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Análise: Paralisada, Globo parece enfrentar "crise de meia idade"

Matheus (esq) e Kauan no "Conversa com Bial", da Globo - Divulgação
Matheus (esq) e Kauan no "Conversa com Bial", da Globo Imagem: Divulgação
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

11/05/2019 13h50

A Globo continua com problemas em sua programação em horário nobre. Além dos percalços enfrentados pela novela "O Sétimo Guardião", sua linha de shows noturna também anda "tropeçando" na audiência.

Um problema do momento é a nova temporada do "Conversa com Bial", cujo bicho-papão tem sido, em boa parte das vezes, o "The Noite", do SBT.

Em 23 episódios da atual temporada, Pedro Bial já foi derrotado 14 vezes pelo SBT.

Até mesmo o elogiável "Lady Night", com Tatá Werneck, já perdeu para o SBT. Só três vezes, é verdade. Esse excelente humorístico --original do Multishow e reprisado com cortes e edições na Globo-- começou com 15,8 pontos de média e quase 30% de share (Cauã Reymond, em 17 de janeiro).

Nesta semana, com Suzana Vieira, a média já estava em 13 pontos e 25,5% de share. A menor média do "Lady Night" foi a presença de Sandy, no final de abril (10,2 pontos e 20,5% de share)

Novos tempos

Tudo indica que, após décadas de tranquilidade, a Globo hoje não tem mais comodidade em praticamente nenhuma faixa, embora ainda lidere com folga a audiência nas médias das 24 horas do dia ou das 7h à 0h.

Nem tanto por méritos seus, mas também pela incapacidade criativa e financeira de suas concorrentes mudarem essa situação.

Nas manhãs, por exemplo, a Globo demitiu apresentadores, desistiu de fazer do "Bem Estar" um quadro de Fátima Bernardes e, tudo indica, vai inclui-lo em outra atração aos sábados: no fraquíssimo "É De Casa".

Também abandonou por ora a ideia de estrear novos programas como o de Fernanda Gentil.

Nas tardes, o então intocável "Jornal Hoje" já perde com alguma frequência para a Record e Reinaldo Gottino.

O "Vídeo Show", por sua vez, foi extinto após 35 anos e, a despeito das inúmeras tentativas no sentido de combater o "Balanço Geral" e o famigerado "A Hora da Venenosa", com Fabíola Reipert, não houve sucesso até aqui.

Novelas da noite na Globo também já não são aquela unanimidade nacional de público, como em décadas passadas, embora ainda liderem a audiência.

Isso sem falar que a emissora carioca já é segunda colocada em Salvador durante a semana, ficando atrás da Record. Algo absolutamente inimaginável anos atrás.

Pior: também já começa a se sentir ameaçada pela Record também em Goiás.

Paradoxalmente, ao mesmo tempo em que a Globo sempre age de forma profissional e não hesita em fazer modificações em sua grade quando necessário, ela também parece hoje um tanto paralisada. Ao menos como TV aberta

Afinal, já estamos em maio de 2019 e até agora não há nenhuma novidade na grade da maior emissora do país.

Talvez seja a hora dessa estável senhora de 54 anos criar coragem, se mexer e escapar dessa crise corporativa de meia idade.

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