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Wagner Moura detona Bolsonaro e diz que sofreu censura: 'Poço sem fundo'

Wagner Moura critica Bolsonaro no "Conversa Com Bial" - Reprodução/Globoplay
Wagner Moura critica Bolsonaro no 'Conversa Com Bial' Imagem: Reprodução/Globoplay

Colaboração para o UOL, em São Paulo

23/10/2021 13h42

Wagner Moura foi entrevistado ontem no programa "Conversa Com Bial" (TV Globo). Ele falou sobre o filme "Marighella", previsto para estrear no Brasil dia 4 de novembro. A obra já deveria ter sido lançada nacionalmente no início do ano, mas foi impedida.

"O filme estreou em Berlim em 2018. Financiar o processo foi dificílimo. O filme existe graças ao dinheiro do fundo setorial e à Globo Filmes. A filmagem também foi dura, em alguns momentos achávamos que ia faltar dinheiro. Sofremos ameaças de gente dizendo que ia invadir o set, que ia quebrar tudo, bater na gente", contou Moura.

"Passamos por tudo isso, no governo Temer. E o filme estrearia em 2019, no começo do governo Bolsonaro. Quando a gente quis estrear, dois pedidos da produtora foram inesperadamente negados pela ANCINE, que regula nossa atividade no Brasil. Esses pedidos são normais, feitos em várias outras produções e ocasiões. Quando foram negados, os filhos do Bolsonaro comemoraram na internet, essa direita Bolsonarista comemorou. Bolsonaro parou a vida dele, de presidente, pra gravar um vídeo falando mal de mim, do filme. Então a gente vê que o filme tem uma importância pra eles".

"E eu te digo aqui que nós fomos vítimas de censura", continuou o ator e diretor. "Não a censura que havia durante a ditadura, que tinha que mostrar o trabalho pro censor, mas uma censura que inviabilizou a existência do nosso cinema nacional, altamente independente. Nós não temos um cinema forte o suficiente pra existir sem as leis de incentivo, sem o controle que a ANCINE faz sobre a nossa atividade. Então eles inviabilizaram a nossa primeira estreia. Os produtores tomaram a decisão corajosa, e da qual eu fico muito feliz, de esperar sem esse dinheiro. Nós nunca ganhamos um tostão com esse filme. Apesar de todos nós, artistas, que fazem obras como essa, sermos chamados de ladrões da Lei Rouanet e essas canalhices".

Wagner Moura ainda compartilhou seus pensamentos sobre o momento atual que o Brasil vive: "É triste os relatos que eu escuto, são devastadores. A fome voltou ao nosso país, uma coisa da qual nós havíamos nos livrado. A gente vive em um país no qual 19 milhões estão passando fome e uma outra quantidade gigantesca está em insegurança alimentar. Mas eu sou pessimista em relação ao presente, mas otimista em relação ao futuro".

Apesar de tudo, ele acredita que este período servirá como lição. "O nosso país começa no extermínio dos indígenas, na escravidão do povo preto, um país autoritário. O Bolsonaro é um personagem com raízes profundas nessa história do Brasil. Que a maioria dos brasileiros tenha dito: 'Esse homem nos representa e queremos que o Brasil seja conhecido por essa pessoa' é tristíssimo, mas é pedagógico. É bom que a gente possa encarar de frente o governo e o que ele está fazendo com o país. Desse poço sem fundo a gente não vai passar".