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Deu a louca nas novelas: 2015 teve pragas, Turquia e Fernandona rejeitada

Sétima reprise de "Maria do Bairro", "Os Dez Mandamentos" e novelas turcas marcaram o ano de 2015 na TV  - ArteUOL
Sétima reprise de "Maria do Bairro", "Os Dez Mandamentos" e novelas turcas marcaram o ano de 2015 na TV Imagem: ArteUOL

Natália Guaratto

Do UOL, em São Paulo

10/12/2015 07h00

Parecia tudo bem com as novelas brasileiras até que o fantasma do Comendador, de “Império”, surgiu na janela da mansão da família Medeiros em plena sexta-feira 13. Não se sabe se José Alfredo jogou uma maldição, mas o fato é que a partir daquela data, a dramaturgia brasileira não foi mais a mesma.

O cenário era promissor, Carminha (Adriana Esteves) voltaria à TV em uma dobradinha “vilânica” histórica com Glória Pires, mas “Babilônia” não se entendeu com o telespectador e sobrou até para Fernanda Montenegro. Sim, o ano é 2015, o século é 21, mas Fernandona teve que se explicar por beijar outra mulher na TV.

Para a alegria da família brasileira, “Verdades Secretas” chegou e preencheu o vazio noveleiro existencial, deixando as imagens dos dentes de Grazi apodrecidos pelo crack e das nádegas à meia-luz de Rodrigo Lombardi marcadas para sempre em nossos corações.

O que ninguém esperava era que o gigante, quer dizer a Record, iria acordar. E com um golpe do cajado de Moisés, “Os Dez Mandamentos” se instalou como uma praga do Egito: venceu “A Regra do Jogo” no Ibope e vai estar onipresente em nossas vidas, pelo menos até 2016.

No universo paralelo, a Band dava uma de Glória Perez e inaugurava uma faixa de tramas turcas de verdade na programação. Ou vai dizer que você nunca ouviu falar de “Mil e Uma Noites” e “Fatmagul”?

Sem paciência para quem está começando, o SBT, canal que mais entende de novelas gringas, levou o conceito de “Vale A Pena Ver De Novo” ao limite e colocou “Maria do Bairro” no ar pela sétima vez.

Como em “Além do Tempo”, muita gente vai precisar de uma segunda chance na vida para entender o que houve com as novelas brasileiras em 2015. Mas não precisa gastar 120 anos para isso.

O UOL listou tudo o que aconteceu

  • Divulgação/TV Globo

    "Novelão desvairado"

    "Cruuuzes", diria o jornalista Teo Pereira (Paulo Betti) se tivesse que fazer uma crítica sobre a vilã Cora rejuvenescer de Drica Morais para Marjorie Estiano. Mas o autor Aguinaldo Silva nunca negou que "Império" era um "novelão desvairado", então tudo bem. Maluca e misteriosa como seu protagonista, o Comendador (Alexandre Nero), a história terminou sombria, mas teve final feliz: saiu vencedora do Emmy Internacional.

  • Divulgação

    Turquia é logo aqui

    E não mais que de repente estávamos todos ligadíssimos na história de amor de Sherazade (Bergüzar Korel) e Onur ((Halit Ergenç), casal que se apaixonou depois que a moça aceitou fazer um programa para pagar o tratamento de leucemia do filho. Ok, nem todo mundo assistiu, mas para 50% dos internautas do UOL, que votaram na enquete "Qual sua novela preferida", a história era a melhor novela no ar em abril deste ano. Além disso, dobrou a audiência da Band no horário e abriu passagem para "Fatmagul", turca que vive uma paixão com um homem que a assistiu sendo estuprada.

  • TV Globo/Reprodução

    Quanto mais DR, melhor

    Há quem diga que assistir à "Sete Vidas", trama das seis da Globo, era como levar um tapa na cara diariamente. Calcada em DRs, mulheres fortes, homens frágeis e temas importantes, a novela ficou quatro meses no ar e fez o que nenhuma trama das nove conseguiu: discutir novos modelos familiares sem agredir a audiência conservadora.

