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Ricardo Feltrin

Penélope Nova: "Tenho pena dos 'haters', por isso não os excluo das redes"

Divulgação
Penélope Nova volta a dar conselhos sobre amor e sexo em seu canal no You Tube Imagem: Divulgação
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

01/05/2018 10h08Atualizada em 01/05/2018 16h31

Penélope Cotrim Nova começa a entrevista avisando que nasceu num sanatório (o Espanhol, em Salvador). “Acho legal ter vindo ao mundo num sanatório. Combina.”

Ela conta que os pais se apaixonaram perdidamente, mas que eram de mundos diferentes.

Quando se conheceram, o pai (Marcelo) tinha 19 anos e era um “hippie”.

A mãe, filha dileta em uma uma família conservadora do interior da Bahia (Jequié), tinha apenas 15 anos.

Hoje, aos 44 anos, professora de educação física e personal trainer, Penélope tem um físico impressionante: a musculatura absolutamente definida e, visivelmente, uma quantidade ínfima e invejável de gordura corporal.

Obcecada com sua própria alimentação, tanto no conteúdo como no horário, durante a entrevista ela pede licença e retira da mochila  potinhos de comida saudável: muitos legumes, verduras, proteína “magra” (um filé de franguinho grelhado) e poucos carboidratos.

No próximo dia 8, uma terça-feira, 22h, Penélope estreia, ao vivo, o "P & Ponto", um canal de aconselhamento e dicas amorosas no YouTube - www.youtube.com/pponto

Trata-se de uma reedição do extinto “Ponto Pê”, que fez sucesso na MTV na década passada.

Veja abaixo os principais trechos de uma entrevista exclusiva com ela.

Você me disse que sentia falta não da TV, mas do programa “Ponto Pê”...

Penélope Nova - Muita. Minha vontade sempre foi retomar esse tema. O ‘Ponto Pê’ foi o programa que me tornou mais conhecida no país, num grau inimaginável. Olha, é da década passada, e até hoje as pessoas me param na rua para falar dele, e não da minha participação em “A Fazenda”, por exemplo.

Você acha que tem uma vocação natural para conselheira amorosa ou sexual?

Penélope - Acho, sim. Bom, não sei se vocação, mas isso de dar conselhos, de ouvir os outros, é algo que eu sempre fiz. Desde criança.

Desde criança?

Penélope - É, eu sempre me meti na vida dos outros (risos). Quer dizer, mediante convite. Bom, na maioria das vezes (risos). Mas eu sempre atraí gente com problemas, tanto amigos como gente que eu tinha acabado de conhecer. Eu atraio gente assim (risos).

E seus próprios problemas, como você trata?

Penélope - Eu procuro tratar com muita conversa comigo mesma (risos).

Você não tem ninguém com quem desabafar?

Penélope - Não, nem um pouco.

Porque a impressão que dá é que um “conselheiro amoroso” não tem problemas nessa área.

Penélope - Hahahahahahaha… Claro que tem. Aliás, imagino que uma vida sem problemas seria triste, vazia. Mas eu não penso no “P & Ponto” como um programa sobre problemas, ou só sobre sexo. É sobre relacionamento. Sobre circunstâncias do relacionamento, na verdade. Um caso de traição, uma fase de problemas com orgasmos…

Bom, hoje tem muita química por aí que ajuda no orgasmo...

Penélope - Pros homens, né, meu bem? Hahahaha… Por isso estão batalhando tanto por essa pílula aí pra nós, mulheres… Mas a verdade é que esse é um problema ainda dos dois lados.

Se um cara se sente pressionado, ou ansioso, por exemplo, ele pode ter problemas, pode broxar, não ter ereção. 

Soube que uma vez, umas horas antes de você apresentar o “Ponto Pê” na MTV, você tomou um fora…

Penélope - Verdade. Terminaram comigo. Tomei um pé na bunda na sexta à tarde, e logo depois tinha de apresentar o programa, que era ao vivo. E posso te dizer que aquela foi a melhor hora da minha semana, um dos melhores programas que eu fiz.

Aliás, depois daquilo, enquanto eu fiquei de “luto”, acho que todos os programas foram ótimos.

Você fica mal por muito tempo quando leva um fora?

