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Cinco provas de que o humor não é o forte do autor de "Segundo Sol"

João Emanuel Carneiro já errou a mão em diversos núcleos de humor - Globo/João Miguel Júnior/Globo/Reprodução/Globo/Caiuá Franco/Montagem UOL
João Emanuel Carneiro já errou a mão em diversos núcleos de humor Imagem: Globo/João Miguel Júnior/Globo/Reprodução/Globo/Caiuá Franco/Montagem UOL

Guilherme Machado

Do UOL, em São Paulo

16/08/2018 04h00

"Segundo Sol" está pegando fogo. A trama, cheia de reviravoltas, promete ainda mais novidades conforme se aproxima do capítulo 100. Mas enquanto os vilões e personagens ambíguos têm feito a alegria dos fãs, há quem torça o nariz para o núcleo cômico, principalmente o casal Gorete (Thalita Carauta) e Clóvis (Luis Lobianco).

O romance, além de apresentar algumas situações forçadas -- como a da cama quebrando quando os dois decidem dormir juntos – destoa do resto da novela. A situação gerou comparações de João Emanuel Carneiro com Walcyr Carrasco, autor da antecessora "O Outro Lado do Paraíso" e conhecido por seu estilo pouco sutil. 

Esta, no entanto, não é a primeira vez em que João Emanuel e o humor não se deram muito bem. Em diversas de suas novelas, o autor criou núcleos cômicos que pareciam desconectados do resto da trama e que não contribuíram muito para o sucesso. O UOL relembra algumas:

  • Globo/Gianne Carvalho

    "Dá comida pro avestruz!"

    Com "Da Cor do Pecado" (2004), João Emanuel Carneiro deu início a uma tendência que se tornou quase uma de suas marcas registradas: o núcleo dos ex-ricos. Só que o par formado por Vera (Maitê Proença) e Eduardo (Ney Latorraca) não deu lá muito certo.

    Na história, os dois eram os pais de Bárbara (Giovanna Antonelli), a grande vilã da novela. Eles perderam tudo e faziam o que podiam para recuperar os seus dias de glória.

    Eduardo, por exemplo, descobriu que a criação de avestruzes era um negócio criativo, e comprou um par das aves para tentar fazê-las reproduzir, deixando Vera irada.

    As cenas mais chamaram atenção pelo bizarro do que fizeram rir.

  • Globo/Márcio de Souza

    Santa, pero no mucho...

    Eva (Eliane Giardini) era uma católica fervorosa que sempre buscou passar todos os seus valores para os filhos em "Cobras e Lagartos" (2006). Entretanto, foi se casar justamente com Serafim (Otávio Augusto), um bandido. No início da novela, quando ele sai da cadeia, ela decide lhe dar uma última chance de voltar a fazer parte da família.

    Os dois viviam às turras, enquanto Eva fazia de tudo para manter sua fé intacta. Nem sempre dava certo. Quando a filha ganhou na loteria, ela não queria o dinheiro, por medo que fosse maldito, mas mudou de ideia quando pensou que poderia "ajudar mais pessoas".

    Em determinado momento, a personagem sofreu um acidente na rua e acordou com uma nova personalidade: Esmeralda, uma mulher completamente despudorada que não reconhecia a própria família.

    Sem grandes destaques, a história caiu muitas vezes na repetição.

  • Reprodução/Globo

    A mão que ordenha vacas

    Novela com forte apelo ao drama, sem uma mocinha clássica, "A Favorita" (2008) não tinha muito espaço para o humor. Mas quando o autor resolveu aumentar a comédia em um dos núcleos, acabou errando a mão

    Orlandinho (Iran Malfitano) era um jovem homossexual que pertencia a uma família muito rica. Halley (Cauã Reymand), que era um malandro, quis se dar bem às custas do jovem e se fez passar por um amigo de infância dele. Orlandinho se apaixona por Halley, mas acaba se relacionando com Céu, vivida por Deborah Secco para esconder sua orientação sexual da família.

    A partir daí, iniciam-se algumas situações um tanto questionáveis. Em uma conhecida cena na piscina, por exemplo, Halley pediu para Céu lhe passar protetor solar. "Deixa que eu passo", pediu Orlando. "Não, não, eu prefiro que a Céu passe", rebateu Halley. "Não quero melar a mão. Deixa o Orlandinho passar o protetor em você, deixa", disse Céu.

    Os rapazes começam uma discussão quando a avó de Orlando, Geralda (Suely Franco) aparece e, após elogiar o porte físico de Halley, resolve ela mesma esfregar o rapaz, enquanto Orlandinho fazia caras e bocas. Em um dos momentos mais constrangedores, a avó soltou a pérola: "Com uma mão dessas dá para ordenhar cinco vacas em uma hora".

    Ao final da trama, o núcleo ainda foi criticado por Orlandinho acabar se apaixonando por Céu e deixando Halley de lado... Parece que Walcyr Carrasco escreveu outras tramas de João Emanuel também.

  • Globo/Raphael Dias

    Triângulo do fracasso

    O drama de Cadinho (Alexandre Borges) e suas três mulheres pareceu muitas vezes existir só para preencher a cota de humor em "Avenida Brasil" (2012). O empresário tentou se desdobrar entre suas três famílias em uma história que parecia uma mistura de "Sassaricando" com alguma sitcom mal-acabada.

    E quando as mulheres dele descobriram a farsa, o que aconteceu? João Emanuel decidiu mais uma vez usar a estratégia dos ex-ricos e fez com que Cadinho perdesse tudo, forçando as três mulheres da zona sul carioca terem que se virar para sobreviver.

    No final, Noêmia (Camila Morgado), Alexia (Carolina Ferraz) e Verônica (Débora Bloch) decidiram que amavam demais Cadinho e aceitaram viver com ele como uma grande família.

    Que pena que ninguém se importou, já que a trama de vingança vivida por Nina (Débora Falabella), Carminha (Adriana Esteves) e os novos ricos no fictício bairro do Divino eletrizou o público.

  • Globo/Caiuá Franco

    Remix que não deu onda

    "A Regra do Jogo" (2015) parece reunir todas as tentativas de fazer humor do humor nas tramas anteriores --sem muito sucesso.

    Para começar, havia o núcleo do funkeiro Merlô (Juliano Cazarré) e suas merlozetes, um triângulo amoroso que não decolou. Pior, ao longo da novela, o cantor entrou em uma crise existencial e ficou perdido na vida, sendo dominado pela mãe, Adisabeba (Susana Vieira).

    Monique Alfradique e Bruno Mazzeo encarnaram um "quadrado amoroso" após irem morar na favela com os personagens de Cris Vianna e Fábio Lago. O que isso tinha a ver com a trama principal? Absolutamente nada.

    Isso sem falar do núcleo da família de Feliciano (Marcos Caruso), mais um de ricos falidos que tiveram que botar a mão na massa pela primeira vez para sobreviver. Mera coincidência?

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