Topo

Kaysar é rico? Primo e amiga respondem perguntas sobre a vida do sírio

Reprodução/Instagram
Kaysar já trabalhou com aves na Síria Imagem: Reprodução/Instagram

Marcela Ribeiro

Do UOL, no Rio

11/04/2018 04h00

Na reta final do "Big Brother Brasil", Kaysar é apontado, ao lado de Gleici, como favorito para ganhar R$ 1,5 milhão. O refugiado sírio evita falar do seu passado e deixa os demais participantes curiosos. As torcidas dos outros brothers também têm levantado suspeitas de que ele é rico e sua família tem posses. A desconfiança aumentou ainda mais quando Paula achou uma jaqueta dele na casa com uma etiqueta de grife. Afinal, qual é a realidade dele?

O UOL conversou com Nassib  Abage, primo da mãe de Kaysar, que o acolheu quando ele chegou no Brasil, há três anos, após uma temporada difícil de cinco anos na Ucrânia. Segundo o parente, Kaysar dormiu na rua e passou fome.

Nassib, que mora em Curitiba, está inconformado com informações falsas que saem nas redes sociais e faz um apelo.

"Peço para as torcidas dos outros participantes não usarem de má índole, de má-fé. Não estamos aqui para combater nem Gleici nem a família Lima, nem Paula, ninguém. Nós estamos aqui de coração para participarmos de um programa que seja limpo, que seja bom. O Kaysar tem um grande defeito, ele tem a limpeza de alma e de coração. Ele é puro demais. Ele não é feito para esta época. Por isso, as pessoas dizem que ele está interpretando. Ele não fez um curso de teatro, artes dramáticas, absolutamente nada. O que ele é lá dentro, ele é aqui fora. É a mesma coisa, não tem diferença nenhuma."

A família de Kaysar é rica?

Segundo Nassib, os pais de Kaysar vivem em uma casa simples, de três quartos, em uma região de classe média de Alepo. A cidade foi palco de uma batalha de cinco meses, que custou a vida de dezenas de milhares de pessoas, e hoje está sob o controle do governo. A guerra civil na Síria já dura sete anos. O pai George Dadour é representante comercial e a mãe, Diane, é dona de casa.

"Ainda moram em Alepo, que está totalmente bombardeada. Eles tiveram a sorte de ainda não ter caído uma bomba na casinha deles. Eles não saíram da Síria ainda por três motivos: falta de condições financeiras, porque o governo está impedindo que as pessoas saiam da cidade e eles não querem abandonar a pequenina casa que têm, é a única coisa que sobra para eles", contou.

"Na Síria, depois da guerra, a família passou muita dificuldade. Agora o governo está sustentando todas as famílias que restam vivas na Síria, mandando alimentos, medicamentos, o que pode", conta.

Reprodução/Facebook
Kaysar com os pais George Dadour e Diane Dadour e a irmã, Celine Dadour Imagem: Reprodução/Facebook

Os pais dele conseguem vê-lo no "BBB"?

Sempre que pode, a mãe de Kaysar acompanha a participação do filho no programa, mas enfrenta dificuldades e, quando fala com Nassib ao telefone, pergunta pelo filho.

"Quando tem luz em Alepo, ela vê o filho na internet em algumas cenas. Falta luz, gás por causa da guerra. Ela está bem equilibrada. Diz que está muito contente, muito feliz, me pergunta para saber se é uma coisa boa para ele. Eu disse que se não fosse, não deixaria ele participar".

Nassib mandou o vídeo que mostra o momento que Kaysar ganhou um carro na prova do Líder e ofereceu para a mãe. "Ela chorou muito. Cada vez que nos falamos, ela chora e me agradece."

O que Kaysar fazia quando ainda morava na Síria?

Além de estudar, o brother trabalhou em um aviário de um tio. "Ele trabalhava lá e curava papagaio em depressão. Por isso, ele ama os animais, na minha casa estou cuidando de uma calopsita e um papagaio dele."

O que Kaysar pretende fazer se for o campeão do "Big Brother Brasil"?

O maior desejo do brother, já dito várias vezes no programa, é tirar a família do conflito. "O sonho do Kaysar é trazer os pais e a irmã [Celine] para o Brasil. Ela fugiu para o Líbano para não ser estuprada, mora com uma tia e trabalha de vendedora de loja. Tenho 1/3 das condições de mandar buscar os pais. O problema é que não posso mandar buscá-los e deixá-los na rua da amargura. Eles têm que ter alguma segurança material, algum dinheiro. Não tem emprego nem para os nossos brasileiros. Como é que vou trazê-lo? Ele tem que ter segurança de uma verba para sustentar os pais aqui", explica Nassib.

