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Opinião: Daniel Bork nunca teve chance em 17 anos de Band

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Datena e Daniel Bork Imagem: Reprodução/Instagram
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

05/11/2018 10h29

Não sou amigo pessoal do apresentador Daniel Bork, que foi dispensado pela Band na semana passada, após 17 anos de serviços prestados.

Eu o vi pessoalmente duas vezes na vida: a primeira quando estreou na emissora, em 2001, e a outra oito meses atrás.

No entanto acompanhei todos esses anos sua carreira silenciosa.

Em primeiro lugar, silenciosa porque, mesmo trabalhando na TV, o chef Daniel sempre foi tímido. Não era um sujeito de mídia.

Em segundo lugar, carreira silenciosa porque, apesar de ter ficado quase duas décadas na Band, ele nunca foi reconhecido como apresentador e comunicador. Nem pela imprensa e muito menos dentro da emissora.

Nos corredores do Morumbi sempre foi tratado pelas costas com desdém.

Era “o cunhado” (ele é irmão da Cláudia, mulher de Johnny Saad); “o intocável”, “o parente”. Enfim, alguém que estava ali sem merecimento na opinião dos detratores.

A única coisa que jamais conseguiram falar mal era de sua comida, que avançavam quase babando após os programas diários.

Nas ruas, porém, Daniel me disse que as coisas eram bem diferentes. Disse que era reconhecido, fotografado, parado nos shoppings, adorado por senhorinhas e crianças.

A verdade é que, se o parentesco favoreceu a esse competente chef chegar à TV, esse mesmo parentesco lhe fechou todas as portas na própria emissora.

Foi mantido por quase duas décadas em banho-maria. Confinado num “quadradinho”. Era pouco divulgado, pouco promovido, pouco respeitado.

Quase nunca era convidado nem mesmo para ir a outros programas da própria casa, com raríssimas exceções.

A última vez que vi Daniel Bork foi em março, na estreia de Cátia Fonseca. Amável como sempre e ainda muito tímido.

Eu perguntei: “Daniel, por que nunca te convidam para o 'Masterchef'?". 

Ele não disse nada. Só baixou a cabeça e deu o sorriso mais triste do mundo.

Entendi perfeitamente.

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