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'Mundo virou as costas', diz Glória Perez sobre impacto da Covid às novelas

Glória Perez  - João Cotta TV Globo
Glória Perez Imagem: João Cotta TV Globo
Leo Dias

Leo Dias é jornalista e diretor-executivo do "TV Fama", da Rede TV!. Foi correspondente internacional da rádio portuguesa RDP, passou pelas TVs Bandeirantes e RedeTV! e apresentou um programa na rádio FM O Dia, líder de audiência no Rio de Janeiro, onde entrevistava políticos, jogadores de futebol, dirigentes e muitos artistas. Assinou uma coluna de celebridades no jornal "O Dia" e também esteve nos jornais "Extra" e nas revistas "Contigo", "Chiques e Famosos", "Amiga" e "Manchete". Apesar dessa experiência, sempre se definiu como repórter, tamanha paixão pela apuração da notícia e pela vontade em produzir conteúdos exclusivos. Polêmico, controverso e dono de uma forte personalidade, Leo conquistou um público cativo por dar notas explosivas e audaciosas num mundo artístico mais conservador. Seu lema: "A fama tem um preço estou aqui para cobrar".

Colunista do UOL

03/05/2020 06h00

Em maio de 2021, Glória Perez, a maior autora de novelas do Brasil, voltará ao ar com uma nova trama, ainda sem título. Dentro do cronograma da TV Globo, ela virá logo após a próxima novela de João Emanuel Carneiro. A autora de sucessos como "Caminho das Índias" e "América" concedeu uma entrevista exclusiva à Coluna do Leo Dias e analisou o atual momento para a TV e, principalmente, para as telenovelas, que viram, do dia pra noite, a interrupção dos seus trabalhos. Ela admite que nem mesmo as novelas serão mais as mesmas após o novo coronavírus. E lembra que a humanidade já passou por outras pandemias, mas esta foi a primeira vez que o mundo parou.

COLUNA DO LEO DIAS - Como está sua vida, Gloria? Neste momento tão confuso, como está a sua rotina de trabalho?

GLÓRIA PEREZ - A sinopse (de sua próxima novela) já foi entregue, estou mergulhada na pesquisa. Dessa vez, a experiência é bem diferente: tudo feito por call (ligação em vídeo). As entrevistas sobre os assuntos que vou abordar, as conversas com a emissora, com os pesquisadores -a Sandra Regina e o Fabricio Fabretti. Foi mais difícil para me adaptar a esse modo de fazer a pesquisa, eu gosto da pesquisa de campo, gosto de estar com as pessoas em seu ambiente. Mas tem funcionado.

E como você prevê a volta? As novelas serão diferentes?

O impacto foi grande. A humanidade conheceu outras pandemias, claro, mas essa foi a primeira vez que o mundo parou. Literalmente parou. Então, teremos um antes e um depois do coronavírus, até mesmo nas nossas vidas cotidianas, e é claro que isso deve se refletir também nas novelas.

Como você vê esse momento para a televisão, que não pode produzir mais conteúdo próprio, exibindo reprises, e a internet bombando com as transmissões ao vivo. Dizem que a internet já cresceu neste período o que cresceria em cinco anos. E aí, Glória, você foi a primeira a falar de internet na TV. Previa tamanha evolução?

Tenho pensado muito na nossa relação com a internet, a de antes e a de durante o coronavirus. Hoje, o que seria de nós se não fossem esses avanços tecnológicos que nos permitem conviver, anda que através do computador com os nossos afetos? Mas o que me instiga mais é pensar sobre a nossa relação com o mundo real. Antes, estávamos meio que voltando as costas pra ele. Era comum ver pessoas numa mesa, cada uma voltada para o seu celular. Era comum não ter mais paciência para falar no telefone: tudo se podia comunicar através de mensagens, e mensagens cada vez mais telegráficas, que muitas vezes nem de palavras precisavam. Um emoji dava conta de dizer como tinha sido o seu dia, ou como você se sentia. Com o coronavírus, foi o mundo real que virou as costas para nós. Presos dentro de casa, vendo as cidades vazias, sentimos uma falta enorme da presença física dos outros, do convívio, das conversas olho no olho. Veja a quantidade de lives?

Como você analisa as mudanças recentes na Globo?

A empresa se organiza e se prepara para os novos tempos.

Sua história profissional está diretamente ligada à Globo e você já alcançou todas as marcas. O que falta pra Glória Perez?

Falta tanta coisa! Tenho tantas ideias para botar em prática: séries, filmes, livros? Ih, falta muito ainda.

Você é do tipo pessimista ou otimista? Qual a lição que o mundo vai tirar desse momento?

Eu sou realista. O tempo não para, como diz Cazuza, e o tempo se renova sempre. Todas as gerações passam pela experiência de ver o mundo que as formou se diluir e dar lugar a outro. E de vez em quando essas mudanças são bruscas e profundas, como a que estamos vivendo agora. Teríamos grandes lições para tirar desse momento, mas a humanidade não tem sido muito boa em tirar lições, não é?

Uma das suas marcas nas suas tramas é o olhar à frente, que naquele momento parece estranho, mas com o tempo se torna normal. O que você colocaria numa novela hoje, que você crê que será assim no futuro?

Aí você vai ter que esperar minha próxima novela. Está muito cedo para dar spoiler...

O que a Gloria Perez está assistindo ou lendo nesse período? A dramaturgia já faz parte da vida do brasileiro, você acha que isso vai mudar algum dia?

Não! Enquanto houver gente no mundo, as pessoas vão gostar de ouvir histórias de gente. As novelas retratam a vida cotidiana dos brasileiros, seus problemas, seus sonhos e aspirações.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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