Como ele teve dinheiro para comprar uma jaqueta de grife?

Paula encontrou uma jaqueta de Kaysar com a etiqueta da grife Dolce e Gabbana. Desde então, os brothers e muitos telespectadores começaram a desconfiar que ele é rico. Afinal, como conseguiu grana para comprar uma peça que custa cerca de R$ 10 mil? Nassib explica que, em Curitiba, é muito fácil encontrar lojas que vendem roupas que são cópias de marcas famosas.

"Fui eu que comprei. Não é jaqueta de grife, é réplica. Eu paguei R$ 236. Toda roupa dele, eu compro. Comprei em Curitiba, no outlet. É uma cópia da original, não é verdadeira."

Como Kaysar aprendeu a falar tantos idiomas?

Segundo Nassib, ele saiu da síria falando árabe, inglês e francês, "que é obrigado pelo governo". Nos cinco anos que viveu na Ucrânia, ele aprendeu a falar ucraniano, russo e grego. No Brasil, com a ajuda do primo, fez curso de português.

Kaysar já perdeu uma namorada na guerra?

"Ele não só perdeu uma namorada na guerra. Ele perdeu uma avó e o maior e melhor amigo que ele tinha em Alepo", diz Nassib.

Por que ele não fala sobre o passado na Síria?

Kaysar costuma fugir do assunto quando os brothers o questionam do seu passado na guerra. Amiga de Kaysar há um ano, a professora Cibelle  Kerber diz que, fora do "BBB", o sírio evita falar do seu passado. "Do jeito que ele fala na casa, fala com a gente. Tem muita coisa que a gente sabe sobre ele porque fomos montando um quebra-cabeças ao longo dessa convivência. Ele nunca conta a história dele abertamente. É nítido que é uma ferida aberta e que ele não gosta de mexer. Nós sempre respeitamos isso e nunca ficamos fazendo perguntas. Sempre aceitamos quando ele decidia falar ou expor algo da vida dele, sem forçar demais", conta a amiga.

"Ele não suporta que pergunte do passado dele. Ele diz que não quer mais chorar, que as lágrimas dele já secaram. Ele não quer mais viver de um passado, quer viver neste país abençoado por Deus. Ele beija o chão do Brasil em eterna gratidão pelo que encontrou aqui de paz, de possibilidades", diz Nassib.

Kaysar já passou fome?

Há sete anos, quando foi para a Ucrânia, ele tinha em mente contar com o apoio de um grande amigo. O que ele não imaginava é que seu amigo havia morrido de câncer. Sem conhecer ninguém, ele passou muitas dificuldades.

"Quando ele chegou lá, ficou completamente perdido porque não tinha para quem apelar. Ele foi trabalhar de gari, garçom, limpador de casas, qualquer bico que aparecesse, ele fazia. Dormiu um bom tempo embaixo da ponte, depois passou fome na Ucrânia. Isso não é conversa, não é teatro", narra o primo.

Com o que Kaysar trabalhava no Brasil antes de entrar no "BBB"?

Assim que chegou no país, o sírio trabalhou como balconista na loja de lustres de Nassib. Com a crise, o primo teve que demitir alguns funcionários e pediu que Kaysar procurasse outro emprego. Ele fez um curso de chef de cozinha, pago pelo primo após obter uma bolsa de 50%. Além de trabalhar em um hotel de Curitiba, o sírio fazia bico de animador de festas infantil e ganhava R$ 150 em cada evento que marcava presença vestido de personagens variados.

"Como tive que mandar oito funcionários embora, falei que ele teria que procurar emprego em outro lugar. Ele conseguiu o emprego no hotel para trabalhar como garçom e barman. Final de semana, sábado à tarde e domingo o dia inteiro, ele fazia animação de festa como homem aranha, como príncipe... Ele ganhava mais ou menos com a animação de festas e o salário do hotel entre R$ 1.500 e R$ 1.600 por mês".

Ele já teve namorada no Brasil?

Segundo a amiga, Kaysar é bastante namorador, mas não costuma tomar a iniciativa na hora da paquera. Para o primo, ele apresentou uma namorada brasileira, com quem teve um relacionamento mais sério.

"Ele teve uma namoradinha, que era uma graça, isso faz quase um ano já. Mas ela teve que ir embora para fazer mestrado em Direito e vai ficar dois anos fora. E ele disse que longe um do outro não dava para continuar e terminaram. Ele superou numa boa, começou a se envolver no trabalho."

Facebook Messenger

Receba as principais notícias do dia. É de graça!