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Se "casar" com governo, Regina deve encerrar relação de 50 anos com a Globo

Regina Duarte (Lucerne) contracena com Tony Ramos (José Augusto) em "Tempo de Amar" (2017), seu último papel na Globo  - Reprodução
Regina Duarte (Lucerne) contracena com Tony Ramos (José Augusto) em "Tempo de Amar" (2017), seu último papel na Globo Imagem: Reprodução
Mauricio Stycer

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Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

20/01/2020 16h07Atualizada em 20/01/2020 18h36

Se aceitar um cargo no governo Bolsonaro, Regina Duarte vai ser obrigada a romper o seu longo vínculo com a Globo. A atriz está na emissora desde 1969, com uma breve interrupção entre 1984 e 85. São cerca de 50 anos de contrato.

Nesta segunda-feira (20), a atriz não deixou totalmente claro o seu novo status profissional. Após um encontro com o presidente Jair Bolsonaro, que a convidou para ocupar a Secretaria de Cultura, no lugar de Roberto Alvim, demitido na última sexta-feira, ela disse que irá a Brasília ainda esta semana para conhecer a estrutura do órgão e afirmou: "Estamos noivando".

"A atriz Regina Duarte tem contrato vigente com a Globo e sabe que, se optar por assumir cargo público, deve pedir a suspensão de seu vínculo com a emissora, como impõe a nossa política interna de conhecimento de todos os colaboradores", informou a emissora em nota, no meio da tarde.

Vinda na TV Excelsior, onde atuou em quase uma dezena de novelas nos anos 1960, a atriz estreou na Globo em "Véu de Noiva", de Janete Clair, dirigida por Daniel Filho.

Nesta sua primeira fase na emissora, trabalhou em inúmeras outras novelas célebres ("Irmãos Coragem", "Selva de Pedra", "Carinhoso", "Fogo Sobre Terra", "Sétimo Sentido"), tornou-se a "namoradinha do Brasil" (por causa de "Minha Doce Namorada", em 1971) e fez a lendária série feminista "Malu Mulher" (1979-80).

Entre 1984 e 1985, Regina deixou a Globo para protagonizar o seriado "Joana", de Manoel Carlos, uma produção independente exibida na Manchete (e posteriormente no SBT). Voltou ainda em 85 para ser a protagonista de "Roque Santeiro", e emendou outros três sucessos ("Vale Tudo", "Rainha da Sucata" e "Por Amor").

A partir dos anos 2000, os papeis de destaque começam a ser mais raros. Regina fez participações em várias novelas e em minisséries. Em 2011, ganhou um bom papel, o de Clô Hayalla, no "remake" de "O Astro". Em 2017, fez um papel bem secundário em "Tempo de Amar" - foi o seu último trabalho na TV.

A falta de bons papéis incomodou a atriz, como ela revelou em entrevista a O Globo, ao fazer 70 anos, em 2017: "Isso me gerou muita frustração no começo, mas eu me acostumei".

Colaborou Felipe Pinheiro, de UOL TV e Famosos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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