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Mauricio Stycer


Porchat: Um ato terrorista sem solução é um aval para que outros aconteçam

O humorista Fábio Porchat, criador do especial "A Primeira Tentação de Cristo", da Netflix - Reprodução/TV Globo
O humorista Fábio Porchat, criador do especial "A Primeira Tentação de Cristo", da Netflix Imagem: Reprodução/TV Globo
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

25/12/2019 16h21

O humorista Fábio Porchat espera que a polícia esclareça o mais rápido possível as circunstâncias do ataque com coquetéis molotov à sede da produtora Porta dos Fundos ocorrido na madrugada de terça-feira (24). "Precisamos resolver isso o quanto antes. Porque se ficar sem solução um atentado como esse, é um aval, uma permissão para que mais coisas como essa aconteçam, não só com a gente".

E acrescentou, em entrevista à coluna: "Qualquer ato terrorista precisa ser resolvido o mais rápido possível para mostrar que o país, o Estado, estão atrás disso, estão empenhados em não deixar que isso aconteça".

Porchat disse lamentar "o momento de intolerância, não só religiosa, mas ideológica" que o país vive. "As pessoas estão mais agressivas. A gente vê isso. Quantos centros de umbanda são atacados, queimados e destruídos? Acho um absurdo que isso esteja acontecendo".

O humorista também falou sobre a repercussão do especial de Natal "A Primeira Tentação de Cristo", exibido pela Netflix desde o início de dezembro, de sua autoria. O programa apresenta um Jesus Cristo gay, interpretado por Gregório Duvivier, que se relaciona com o jovem Orlando (Porchat). Além disso, Deus (Antonio Tabet) vive um triângulo amoroso com José (Rafael Portugal) e Maria (Evelyn Castro).

Porchat observa: "Eu sinto que o especial de Natal do Porta escancarou a homofobia das pessoas. Quanto mais as pessoas odeiam o especial, isso diz mais sobre elas do que sobre o especial".

Lembrando-se do programa exibido em 2018, "Se Beber, Não Ceie", ele diz: "Tanto que o Jesus do especial anterior, mais beberrão, mau caráter, gostava de festas, não atiçou a ira de ninguém. Pros homofóbicos, gay é um xingamento. Para nós, do Porta dos fundos, é uma característica."

Tomando o cuidado de não querer soar desafiador, Porchat diz que o atentado contra o Porta dos Fundos não vai intimidar o grupo. "Isso nos dá mais força para nos unirmos e continuarmos assim. O Porta dos Fundos não vai parar de fazer o que acredita. Isso não faz com que repensemos o nosso conteúdo. A gente acredita que está no caminho certo."

Nos últimos dois dias, o Porta dos Fundos divulgou em seu canal no You Tube novos vídeos de humor com temática religiosa. Em "Meu Corpo, Minhas Regras", um anjo é acusado de machismo. E em "Amigo Secreto de Jesus", o próprio é um estraga prazeres que atrapalha a brincadeira adivinhando todos os presenteados.

Porchat conversou com o UOL por telefone, do México, onde está de férias. No próximo dia 7, segue para Los Angeles, onde fica até março fazendo um curso de roteiro.

"Uma coisa que vale ser dita é o apoio das pessoas", acrescenta. "Muito grande. Para não dizer todo mundo, a grande maioria das pessoas, na internet."

O humorista diz ter sentido a mesma boa repercussão com "A Primeira Tentação de Cristo". "Se fala muito, mas nas ruas, eu estava no Brasil até o dia 21, as pessoas só vinham falar coisas boas pra mim. Para não dizer todo mundo, uma mulher, no aeroporto, me disse: 'não gostei do seu filme' e saiu rindo. De resto, as pessoas se divertem muito. Gostam, falam bem. A sensação individual dos atores também é muito positiva".

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