Penélope - Defina “muito tempo”...

Sei lá, semanas, meses, anos…

Penélope - Olha… por umas duas semanas eu fico absolutamente imprestável. Mas aí já engato outro (relacionamento) e o sofrimento passa...

Isso me faz lembrar o começo do filme “Comer, Amar, Rezar”, em que a personagem da Julia Roberts confessa que vinha engatando um relacionamento atrás do outro nas últimas duas ou três décadas, sem nunca ficar sozinha…

Penélope - Eu sou assim. Ou melhor, fui assim.

Você não acha que há um exagero na sociedade atual para a importância do relacionamento? Às vezes penso que essa pressão é o que torna as pessoas apavoradas só de pensar em ficar solitárias, nem que seja por algum tempo…

Penélope - Eu acho que hoje a humanidade de forma generalizada criou um modelo que empurra a gente para qualquer tipo de fuga.

Eu acho que nós, durante a vida, não somos estimulados de nenhuma maneira, nem pela escola, nem pela própria família, nem pela formação, a pensar em nós mesmos.

Acho que a filosofia não foi incluída em nossa formação, em nossas vidas. Ouso dizer até que, talvez, a religião tenha entrado nesse espaço (da filosofia) e o ocupado. 

O relacionamento, nesse contexto, pode ser uma tentativa desesperada em busca de um conforto, de um alento, de um acolhimento.

Bom, mas as drogas também são usadas pelo mesmo motivo…

Penélope - Bom, mas a diferença é que com as drogas você pode morrer.

Depende. E Isso também pode ocorrer em alguns casos de relacionamento abusivo…

Penélope - Álcool e drogas são fugas. Mas, em alguns casos, sim, também acho que a busca desesperada por relacionamentos também seja uma fuga.

Vamos mudar o assunto… Você criou muita polêmica por ter sido uma das primeiras celebridades nacionais a falar pública e claramente a favor do aborto, a admitir que tinha feito aborto (revista “Trip”, 2005)

Penélope - Eu não acho que eu criei polêmica, eu falei uma verdade. Porque eu não via isso e não vejo até hoje como um problema para mim.

Como você lida com os "haters" na internet?

Penélope - Quer um exemplo? Meu Instagram é aberto. No meu entender, se minha rede social é aberta, da mesma forma que eu sou livre para escrever qualquer coisa nela, qualquer pessoa também é livre para escrever o que quiser.

Por exemplo, quando teve o 7 a 1 pra Alemanha eu fiz uma montagem muito tosca e coloquei uma imagem do atacante Hulk chorando com a bunda pra cima, aí na montagem enfiei uma salsicha alemã na bunda dele.

Então fiz um texto sobre o porquê eu achava um absurdo chorar tanto por uma coisa como uma partida de futebol. Lembro que estava com uma amiga e falei: “E aí, ‘bora’ perder seguidores?”

E perdeu?

Penélope - Nossa! Muuuuuuitos. Uma porrada.

Eu acho que só vai me seguir (nas redes) quem quer. Se não quer, vai embora. Se não gostar do que eu falo e quer parar de me seguir, adeus.

Quando teve recentemente uma decisão da Justiça de permitir a uma garota abortar, eu fiz questão de pegar e postar lá a minha capinha da revista que você citou e postar: Pô, finalmente é dado o direito a alguma mulher de blablablá…

Cara, em questão de segundos já tinha gente escrevendo que desejava que minha mãe tivesse me abortado, que eu devia morrer de doença e dor… Eu tô me lixando…

Você nem bloqueia?

Penélope - Não, eu não faço nada. Fica lá, eu não tô nem aí.

Eu não ligo pra “hater”, aliás, na verdade, tenho um pouco de pena, por isso não excluo.

Eu penso: 'Por que alguém perde tanta da energia para odiar alguém?' Eu acho engraçado que uma pessoa se incomode a esse ponto com a opinião ou os atos de uma outra pessoa que ela, na verdade, nem conhece…

Uma última pergunta: Por que você participou de “A Fazenda”?

Penélope - Absoluta e imperativa necessidade financeira, claro.

Imaginei… (risos)

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"P & Ponto": Penélope Nova volta ao vivo como conselheira sexual na web

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