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Chico Barney


Para ser ruim, a série Reality Z da Netflix precisa melhorar muito

Sabrina Sato interpreta a apresentadora Divina na série Reality Z - Reprodução / Internet
Sabrina Sato interpreta a apresentadora Divina na série Reality Z Imagem: Reprodução / Internet
Chico Barney

Chico Barney

Entusiasta e divulgador da cultura muito popular. Escreve sobre os intrigantes fenômenos da TV e da internet desde 2002.

Colunista do UOL

11/06/2020 13h33

Reality Z, novíssima série brasileira da Netflix, só não é pior porque tem apenas 10 episódios. Mas a curta duração não impede de causar tremendo desconforto no incauto telespectador que resolver se aventurar na adaptação da minissérie inglesa Dead Set (2008), do mesmo criador de Black Mirror.

O mote tem lá seu charme. Enquanto o mundo é consumido por um apocalipse zumbi, os participantes de um reality show de confinamento estilo BBB estão entre os últimos cidadãos a salvo. Com isso, se tornarão a resistência aos ataques dos monstrengos.

Poderia ser uma excelente alavanca para adequar a crítica à sociedade de consumo, como é praxe na obra de George A. Romero, ao cenário nacional. Mas parece que a história foi desenvolvida por pessoas que simplesmente ignoram reality shows e filmes de zumbi, tamanho o vazio dos argumentos levantados.

O programa de televisão em que ocorre a ação serve como plataforma para repetir alguns clichês a respeito da estrutura de comando das emissoras e dos seus bastidores. Tudo feito da maneira mais infantil possível, sem qualquer nuance.

Em um dos momentos mais anacrônicos, o diretor cretino vivido por Guilherme Weber acusa uma participante do reality de transar com um colega para valorizar o cachê de um ensaio em revista masculina, coisa que nem existe mais há pelo menos 5 anos.

Isso só mostra como houve pouco apuro na hora de construir uma observação arguta a respeito do universo tratado na série. Passa longe disso. É uma sequência de obviedades desatualizadas, que não conseguem divertir nem por um suposto aspecto trash.

O mesmo serve para a parte do embate com os monstros. O desenvolvimento é terrivelmente esquemático, como se tivesse sido composto por um algoritmo preguiçoso. Os padrões estão todos lá, com perseguições, alianças inusitadas e vacilos irritantes dos sobreviventes, mas sem oferecer qualquer lampejo de criatividade.

Se o amigo leitor for como são os zumbis e tiver algum interesse em conteúdo cerebral, é melhor passar longe de Reality Z. Para ser ruim, ainda precisaria melhorar muito.

Voltamos a qualquer momento com novas informações.

Chico Barney