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Personagem de Antonio Fagundes sofre rejeição do público em "Velho Chico"

Zo Guimaraes/Folha Press
Rodrigo Santoro fez um coronel tão carismático que "atrapalha" Antonio Fagundes Imagem: Zo Guimaraes/Folha Press
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

18/04/2016 09h49

Dados exclusivos de um dos grupos de discussão de “Velho Chico”, obtidos por esta coluna, mostram descontentamento com o personagem de Antonio Fagundes, o coronel Saruê desta segunda fase da novela de Benedito Ruy Barbosa. Na primeira, Saruê foi interpretado por Rodrigo Santoro.

Segundo esta coluna apurou, a troca de Santoro por Fagundes, como continuidade de um mesmo personagem, não convenceu. E não só pela aparência, pela compleição física “nada a ver” de ambos, mas principalmente pelo que se chama em dramaturgia de “composição”.

É quase consenso que a composição (que é a construção do personagem pelo ator, os maneirismos, a entonação, postura etc) do coronel Saruê, de Rodrigo Santoro, foi acima do esperado, brilhante.

Mas, a entrada  do coronel de Fagundes, segundo essa amostra de telespectadores, foi como o surgimento de um novo e desagradável personagem. Não agradou.

Pode-se dizer que o coronel de Santoro criou uma empatia tão grande com o público da primeira fase que Fagundes deixa a desejar a esse mesmo público, na segunda.

Mas, obviamente, é cedo para quaisquer pessimismos sobre o personagem, pois Antonio Fagundes, 66, não é um artista que se possa subestimar.

ATRASO

Conforme esta coluna antecipou na semana passada, o elenco e a produção de “Velho Chico” estão vivendo momentos de tensão: personagens estão sendo limados, elenco contratado tem sido desperdiçado em locações não utilizadas ou subutilizadas em várias cidades do país e, o pior:

O diretor Luiz Fernando Carvalho e o autor Benedito Ruy Barbosa e sua equipe (comandada por sua filha, Edmara) estariam se estranhando porque o primeiro estaria “dilacerando” trechos inteiros da história, assim como eliminado personagens, de forma autônoma.

Isso estaria irritando sobremaneira a família Ruy Barbosa. A Globo, por meio de sua CGCom, nega que estejam ocorrendo quaisquer problemas entre diretor e autor, e que é natural uma novela com duas fases ter dificuldades em sua produção.

O QUE É ISSO

Grupos de discussão são uma ferramenta usada pela Globo e outros veículos do mundo todo para avaliar suas produções. No Brasil são famosos os grupos de  novelas, criados pela Globo.

No caso da emissora carioca, ela nunca revelou a metodologia para formação de seus grupos, mas sabe-se que há análise do perfil, do horário, do tipo de atração e até um cruzamento com dados do IBGE.

Dependendo da emissora, fazer parte desses grupos não rende “salários”, mas há algumas bonificações, presentes, e ainda mimos durante as discussões. etc.

As pessoas têm liberdade para expressar qualquer opinião. No caso de “Velho Chico”, boa parte do grupo de discussão desta segunda fase também fez parte do grupo da primeira.

É notória a participação de donas de casa nos grupos de dramaturgia da Globo.

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