  • Divulgação

    Culpa dos paulistas

    "Cafetão e garota de programa não pode", foi o que Gilberto Braga ouviu da Globo quando "Babilônia" entrou no ar. A novela foi reescrita a partir das críticas de grupos de discussão - paulistas em sua maioria - , alegou o autor. Nem mesmo o Altíssimo, sempre convocado pela conservadora Consuelo (Arlete Salles), salvou. A história que começou com um beijo entre Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg, as sapatosas, se despediu com um incipiente "quem matou".

  • Munir Chatack/Record

    Mistura do Brasil com Egito

    A Record tanto fez em "Os Dez Mandamentos" que conseguiu tornar o irresistível trocadilho "divisor de águas" em realidade. Com as dez pragas do Egito e a abertura do Mar Vermelho, a novela quebrou a hegemonia da Globo na audiência do horário nobre, algo que não acontecia há 25 anos. Mostrando que Moisés é o poder, a emissora encomendou mais capítulos, segunda temporada, disponibilizou no Netflix e vai até lançar filme nos cinemas.

  • Reprodução/TV Globo

    De volta para o futuro

    Vira e mexe a Globo coloca no ar uma novela sobre reencarnação, tema que sempre garante espectadores, o que não foi diferente com "Além do Tempo". Mas a novela ousou mais ainda ao dividir sua narrativa em duas épocas diferentes. Passada no século 19, a trama teve o fim da primeira fase sangrenta e trouxe todos os personagens de volta para resolverem seus conflitos mais de 100 anos depois.

  • Pedro Curi/TV Globo

    Poderoso Chefão de Paraisópolis

    Se 2015 fosse uma novela, ele seria "I Love Paraisópolis". Ninguém entendeu nada, a começar pelas falas de Tatá Werneck, cujos problemas de dicção foram observados primeiramente por Ricardo Macchi, o Cigado Igor, e posteriormente elogiadas por Lima Duarte. "Ela é um milagre da comunicação. Ninguém entende o que ela fala, mas ri do que ela diz", disse o ator. De volta à trama na pele de um mafioso italiano, depois de uma breve participação nos capítulos iniciais, Seu Lima resumiu o sentimento de todo uma nação perante a novela: "Não conheço ninguém, não sei os personagens, não conheço bem a história".

  • Reprodução/Gshow

    Manda nudes

    Dizendo "love you, love you, love you" já na abertura, "Verdades Secretas" mexeu com a fidelidade geral. Enquanto Alex (Rodrigo Lombardi) pulava a cerca com a enteada Angel (Camila Queiroz), a gente ignorava uns episódios de "MasterChef" só para ver os nudes semanais de Grazi, Brunet, Gianechinni, Pedrinho do Sítio e companhia. Ainda ganhamos uma expressão para chamar de nossa: "book rosa" e a oportunidade de reparar a final do "BBB5". Grazi pode até não ter ganhado um R$ 1,5 milhão, mas até um Oscar para a atriz, por seu papel como viciada em crack, a gente pediu.

  • Divulgação

    Y a mucha honra

    Quando a TV brasileira já tinha nos surpreendido o suficiente veio ele, Silvio Santos, e com muita honra, deu o play na SÉTIMA reprise de "Maria do Bairro". Podia ter gerado revolta, afinal sete vezes, só se for gol da Alemanha. Mas estamos falando do SBT, o canal mais feliz do Brasil, que pensou na internet e usou memes para promover a novela. Luis Fernando virou o boy magia, Soraya, a falsiane, e os choros mexicanos agora são "babado e confusão". Atire a primeira pedra quem não ficou com vontade de ver.

  • Reprodução/Gshow

    O Comendador (não) voltou

    Parece o Comendador, era para ser cheio de mistério como o Comendador, mas a única coisa que Romero de "A Regra do Jogo" tem do falecido imortal de "Império" é o talento com as mulheres de "A Regra do Jogo". Com seu segundo protagonista em sete meses e a missão de levantar a audiência da Globo, Alexandre Nero está mais para "donzelo" disputado por Atena (Giovanna Antonelli) e Tóia (Vanessa Giácomo) do que para vilão - ou herói? - da facção.

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