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Blog do Mauricio Stycer

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“Alegre funeral” do Tá no Ar vai ter morte de personagens e “Família Armas”

Mauricio Stycer

11/01/2019 05h02

Renata Gaspar, Luana Martau, Marcius Melhem e Marcelo Adnet gravam o quadro "Quem Quer Ser Bilionário"

"A gente se esforçou muito para não ser melancólico. Para a gente brincar com o fim. Fazer o que chamamos de um alegre funeral", diz Marcius Melhem sobre a última temporada de "Tá no Ar", que estreia na próxima terça-feira (15).

Um dos criadores do programa, lançado em 2014, e hoje responsável por todos os programas de humor da Globo, Melhem conversou com o UOL na última sexta-feira (4) caracterizado como Rick Matarazzo. É uma pausa da gravação das últimas cenas em que seu personagem contracena com Marcelo Adnet no papel de Tony Karlakian.

Nesta temporada, eles vão encenar um gameshow, "Quem Quer Ser Bilionário". Rick é o apresentador e Tony ajuda os participantes com dicas. "Quanto tempo leva para conseguir licença ambiental para construir um hotel 6 estrelas numa reserva ecológica?" é a pergunta do dia. As opções são "um ano", "dois anos" e "um dia". Não preciso dizer qual é a correta, segundo a lógica do milionário Tony.

Durante as primeiras tomadas, Melhem pede ao diretor João Gomez que altere o roteiro e permita que se aproxime de Adnet para gravar uma das cenas. "Hoje estou vendo o Tony pela última vez. A gente vai gravar as últimas cenas. Lógico que vou sentir falta. Por isso forcei a barra de chegar perto dele para fazer a cena. Não dá para fazer de longe", explica.

Como sempre, Adnet coloca "cacos" (improvisos) no roteiro. "Não ria tanto assim desde que aquele botox que coloquei em Zurique deu errado", diz Tony, provocando gargalhadas de Rick.

Encerrada a primeira etapa da gravação, vamos para o camarim 10 do estúdio F, no Projac, um local que faz Melhem lembrar de Mauricio Sherman, por mais de 15 anos diretor de "Zorra Total", entre muitos outros programas. "Quando ele me chamava aqui era para dar bronca", conta ele, que foi redator do humorístico. "Grande figura".

Por "alegre funeral" do "Tá no Ar", o espectador pode esperar a morte de pelo menos um dos personagens que apareceram ao longo dos últimos anos. Quem dá o spoiler (que eu não vou compartilhar) é Dani Ocampo, redatora do "Tá no Ar" e supervisora artística de programas de humor da Globo.

"A gente tem que saber a hora de acabar pra fechar bem", diz "Muitos programas simplesmente saem do ar. Muito gostoso pra redação poder matar o seu personagem, terminar o seu programa", diz.

Dani revela uma mudança no tom da última temporada. "A redação achou a temporada passada um pouco bélica. A gente sentiu que estava lacrando demais nas cenas. A gente ficou incisivo às vezes. A mão ficou um pouco mais pesada", diz.

"Este ano, a nossa primeira procura foi pelo nonsense. Voltar a cenas nonsense, que a gente ama. Voltar ao humor universal do Monty Phyton. Tentar pegar umas cenas muitos simples, que são engraçadas em si, idiotas e sem grande conteúdo político".

São exemplos deste olhar as piadas com "Chaves" e "Teletubbies". Estes últimos vão virar "teleyoutubers", criaturas que querem "likes".

Mesmo assim, o espectador pode aguardar por cenas que façam piadas com a realidade política brasileira. A proposta de alterar a legislação sobre posse de armas, por exemplo, inspirou uma versão da "Família Adams" intitulada "Família Armas".

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Mauricio Stycer, jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 30 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o diário esportivo "Lance!" e a revista "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018), "Adeus, Controle Remoto" (Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011).

Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.