvejado por uma bala... Ou um filho meu ser homossexual e não poder ser feliz. Me perguntam muitas vezes o que eu vou ensinar para minhas filhas sobre esse mundo machista. Não ensino às minhas filhas, ensino ao meu filho que ele tem que entender o seu próprio poder, mas que também precisa respeitar o poder de existência do outro, de quem quer que seja."
Ivete Sangalo

Bastante emocionada, a cantora agradeceu o apoio de Faustão em sua carreira. "Eu não imaginava um dia estar aqui, mas fico muito emocionada porque a nossa história se confunde, né, Fausto? Eu conheci meu ídolo da televisão, uma pessoa a quem quero o bem, e você me mostrou que estava aqui com um propósito, o de fazer a diferença na vida das pessoas. Eu fui uma dessas pessoas", respondeu, com a voz embargada.

"Tive a sorte de contar com o olhar bondoso das pessoas, especialmente nos momentos de crítica", disse a cantora de 48 anos. "Jamais quis me desconectar da pessoa que eu, de fato, sou, nem das minhas origens nem do que está por vir. Só vale a pena viver se a gente se entregar a esse gosto, a essa dúvida que é estar aqui. Embora pareça um discurso, de fato, é importante a presença do fã. São dois lados, é uma relação de necessidade mútua de forças um do outro. E cada um tem seu melhor para dar", agradeceu.

Na edição de hoje do programa, os espectadores viram uma retrospectiva da carreira da cantora — e até Faustão cantou junto com os hits da baiana.

O prêmio reconhece contribuições extraordinárias ao mundo do entretenimento, e nos últimos anos homenageou nomes como Irene Ravache, Ney Latorraca, Nicette Bruno, Nathalia Timberg, Milton Gonçalves e Francisco Cuoco.

Ivete foi homenageada por nomes como Gilberto Gil e Alcione, e emocionou os fãs:

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