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Para novela da Record, o Anticristo vem de Roma e a Igreja Católica é o Mal

Nilson Xavier

23/11/2017 07h00

Flávio Galvão em "Apocalipse" (foto: reprodução)

Durante a coletiva de imprensa da nova novela da TV Record, "Apocalipse", foi exibido um vídeo de apresentação em que, além de catástrofes naturais e cenas de ação, foram vistos personagens praticando ocultismo ou caracterizados de judeus e católicos. Conforme a foto acima, o ator Flávio Galvão aparece trajando uma roupa que lembra as de sacerdotes católicos (cardeal, papa?).

Ao entrevistar a autora da novela, Vívian de Oliveira, perguntei se a trama iria contemplar várias religiões e ela confirmou: não só os evangélicos, mas também judeus e até ateus. Citei Flávio Galvão me referindo à Igreja Católica e Vívian afirmou que tratava-se de uma "igreja fictícia romana" (na sua história, se chama Igreja da Sagrada Luz).

No material de divulgação de "Apocalipse", o personagem de Galvão é descrito como Stefano Nicolazi, o sacerdote máximo da Igreja da Sagrada Luz, com sede em Roma. Ele é o mentor espiritual da rica família italiana Montana. Mais adiante, será revelado que Ricardo Montana (Sérgio Marone) é o Anticristo e seu mentor Stefano Nicolazi é o Falso Profeta, ambos personagens do livro do Apocalipse, da Bíblia.

Stefano Nicolazi é assim descrito no material divulgado pela Record:
"Ardiloso e manipulador, tem todo interesse em manter estreitas relações com a família Montana. Aproxima-se de Débora (Manoela do Monte) pois sabe – através de uma revelação – que ela gera aquele que foi escolhido e destinado para ser o maior líder da Terra. Torna-se seu cúmplice e mentor de Ricardo (filho de Débora). Quando o Anticristo "ressuscitar" no período da Grande Tribulação, Stefano construirá uma imagem dele com poderes sobrenaturais e obrigará o mundo a adorá-la."

Provocação e/ou publicidade?

No capítulo dessa quarta-feira (22/11), a igreja em questão já apareceu, com um texto nada sutil:
"Bem-vindo à Igreja da Sagrada Luz. São quase 1700 anos espalhando as trevas pelo mundo afora, mas, é claro, tudo muito bem elaborado para parecer divino. O engano é a minha especialidade."

"Apocalipse" é a produção mais pretensiosa que a Record já apostou. Com foco em efeitos especiais cinematográficos, produção onerosa e elenco de mais de 100 atores, a emissora não parece estar de brincadeira. E assim compra mais uma briga com a Igreja Católica. As referências são claras.

Além do já exposto, o ator Zé Carlos Machado, como contraponto, viverá um pastor evangélico "do bem" que alertará seus fieis contra a Igreja de Roma. Será ele da Igreja Universal? Polêmica à vista! Internautas já se manifestaram nas redes sociais prometendo boicote, leia AQUI.

Logicamente uma novela produzida pela Igreja Universal vai defender a sua religião. A ficção (cinema e séries de TV) já condenou várias vezes a Igreja Católica. Aqui o contexto é outro. Trata-se de mais um capítulo da famosa rixa entre Igreja Universal e Católica.

Leia também: "Tsunami só serviu para atrair o público para a estreia";
Stycer: "Estreia de Apocalipse supera último capítulo de O Rico e Lázaro";
"Desafio de Apocalipse é provar que queda de O Rico e Lázaro foi acidente".

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Sobre o autor

Nilson Xavier é catarinense e mora em São Paulo. Desde pequeno, um fã de televisão: aos 10 anos já catalogava de forma sistemática tudo o que assistia, inclusive as novelas. Pesquisar elencos e curiosidades sobre esse universo tornou-se um hobby. Com a Internet, seus registros novelísticos migraram para a rede: em 2000 lançou o site Teledramaturgia (http://www.teledramaturgia.com.br/), cujo sucesso o levou a publicar o Almanaque da Telenovela Brasileira, em 2007.

Sobre o blog

Um espaço para análise e reflexão sobre a produção dramatúrgica em nossa TV. Seja com a seriedade que o tema exige, ou com uma pitada de humor e deboche, o que também leva à reflexão.

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