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Ricardo Feltrin

Para renovar contrato, Disney quer mudanças e "sociedade" com o SBT

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Mickey Mouse, o mais antigo "garoto-propaganda" da Disney Imagem: Reprodução
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

20/07/2018 07h20

O SBT e a Disney mantêm uma boa parceria desde 2015. Pelo contrato atual, que vence no final próximo mês, o grupo norte-americano de mídia compra diariamente duas horas matinais da programação da TV brasileira.

No entanto, para renovar, a Disney deve propor mudanças no sentido de ampliar a parceria.

Segundo a coluna apurou --junto a fontes que pedem anonimato--, um de seus interesses é deixar de ser uma simples compradora de horário para se tornar “sócia” do SBT.

Ainda não está claro até onde pode ir essa proposta de acordo de sociedade.

Em suas duas horas diárias hoje, a Disney arca integralmente com todos os custos de produção.

Guardando as óbvias diferenças de qualidade e de conteúdo, é como se o SBT vendesse duas horas para uma igreja ou qualquer outra empresa produtora de conteúdo. Na verdade é a primeira vez que o SBT está realmente vendendo horário da grade como fazem suas concorrentes.

A Disney loca horário e exibe seu conteúdo no SBT da forma (e formato) que bem entender. Só que não fatura praticamente nada com publicidade, exceto a derivada da institucional. Isso por causa da legislação brasileira, que restringe quase que todo tipo de propaganda destinada ao público infantil.

MAS...

Com mudanças contratuais, no entanto, SBT e Disney poderiam passar a explorar comercialmente --juntos--, produtos uma das outras. Também podem fazer mais co-produções, como o seriado jovem "Z4" , que está chegando à programação da emissora de Silvio Santos.

O Grupo Disney hoje vê com muito bons olhos as novelas infanto-juvenis do SBT e, mais ainda, a forma como a emissora dribla as enormes restrições da legislação aos comerciais.  

No intervalo de sucessos como "As Aventuras de Poliana", por exemplo, você pode não ver propaganda de brinquedos. Mas, nas ruas, vai encontrar uma linha imensa de produtos ligados à novela e aos seus personagens.

Além disso há o enorme potencial de faturamento com a exportação da novela de Íris Abravanel para outros países e, no futuro próximo, também o lançamento de longas-metragens nos cinemas.  

Hoje, segundo a medição da Kantar Ibope Media, o “Mundo Disney” do SBT fica na faixa dos 5 pontos de ibope durante a semana, mas aos sábados e domingos é vice-líder isolado e, em algumas ocasiões, já rivalizou até com a Globo pela liderança.

Neste exato momento a Disney está fazendo uma ofensiva mundial para ampliar (ainda mais) seu tamanho e espaço na mídia. Nas próximas horas (ou dias) deve anunciar oficialmente a compra do grupo 21st Century Fox (Grupo Fox), por mais de US$ 70 bilhões.

OUTROS LADOS

A coluna procurou a Disney (por email) duas vezes, para comentar o assunto desta coluna.

Por meio de sua assessoria, a empresa disse que não se pronunciaria. Mesmo após a coluna insistir, a Disney não quis nem confirmar nem negar as informações desta reportagem.

Já o SBT também foi procurado --por escrito-- para se manifestar e informou, por meio de sua assessoria, que não o faria.

PLANO B

Conforme esta coluna antecipou em maio, se por acaso Disney e SBT não renovarem, Silvio Santos já tem na manga uma alternativa: o lançamento de um novo programa matinal e diário nos moldes do “Good Morning America”.

Seria ao menos uma forma de antagonizar com o “Hoje em Dia”, da Record, e o "Encontro com Fátima", da Globo.

A ideia inicial de Silvio é uma mistura de revista eletrônica matinal descontraída, cheia de convidados, com algum jornalismo e outros quadros fixos.

No entanto, esse é o "plano B". O "plano A" do SBT também é a renovação com a Disney.

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