PUBLICIDADE
Topo

Coluna

Mauricio Stycer


"Bom Sucesso" repete erro de "Totalmente Demais" e aposta em trama soturna

Elias (Marcelo Faria) e Paloma (Grazi Massafera) em cena de Bom Sucesso - Reprodução/TV Globo
Elias (Marcelo Faria) e Paloma (Grazi Massafera) em cena de Bom Sucesso Imagem: Reprodução/TV Globo
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

19/12/2019 05h01

Maior sucesso de audiência desde "Cheias de Charme" (2012), "Bom Sucesso" termina no final de janeiro com a expectativa de alcançar uma média de 30 pontos, em São Paulo.

Os bons resultados após 120 capítulos não impediram os autores de promover uma mudança radical, de uma hora para a outra, no tom da novela - a comédia ganhou ares de filme de terror esta semana com a entrada em cena de um vilão da pior espécie.

Dado como morto, Elias (Marcelo Faria), um ex-marido de Paloma (Grazi Massafera), ressurgiu das cinzas por ter o mesmo sangue raro que a filha Gabriela (Giovanna Coimbra) precisa para sobreviver. Mas ele é tão mau que decidiu só fazer uma transfusão se receber R$ 200 mil em troca.

Tocando o terror há quase uma semana, o personagem horrorizou muitos fãs da novela. Até o vilão oficial de "Bom Sucesso" parece ter se assustado e sumiu desde que Elias apareceu. Diogo (Armando Babaioff) já causou duas mortes na trama, mas foi construído com humor e suas maldades, de um modo geral, não provocaram a mesma repulsa que a causada por Elias.

É verdade que houve, em setembro, uma situação de muita violência em "Bom Sucesso", o sequestro de Paloma e o assalto à casa de Alberto (Antonio Fagundes). Mas aquela foi uma sequência mais curta e não causou a impressão, como agora, que a novela perdeu o seu tom, próximo da fábula.

Nas redes sociais, a piada (boa, diga-se) é que Elias foi uma criação de Walcyr Carrasco, o mago das novelas com situações chocantes e de boa audiência.

O mais curioso nesta virada de "Bom Sucesso" é que Paulo Halm e Rosane Svartman foram criticados por terem feito uma manobra semelhante em "Totalmente Demais" (2016).

A novela, que foi muito bem de audiência também, já havia passado do capítulo 100 quando começou a investir em tramas pesadas. Primeiro, Dino (Paulo Rocha), o padrasto de Eliza (Marina Ruy Barbosa), assumiu feições monstruosas e se envolveu em uma história criminosa com o objetivo de roubar o dinheiro que a menina conquistou ao ser eleita a modelo Totalmente Demais.

Assim como a jovem Gabriela em "Bom Sucesso", que ficou entre a vida e a morte após salvar Alberto, o jovem Wesley (Juan Paiva) em "Totalmente Demais" também sofreu horrores após salvar a vida de Montanha (Toni Garrido), ser atropelado e ficar paraplégico.

Depois, surgiu em cena a psicopata Sofia (Priscila Steinman). A jovem era a filha de Germano (Humberto Martins) e Lili (Vivianne Pasmanter), que havia morrido e, inexplicavelmente, dois anos depois, reapareceu para se vingar dos pais, do ex-namorado e da meia irmã.

O mais interessante é que a trama de "Totalmente Demais", inspirada em "Cinderela" e "Pigmalião", não perdeu audiência com a mudança de clima na reta final. Pelo contrário. Os autores e a Globo devem contar com a mesma situação agora, em "Bom Sucesso".

* * *
Ouça o podcast UOL Vê TV, a mesa-redonda sobre televisão com os colunistas Chico Barney, Flávio Ricco e Mauricio Stycer e a editora Debora Miranda. Os podcasts do UOL estão disponíveis em uol.com.br/podcasts, no Spotify, Apple Podcasts, Google Podcasts e outras plataformas de áudio.

Siga a coluna no Facebook e no Twitter.

Mauricio Stycer