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Ricardo Feltrin

Para especialistas, caixa que pirateia TV por streaming é "Cavalo de Troia"

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Nova modalidade de pirataria, a HooliTV furta o sinal de TV das operadoras e o transmite via streaming Imagem: Reprodução
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

27/08/2017 13h50Atualizada em 29/08/2017 09h48

A mais nova forma de piratear a TV paga, que vem sendo anunciada na internet, é a HooliTV.

Trata-se de uma caixa que permite o pirateamento o sinal de todos os canais via streaming. No mercado ela está sendo vendida por R$ 360.

Representante da HooliTV nega qualquer ilegalidade (veja mais abaixo), diz que seu produto é apenas uma "android box", mas confirmou que está alterando as propagandas no ar porque as anteriores causavam "mal entendidos".

Na propaganda, a HooliTV parece representar o fim da dor de cabeça causada pelas caixas anteriores (como a AZBox) já que não pode ter seu sinal derrubado ou prejudicado pelas operadoras (seu sinal vem pela internet).

Segundo especialistas ouvidos pela coluna, o produto é ilegal. Questionada sobre isso, a Anatel, não respondeu até a atualização deste texto.

Para os expertes, os vendedores da HooliTV não informam que o equipamento na verdade pode ser considerado uma “caixa preta”. Ou pior: uma “chave” que permite aos seus operadores invadirem a rede do usuário e furtar dados ou senhas.

“É um equipamento que sai diretamente das mãos dos piratas para o usuário final e somente ele, o pirata, conhece o sistema contido nesses aparelhos. O mesmo vale para os servidores de onde as caixas recebem o conteúdo pirateado. Eles são operados pelos piratas e são eles que decidem o que será enviado aos usuários, além da programação da TV”, afirma Mateus Dalponte, gerente de Antifraude e Proteção de Marca Axur.

Para ele, que tem um PhD na área, as novas caixas são uma grande fatr de risco. “O sistema desta caixa pode estar configurado para capturar informações bancárias, pode alterar configurações do roteador (as configurações de DNS, por exemplo) e fazer que o usuário seja vítima de fraudes online (aparentemente sem relação com pirataria), instalar um vírus (como ransomware), pode ser usado para minerar bitcoins, que irão para as contas dos piratas.”

Rodrigo Antão, da GC Security, é ainda mais pessimista sobre o equipamento pirata. O especialista considera que a HooliTV e outras caixas do gênero podem ser como “cavalos de Troia” que usuário traz para dentro de casa. E que podem estar configuradas para fazer muito mais que apenas furtar dados.

“Riscos que até então só eram imagináveis em cenários apocalípticos de filmes se tornam uma preocupação real e imediata, especialmente para consumidores com pouco conhecimento tecnológico. Ameaças contra sua segurança física e sua privacidade se tornam um ponto importante de atenção”, diz o executivo.

“Esses equipamentos podem coletar deliberadamente dados de sua residência, (e até) ouvir as conversas no ambiente, identificar quantas pessoas há na residência, até que tipo de sistema de alarme está funcionando”, afirma.

“O usuário está expondo sua família a riscos que até então eram protegidos por muros, portas e portões de acesso. Neste novo cenário, o intruso pode estar já dentro de casa, identificando formas de perpetuar seu acesso e gerando assim o maior dano possível”, declara.

“Colocar uma caixa pirata na sua rede de casa é o mesmo que deixar um computador controlado por piratas nessa rede. Neste caso, o pirata não precisa esperar por nenhuma ação do usuário (como abrir um email). Ele pode, através de atualização de firmware, instalar um malware na caixa”, reforça Dalponte.

“Este malware não afetaria o funcionamento da caixa, mas poderia alterar o roteador da forma menciona acima ou monitorar o tráfego para coletar dados de interesse do fraudador. Seria uma porta aberta para os piratas”, diz.

A Receita Federal também está atuando contra a ação dos piratas desde ao menos 2015.

As caixas mais antigas de pirataria, como AZBox e outras, estão perdendo terreno justamente porque as operadoras estão avançando cada vez mais em mecanismos que derrubam seus sinais ou pelo menos o prejudicam bastante, tanto em som como em imagem

A ABTA (Associação Brasileira de TVs por Assinatura) disse que, por ser uma nova modalidade, ainda não tem dados ou estimativas de quantas caixas HooliTV já estão em operação no Brasil.

OUTRO LADO

Em nota enviada à coluna nesta segunda-feira (28), suposto representante de vendas da HooliTV nega todas as afirmações dos especialistas.

Segundo ele, o equipamento é "apenas uma Android Box", e que não tem instalado nenhum tipo de malware ou qualquer outro dispositivo que permita a pirataria,

O representante, porém, admite que ela possa ser usada com esse fim (pirataria) pelos usuários; mas se isenta de responsabilidade.

Ele também admitiu que as propagandas que estavam no ar eram "muito agressivas", e que poderia "dar a entender" que produto tivesse como fim a pirataria. Ele afirmou que as propagandas estão sendo alteradas.

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